Resenha – Apenas um garoto

Título: Apenas um garoto
Título original: Openly Straight
Autor: Bill Konigsberg
Tradução: Rachel Agavino 
Editora: Arqueiro
Gênero: Ficção, Romance
Ano: 2016
Páginas: 256
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“- Estou cansado disso. Estou cansado de ser o garoto gay. Não quero mais isso para mim. Eu só quero ser, tipo, um garoto normal.”
 
 
Resenha:
 
Sabe quando você bate o olho na capa de um livro e diz “quero ler” sem nem antes saber do que se trata? Pois foi bem isso o que aconteceu comigo. Dia desses, estava no Instagram quando vi que o perfil da Editora Arqueiro havia postado uma foto da capa de Apenas um garoto, e logo em seguida, descobri que esse seria o primeiro livro com a temática LGBT lançado pela editora, o que me fez ter ainda mais vontade de ler. Eu só não imaginava que esse acabaria se tornando um livro cinco estrelas e favoritado na minha conta do Skoob. 
 
Rafe é assumidamente gay desde seus 13 anos e nunca teve problemas com isso. Não sofreu bullying e tem uma família que o apóia, porém Rafe tem o rótulo de garoto gay, que o incomoda. Por isso, ele toma a decisão de mudar para uma escola em outro estado, com o plano de manter sua orientação sexual em segredo e começar a vida do zero. Detalhe: essa é uma escola só para garotos. 
 
A princípio seu plano funciona bem, ele consegue se enturmar com os outros garotos do colégio, entra até para o time de futebol, no entanto Rafe só não contava com uma coisa, se apaixonar por um de seus novos amigos, que por sinal, é hétero.
 
“Não acho que ser gay seja uma maldição. Definitivamente não é. Mas sabemos que sair do armário traz um monte de coisas que tornam a vida mais difícil. Mesmo que você tenha pais maravilhosos e uma escola que o trate bem, a revelação acrescenta algo à sua vida. O pior é como todo mundo olha para você de um jeito diferente. Eu fiquei cansado de ser olhado.” 


Desde a primeira página consegui me identificar muito com Apenas um garoto. E por diversos motivos. Bill Konigsberg conseguiu retratar de uma forma simples e bem humorada o fato de como rótulos podem incomodar uma pessoa, seja ele qual for.

Nos dias de hoje, ser gay ainda é sinônimo de ser diferente. O assunto é cada vez mais discutido nas novelas, redes sociais, escolas, mas ainda assim é tratado como algo diferente, o que não devia ser. Infelizmente, as pessoas enxergam a orientação sexual de alguém como sua única característica, o que de certa forma, acaba limitando a pessoa. Criando rótulos. 

Quando Rafe decide mudar de escola, para um lugar em que ninguém o conhece, ele deseja fugir das limitações do rótulo que ele carrega nas costas. Ele deseja ser tratado como uma pessoa normal. Ele quer que as pessoas gostem dele pelo que ele é, por suas outras características. Ele quer provar para os outros e para si mesmo que ele é muito mais do que um garoto gay. Ele é apenas um garoto.

“É difícil ser diferente. E talvez a melhor a resposta não seja tolerar as diferenças, nem mesmo aceitá-las, e sim celebrá-las. Talvez essas pessoas que são diferentes se sentissem mais amadas e menos… bem, toleradas.”


A leitura de Apenas um garoto foi algo tão prazeroso que em poucas horas eu já havia terminado o livro e aquele gostinho de ‘quero mais’ ficou alojado no meu coração e duvido que saia de lá algum dia. Os personagens são tão cativantes que não demora muito para você se apaixonar por eles.


E por falar em personagens, será impossível falar de Apenas um garoto e não citar os pais de Rafe, que são de longe os melhores personagens da trama (que outros pais dariam uma festa quando seu filho se assume gay?). Os diálogos do livro são sempre melhores quando um dos pais (ou os dois) estão envolvidos. Por diversas vezes me peguei gargalhando (não dando um sorriso ou rindo baixo, mas gargalhando mesmo) devido as coisas que eles faziam ou falavam. 

Outro personagem que merece destaque é o Sr Scarborough, professor de redação. Por mais que suas aparições sejam bem pequenas, dá para sentir que ele é o tipo de professor que amaríamos ter na época da escola. Sem falar de algumas notas que ele deixa em alguns textos do Rafe, que são apresentados durante o livro. São dicas bem legais que até podem servir para quem gosta de escrever.

De um modo geral, todos os personagens são muito bem construídos e conseguimos perceber o seu crescimento com o andar da história. Tanto os personagens principais, quanto os secundários, foram indispensáveis para construir essa história incrível que é Apenas um garoto. 

“- Você está apaixonado por ele – afirmou minha mãe, com os olhos arregalados e um sorriso travesso. 
– Não estou, não – neguei, corando. – Pare com isso. Chega. Desista.
– Claro que está – disse meu pai, virando-se para apertar minha bochecha. Olhei ao redor, horrorizado. – E está tão na cara quanto esse seu sorriso de pateta, Rafe. 
– Sério. Parem – pedi, desejando não ter levado Ben para conhecê-los. – Sério.
– Ah, estão tão feliz. Você está apaixonado por um menino! – disse a minha mãe. – Você ainda é o nosso Rafe, apesar desse terrível disfarce hétero…”


Devo confessar que tenho um coração fraco para cenas fofas, principalmente se for entre casais LGBT, e em Apenas um garoto, senti meu coração praticamente se derreter com tanta fofura. E ao ler isso não pense que esse é um daqueles livros bobinhos, água com açúcar, com romance meloso. NÃO! Esse é um romance que te convence, que te faz torcer até o último capítulo. E é lindo. 

“Os gregos eram mais inteligentes do que nós e tinham palavras diferentes para diferentes tipos de amor. Storge é o amor da família. Não é o nosso caso. Eros é o amor sexual. Philia é o amor fraternal. E há a forma mais elevada, Ágape. Esse é o amor transcendental, como quando você põe a outra pessoa acima de si mesmo.” 


Okay, acho que já estou me estendendo MUITO nessa resenha, daqui a pouco vocês desistem de ler só ao ver o tamanho (não façam isso, por favor hahaha). Se eu posso dar um conselho à vocês, gays, héteros, trans, que seja, é leiam esse livro. Leiam muito. Leiam mesmo. Apenas um garoto é aquele livro que deve ser lido e sentido por todos. Me agradeçam depois, rs. 

Comentários

  • Manoel Alves disse:

    Olá
    Eu ainda no tinha visto nenhum resenha desse livro, mas confesso que tive sua mesma impressão, me apaixonei pela alçapão antes de ler do que se trata rsrs. Acho que irei amar esse livro, pela que o livro cai para um colaborador do Blogger, mas creu o que vale muito a pena a leitura da obra. Nunca li nada com a temática LGBT, e esse daí pode ser uma ótima indicação para iniciar não é mesmo?
    Abcs
    Passa Lá Please – http://ospapa-livros.blogspot.com.br

  • Olá,legal conhecer seu blog, não sei se entendi errado, mas explorando e torcendo para esse final não ser tão aberto, descobri que esse livro terá uma continuação narrada pelo Ben. SPOILER Mais uma coisa, as coisas estavam tão fofas e faziam tanto sentido que esse final me pegou totalmente de surpresa, e não gostei nada, sei que ficou real, mas antes do Rafe contar tudo, o Ben já ia dar um pé nele, achei muito triste. E não sei se a continuação vai ser algo legal, já que o Ben parece que vai gostar de um garota(não vai me convencer depois de tudo aquilo) e o Rafe já esta com outro. O que você acha disso tudo?

  • Olá Rodrigo, tudo bem? Então, confesso que o final também me pegou de surpresa e não era exatamente o que eu esperava. Acredito que foi um final bem realista, bem mais do que todo o resto do livro, por isso a surpresa quando cheguei nas últimas páginas. Mas ainda assim gostei bastante.
    Sobre a continuação, pelo que vi nas redes sociais do Bill, vai ser mesmo narrada pelo Ben e isso me deixou MUITO animado. Espero que dessa vez a gente se surpreenda, mas de uma forma um pouco mais feliz hahaha 🙂

  • Jéssica Araujo disse:

    Olá, Rodrigo. Tudo bem? Antes de tudo: Que resenha maravilhosa! Parabéns
    Fiquei com muita vontade de ler o livro. Parece bem interessante e divertido. Muito obrigada pela dica. Com certeza lerei.