Mês: dezembro 2016

Resenha – As Cores Da Vida

Por Equipe Nunca Desnorteados
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29 de dezembro

Título: As Cores Da Vida
Título original: True Colors
Autora: Kristin Hannah
Tradução: Flavia Souto Maior
Editora: Arqueiro
Gênero: Ficção, Romance.
Ano: 2016
Páginas: 352
Página no Skoob: aqui

Muita gente reclamava dos dias cinzentos que se sucediam, um após o outro, de novembro a abril, mas ela não se importava nem um pouco. Sem chuva não há arco-íris

Resenha:

Como lidar quando o assunto é Kristin Rainha Hannah? Os livros da autora sempre me surpreendem e toda vez que sai um livro novo eu fico super ansiosa para lê-lo, mas será que ‘As Cores da Vida’ é tão maravilhoso quanto os outros? Antes de falar a minha opinião vou contar um pouco da história em geral. Prometo que tentarei não dar spoilers, rsrs.

Nesse livro, temos a história das irmãs Grey que sempre foram melhores amigas, porém a mãe delas infelizmente falece, mudando assim toda a dinâmica da família já que elas acabam sendo criadas pelo pai que é frio e muito distante. Sendo bem direta, Henry Grey se importa mais com sua reputação do que com as próprias filhas. Seu status na comunidade é tudo, desta forma ele pressiona as filhas para que elas não façam nada que prejudique sua imagem perante a sociedade. Assim, mesmo com as suas diferenças e particularidades, elas se tornam inseparáveis, sempre ajudando uma a outra.

Ao falarmos das irmãs, temos primeiramente a irmã mais velha, Winona, que é a que mais precisa da aprovação do pai e, mesmo sendo a melhor advogada da cidade , ela sente que ele não a considera possuidora das qualidades valiosas que ele julga importante. A irmã do meio é a doce Aurora, a pequena pacificadora da família. Ela está sempre tentando deixar todos felizes e busca sempre apartar as brigas que acontecem constantemente, mas no fundo ela luta suas próprias batalhas e sua dor. Confesso que ela é minha favorita! E, para finalizar, temos a Vivi Ann, que é a irmã mais nova e também a estrelinha. Ela é uma sonhadora que cativa todos que a conhecem. Tudo pra ela é fácil, até mesmo um estranho entrar em sua vida.

A relação entre a irmãs vai ficando cada vez mais forte até que, claro, estamos falando de Hannah, então tudo muda! As irmãs começam a se rebelar umas contra a outras e, a partir desse ponto, é impossível largar o livro!

Segredos vêem a luz do dia. A lealdade é posta em prova e até um terrível e chocante crime acontece para despedaçar e mudar para sempre essa família e a cidade amada em que vivem.

Pra quem conhece a escrita da Kristin Hannah já sabe a habilidade que a autora tem de fazer você sentir, quase que perfeitamente, o que os personagens estão sentindo, fazendo você se aproximar cada vez mais dos personagens e da história, seja por associação ou empatia.

Os personagens se desenvolvem e se revelam de uma maneira incrível! E como se não bastasse, novos personagens surgem conforme os capítulos para te cativar ainda mais e, com certeza, te emocionar. Sem falar do rancho e dos animais que também fazem parte da história. Os cavalos são retratados de uma forma linda, dando um senso de estabilidade e conforto, principalmente quanto o assunto é Vivi Ann – vocês vão entender o que eu quero dizer quando lerem :).

Confesso que ‘As Cores Da Vida’ tem um começo um pouco lento, mas é um drama familiar carregado com uma história de amor sincero, justiça, injustiça e preconceitos com personagens apaixonantes que, assim como nós, são seres humanos imperfeitos que tentam ser melhores. O livro vai te fazer rir, chorar, amar e também odiar.

Leiam que vale super a pena!

Resenha – Garota Exemplar

Por Alê Lendo
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28 de dezembro
Título: Garota Exemplar
Título Original: Gone Girl
Autor(a): Gillian Flynn
Tradutor(a): Alexandre Martins
Editora: Intrínseca
Ano: 2013
Páginas: 448
Perfil no Skoob: aqui
Gênero: Suspense, ficção
“TODA HISTÓRIA TEM DOIS LADOS.”

Esta semana, estou eu, passeando alegremente por uma livraria quando escuto o seguinte diálogo:

Moça 1: “Você leu Garota Exemplar? É ótimo.

Moça 2: “Não. Mas eu vi o filme.”

Não importa quantas vezes você já tenha assistido o filme “GAROTA EXEMPLAR”*SIM, eu também amo Rosamund Pike, e SIM, ela é perfeita como Emy Dunne – AINDA ASSIM, se você acha que conhece essa história através das telas do cinema, enganasse. E muito. A adaptação cinematográfica de “GAROTA EXEMPLAR” é uma versão simplória e simplista da exímia história escrita por GILLIAN FLYNN.

Eu mesma já o leria por várias outras razões: porque a mídia ficou séculos falando sobre o assunto e de como o enredo era surpreendente, porque o livro está até hoje entre os mais vendidos na lista do NYT, porque o trabalho de marketing da Intrínseca foi simplesmente excepcional ou porque GILLIAN FLYNN é uma das escritoras mais aclamadas e ascensão no gênero suspense/ficção.

Mas a grande verdade é que o que realmente me fez abraçar e aperta forte este livro em meus braços- em plena livraria lotada – foi a frase profética em sua contracapa: O CASAMENTO MATA.

Falar de casamento sem que o assunto caia nos velhos chavões e lições de moral retrógadas é um desafio altamente cumprido nas páginas de “GAROTA EXEMPLAR”. GILLIAN FLYNN nos apresenta a realidade de uma casal, casados há apenas 5 anos, mas que já descobriu que casamento é só uma sombra das expectativas do que almejávamos, imaginávamos e sonhávamos quando ainda solteiros.

A blogosfera teve muita dificuldade em resenhar “GAROTA EXEMPLAR” sem “spoilers”, e a razão é simples: A maioria não é casada!!! Se fosse, veria que o emblemático desta história não se encontra em seus fatos, mas no cotidiano maçante, repetitivo e implacável que o levaram a eles.

AMY ELLIOTT DUNNE é linda, carinhosa, dedicada, boa esposa, boa filha, perfeccionista e muito, mas muito invejada. Isso seria a descrição de uma vida bastante aprazível se não fosse pelas repetitivas ocorrências de descaso e impaciência de seu marido.

Isto é o que aprendemos sobre Amy no relato sobre seus anos de casamento descritos nas folhas de seu diário. Nosso único contato, e nossa única versão dos fatos sobre a vida de Amy, pois Amy Elliott Dunne desapareceu.

NICK DUNNE é um homem fraco, preguiçoso e abnegado. Jornalista desempregado vive sob o direcionamento de sua irmã gêmea Margo, remoendo os seus tempos idos de glória profissional. Nick ainda não se conformou com a perda precoce de sua mãe e tenta desesperadamente não parecer com o machista e agressivo pai.

Em seu aniversário de 5° ano de casamento Nick recebe um telefonema dizendo que a porta de sua casa está escancarada e seu gato está sozinho do lado de fora. Ao chegar em casa, Nick encontra tudo revirado. Um cenário claro que mostra que algo está muito errado, pois Amy não está em parte alguma.

Cenário, polícia, repórter, perícia, testemunhos, situações equivocadas e tudo mais apontam para um único indubitável suspeito: Nick Dunne.

Na primeira parte do livro – o livro é dividido três partes – o quadro de um casamento completamente deteriorado é pintado. Amy e Nick são o típico casal autodestrutivo, e seus relatos da história são ambíguos e desconexos. Amy relata um mundo de fantasia e alegrias infundadas, seu caráter perfeccionista e controlador ficam mais claros página a página.

Nick é um mentiroso clássico e crônico, mente tanto que quase acredita no que diz. Seu charme natural e seu comportamento inadequadamente displicente e evasivo, são os componentes principais de um livro envolvente viciante e desafiador. Todas as vezes que eu ia parar de ler eu pensava: Não posso parar aqui…

Mas apesar de suas falhas, o caráter duvidoso apesar e as disfuncionalidades de seu casamento, podemos dizer que Nick Dunne chegou ao seu limite, agrediu, matou e sumiu com Amy?

Bom, essa é a pergunta que você vai achar que conhece a resposta boa parte do livro.

Mas algo é fato: Independente do que é verdade ou mentira, certo ou errado, você vai apreender a respeitar e admirar Amy e Nick. Em vários momentos você irá se questionar sobre as razões, limites e franquezas de cada um, sobre as mazelas e conflitos da vida a dois e vai concluir que eles talvez sejam apenas mais um entre tantos casais perdidos nessa odisseia chamada casamento.

Eu ADOREI “GAROTA EXEMPLAR”. Um livro brilhantemente e muito bem escrito que faz jus ao brilhantes “thillers psicológico” já escritos. Uma história que prende, questiona, consome e levar o leitor àquela inquietação prazerosa que só um bom livro pode dar.

5 motivos para ler Boa Noite

Por Lucas Florentino
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26 de dezembro

Título: Boa Noite
Autora: Pam Gonçalves
Editora: Galera 
Gênero: Romance, Jovem Adulto
Ano: 2016
Páginas: 240
Skoob: Clique aqui

Quem me conhece sabe o quanto eu adoro indicar livros. Adoro aquela sensação de analisar a pessoa, perceber quais são as coisas que mais a agradam e tentar encontrar um livro com todas aquelas características. Mas algo extremamente difícil é conseguir encontrar um livro que eu possa indicar para todos, independente de suas preferências. É extremamente difícil encontrar um livro da qual todos vão conseguir tirar alguma coisa importante da leitura. Difícil, mas não impossível…

Uma das minhas leituras mais recentes é o livro Boa Noite, da autora nacional Pam Gonçalves, lançado pela Galera Record em 2016.

Sinopse: “Muita gente fala que a faculdade é a oportunidade ideal para escolher quem você quer ser. E não é que já estou vendo alguma verdade nessa afirmação? Minhas aulas nem começaram, mas me sinto diferente. Não tenho certeza se é porque estou tão longe de casa ou porque não estou mais com as pessoas com as quais convivi por anos. Só sei que alguma coisa mudou”.

A leitura para mim foi tão enriquecedora que hoje resolvi listar alguns motivos que acredito serem importantes para convencer todos vocês a darem uma chance para o livro.

ATENÇÃO: A PARTIR DAQUI O TEXTO PODE CONTER SPOILERS!!!

1 – Não é um livro de Youtuber


Não é novidade para ninguém que os Youtubers invadiram de vez as livrarias, trazendo em sua grande maioria, livros de memórias ou contendo conteúdos de seus canais da plataforma de vídeo. Isso até hoje causa muita polêmica no meio literário, mas esse não é o assunto que eu vim abordar.

Acompanho a Pam Gonçalves há mais ou menos uns cinco anos, desde a época do blog Garota It, e hoje em dia, o seu canal no YouTube é um dos meus favoritos, da qual assisto aos vídeos praticamente no mesmo dia que são lançados. Desde o início, seu foco sempre foram os livros, a paixão pela literatura é algo muito fácil de ser percebida em qualquer um dos vídeos.

Por esse motivo, eu não tinha dúvidas de que seu livro não seria um “livro de youtuber”, sabia que quando fosse para ela começar a escrever, ela o faria da melhor forma possível. E o resultado não decepcionou.

Fico muito feliz de ver cada vez mais autores nacionais ganhando seu espaço no nosso mercado editorial. Temos que apoiá-los se quisermos que nossa literatura continue crescendo. Então, se alguém estava com receio de ler Boa Noite achando que era um livro de memórias ou conteúdo de vídeos da internet, podemos encerrar o assunto e passar para o próximo tópico.

2 – As mudanças que a faculdade causa na vida das pessoas

Recentemente eu terminei a faculdade e é incrível a quantidade de mudanças que essa fase causou na minha vida. Sair da casa dos pais, encarar a vida adulta e se tornar uma pessoa responsável são coisas que uma hora ou outra acaba acontecendo na vida de todos.

Gosto muito de ler livros que se passam nessa fase da vida, mas confesso que é mais fácil encontrar histórias que se passam no ensino médio do que na faculdade, e quando encontramos, geralmente essas mudanças próprias da fase acabam sendo abordadas de forma não muito convincente.

Boa Noite se passa todo na faculdade, contando a história da Alina, que decide sair da casa dos pais e mudar de cidade para cursar Engenharia da computação. Durante a história nós conseguimos perceber a transição da vida adolescente para a adulta de uma forma muito natural, sem cair no clichê.

3 – Preconceito e questão de gênero

O curso escolhido pela personagem principal é um daqueles típicos “cursos de homem”. Com cinquenta alunos em sala, 46 deles são homens. As quatro únicas alunas da turma sofrem constantes situações preconceituosas por parte de seus colegas de classe.

Apesar de se tratar de uma história fictícia, essa situação infelizmente ainda é muito comum. É difícil acreditar (e aceitar) que em pleno 2016, muitas pessoas ainda são julgadas por fazer coisas que não “condizem com seu gênero”.

Aquela velha história de “azul é para menino” e “rosa é para menina”, muitas vezes passada para as crianças de forma inocente, infelizmente acaba criando adultos preconceituosos.

O gênero não define a capacidade física nem mental de nenhum ser humano. Todos somos capazes de desenvolver tarefas independente de qual seja o nosso sexo. Lide com isso.

“Não precisa querer mudar todo mundo que encontra pela frente. Você não precisa fazer nada que não queira. As pessoas vão tentar te dizer o contrário o tempo todo.”

4 – Cultura do estupro

Se você acompanhou a mídia nos últimos meses, você provavelmente deve ter visto pelo menos uma notícia de alguma mulher sendo estuprada. É triste saber que essa continua sendo uma realidade nos dias de hoje. É triste ver mulheres sendo forçadas a fazer sexo sem consentimento.

Mas o problema vai muito além disso. Nós vivemos em uma sociedade que culpa a vítima. Uma sociedade que diz que mulheres são estupradas porque usam shorts curtos, que são estupradas porque andam sozinhas a noite.

Que mulher pede para ser violentada? Que tipo de ser humano pede para sofrer? Não. A culpa não é da vítima. A culpa é da pessoa que acha que pode forçar a outra a fazer algo que não ela não quer.

O livro relata situações de alguns personagens que que chegam até me dar nojo, a vontade é de perder a fé no ser humano, mas infelizmente essa ainda é uma realidade. O assunto não pode ser escondido e trazer à tona apenas quando casos de estupro estampam as notícias, o assunto deve ser conversado dentro de casa, do pai explicando para o filho que não é porque uma menina está usando uma roupa curta que ela quer ter algo com ele, ou que ele tenha algum direito sobre ela.

Sei que não é de um dia para a o outro que se muda toda uma sociedade, mas são com pequenos atos como esse, que geram discussões, que aos poucos vamos conseguindo plantar a sementinha da consciência nas pessoas.

5 – Empoderamento feminino

Sei que já deu para perceber que o livro aborda muitos assuntos polêmicos, até mesmo pesados de serem mostrados, mas tem uma coisa que me chamou atenção e que me fez até ter vontade de aplaudir quando terminei a leitura: o empoderamento feminino contido nas páginas.

A história consegue nos mostrar mulheres fortes, inteligentes e com cargos importantes na sociedade. Sem falar nas frases de efeito, super empoderadas, que estão espalhadas por todo o livro.

“Ao contrário do que somos educadas a pensar, as outras mulheres não são nossas inimigas, mas sim nossas irmãs. Um time. O exército que precisamos proteger. Se não protegermos e cuidarmos umas das outras, não serão os homens que o farão por nós.”

Espero que eu tenha conseguido, com todos esses motivos, convencer todos vocês a darem uma chance para Boa Noite. Muito mais do que uma história para entretenimento, essa é uma história para gerar discussão, para trazer à tona assuntos que não podemos mais simplesmente ignorar.

Resenha – Sucos Verdes

Por Marcos Stankevicius
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22 de dezembro

Tít ulo: Sucos Verdes 

Título Original: Green Smoothies

Autor(a): Fern Green

Tradutor(a): Fernanda Abreu

Editora: Arqueiro, Selo Sextant

Ano: 2016

Páginas: 160

Skoob

Gênero: Culinária, Receitas

Resenha:

   O livro contém 66 receitas que combinam todos os tipos de frutas e verduras com a intenção de estimular as pessoas a terem uma vida mais saudável e suprir a quantidade diária necessária de cada vitamina que nosso organismo precisa. Fern Green é uma escritora e chef experiente que vai orientar por meio dessas receitas como começar, se acostumar e utilizar desses elementos.

   Nas receitas estão as informações de qual beneficio cada mistura trás, cada uma é rica em uma vitamina diferente, algumas estimulam o sistema imunológico, algumas dão mais energia e algumas reduzem inflamações. Isso facilita a escolha de qual receita preparar e qual a mais vantajosa de ser feita.

Além dos ingredientes, o livro também ensina e explica sobre os equipamentos necessários para transformar suas frutas e verduras em suco, como por exemplo a diferença do liquidificador para a centrífuga, assim como oferece também um programa simples de detox por 7 dias, que introduz o leitor e o ajuda a se acostumar com a rotina de tomar todo dias essas vitaminas.

A primeira e maior surpresa de todas é que esses sucos são realmente gostosos, mesmo misturando varias verduras e até alguns legumes, o sabor predominante sempre vai ser da fruta que acompanha. Comecei experimentando as receitas que tinham como um dos ingredientes morango, maçã ou abacaxi.

   Se tomar um pouco por dia todos os dias, na primeira semana já é possível sentir uma diferença. Fica mais perceptível o gosto do sal e açúcar nos alimentos, consegue sentir mais energia durante seu dia e evita a insônia na hora de dormir.

Resenha – Ligeiramente Pecaminosos

Por Alê Lendo
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20 de dezembro

Título: Ligeiramente Pecaminosos
Título Original: Slightly Sinful
Autor(a): Mary Balogh
Tradutor(a): Ana Rodrigues
Editora: Arqueiro
Ano: 2016
Páginas: 271
Perfil no Skoob: aqui

Gênero: Ficção, Romance de Época

“Casar tarde sempre foi uma tradição em nossa família, mas quando nos casamos é por amor e para sempre.”

E pode me chamar de lesada que eu deixo. Demorei quatro livros para me dar conta que todos eles se passam em ambientes que não são exatamente o que se espera de um romance de época. E olha que eu já li muitos!

Mas, em minha defesa, tenho a dizer que OS BEDWYNS são muito dinâmicos e envolventes, já nas primeiras linhas você se perde em narrativas primorosas, e que MARY BALOGH é magnífica em seus romances. Logo, acabei não me atentando a esse detalhe.

Ou – muito provavelmente – seja pelo fato que o cenário deste livro é um tanto quanto inusitado. Desta vez, passaremos alguns meses na adorável companhia de algumas amigas em um simpático prostíbulo (isso, aquele com prostitutas!) em meio aos acontecimentos durante a batalha de Waterloo.

Se você leu minha resenha do livro anterior (se não leu, leia aqui e pare imediatamente de ler esta!) sabe que em seu último parágrafo deixamos Lady Morgan Bedwin – recém casada com o conde de Rosthorn – observando da janela de sua carruagem um homem parado à sua porta em Lindsey Hall.

Agora me dá a mão, pois vamos para a rua d’Aremberg, em Bruxelas, onde cinco moças transformaram uma casa de aparência respeitável num bordel!

RACHEL YORK viu sua vida e seus sonhos destroçados do dia para à noite. E tudo porque se deixou envolver e ludibriar por um vigarista que a pediu em casamento com o único intuito de roubar suas economias e de suas colegas, Bridget, Flossie, Geraldine e Phyllis, as donas do bordel onde vivia e que – a muito custo – tinham juntado uma boa quantia para mudarem de endereço e de vida.

Ao contrário de suas amigas, Rachel não é prostituta. Está no Bordel há apenas um dia, pois foi dispensada de seu trabalho como acompanhante de uma senhorita que se enciumou com a “sorte” de Rachel por encontrar um noivo tão charmoso.

Rachel já conhecia Bridget Clover. Ela havia sido sua babá quando a mãe falecerá. Isso quando ainda morava com o pai e antes que este perdesse todo o dinheiro da família nas mesas de jogo. O Bordel das amigas era o único lugar que ela conhecia para ficar até se restabelecer.

Rachel estava certa que seria posta para fora aos gritos e ponta pés, já que ela havia apresentado e convencido as amigas que seria uma boa ideia dar todas as suas economias ao aparentemente bem intencionado Sr. Nigel Crawley. O homem que as roubaram. Mas isso nunca passou pela cabeça das queridas, companheiras e valentes Bridget, Flossie, Geraldine e Phyllis. Elas conheciam a bondade de Rachel.

Naquela noite, depois de aceitarem a fatídica realidade e decidirem que era preciso seguir em frente, pois caçariam o vigarista e reaveriam seu dinheiro, as damas tiveram uma inusitada ideia: ir ao campo de batalha em busca dos pertences dos mortos na batalha em Waterloo.

A ideia não era só louca, era mórbida e pecaminosa. Rachel se sentia enjoar só de pensar em remexer os mortos. Mas ela com sua inocência causara todo aquele problema e não ajudar as amigas a se reerguerem era uma hipótese impensável.

ALLEYNE BEDWIN não era militar. Decidiu seguir a carreira diplomática porque precisava dar rumo a sua vida. Havia saído de Bruxellas, onde deixou a irmã caçula Morgan aos cuidados de uma família amiga, para se juntar as tropas inglesas. Lá, se ofereceu para levar a correspondência das estratégias de guerras entre os comandantes, assim, voltaria o mais rápido possível para Amsterdã e levaria a irmã em segurança para casa.

Durante o trajeto, quando teve de atravessar o campo de batalha em Waterloo, Alleyne foi atingido na perna por um tiro.

Apesar de ter perdido muito sangue, Alleyne ainda conseguiu se aproximar das tropas aliadas em Amsterdã, mas seu cavalo, ao pisar em falso em um tronco de árvore, empinou arremessando seu cavalheiro no chão.  

Na queda, Alleyne aterrissou com força de costas no chão e bateu com a cabeça na mesma raiz em que o cavalo tropeçara. Desmaiou imediatamente.

RACHEL YORK ficou paralisada diante a tantos mortos em campo de batalha. Soube no mesmo instante que nem ela e nem as amigas teriam coragem de profanar aqueles corpos.

Então Rachel fixou os olhos no primeiro cadáver que encontrou. Ele estava jogado sob uma árvore, inerte e completamente nu. Ela imediatamente se apiedou dele. Um homem jovem, ainda bonito, apesar da situação, largado como um indigente sem que ao menos os pais o pudessem enterrar.

Ela, sem nem mesmo entender o porquê, se ajoelhou próximo ao corpo e tocou o seu belo rosto. Ele estava frio. Mas não gelado. Ela levou os dedos ao pescoço do rapaz e notou uma leve pulsação. E então, começou a gritar por socorro.

Ao acordar, Alleyne se vê cercado de belas moças. Seu pensamento o leva para três certezas: se está morto, certamente está no céu, não tem a menor ideia de onde está e, o pior de tudo, não faz a menor ideia de quem ele é.

Os traços e o porte de Alleyne não deixam dúvida. Trata-se de um cavalheiro. Mas ninguém nem desconfia que o recém nomeado Jonathan Smith, é na verdade um dos homens mais ricos da Inglaterra e irmão do poderoso Duque Wulfric Bedwin.

Em agradecimento a tudo que as damas fizeram por ele, Alleyne decide que irá ajuda-las a encontrar o vigarista que as roubou. Para isso, vai se passar pelo respeitável marido de Rachel que decidiu enfrentar o Tio – que a abandonou ainda criança – e está em posse das joias deixadas por sua mãe.

Ao contrário do livro anterior, este livro não tem a intenção de falar da guerra e de todas as mazelas que a envolve. O texto é bem mais leve e o foco é o longo caminho de Alleyne para descobrir quem ele é e o reais valores que estão muito além das aparências e das posses de uma pessoa.

Prepare-se para rir e encantar com as muitas confusões, descobertas e romances absolutamente improváveis entre nobres, plebeias, prostitutas e combatentes de guerra.

E agora falta pouco. O próximo livro, LIGEIRAMENTE PERIGOSOS, sai ainda no primeiro semestre de 2017 e traz a história de Wulfric Bedwin. Pense numa pessoa em cólica. Essa sou eu!

Resenha – Juntando Os Pedaços

Por Thales Eduardo
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18 de dezembro

Por algum tempo questionava a necessidade disso tudo. De escrever, de compartilhar as experiências. Foi uma ressaca literária somada a uma falta de propósito.

Mas como todos sabemos, esse período não dura pra sempre. Quando  comecei Juntando Os Pedaços sabia que seria esse o livro que me salvaria de todo o tédio. E não estava errado.

“Não sou um merda, mas estou prestes a fazer merda. Você vai me odiar, outras pessoas vão me odiar, mas vou fazer isso mesmo assim, para proteger você e a mim mesmo.”

Novo sucesso de Jennifer Niven, Juntando Os Pedaços é uma obra gloriosa. Muitos certamente chegaram até ele através de Por Lugares Incríveis, livro da mesma autora e que fez um sucesso  imenso marcando todos aqueles que leram.

Nem havia superado o primeiro livro e a autora já anunciava o novo trabalho e, querendo ou não, as expectativas já ficaram altíssimas. Queria e esperava algo grandioso da Niven.

E essa mesma ansiedade seguiu até o momento em que finalmente comecei a leitura. No início é impossível conter as expectativas e comparações.

Mas o engraçado é que num momento do livro você simplesmente esquece de tudo. Ele te fisga de uma maneira que você aceita a obra incomparável que tem nas mãos.

“É uma sensação horrível. De que alguma coisa está mudando. De virar a esquina e encontrar a rua escura e deserta, ou cheia de cães selvagens, e não poder voltar,ter que seguir em frente, em direção à matilha.”

O livro nos relata a jornada de dois jovens, Libby e Jack. Cada um deles enfrenta diferentes problemas, mas juntos eles podem ser maiores que tudo isso. Enquanto Jack vive com uma doença rara que o impede de reconhecer qualquer rosto,seja de quem for, Libby precisa lutar contra seu passado e enfrentar seu presente.

E é somente quando o destino acaba aproximando esses dois é que eles aprenderão coisas que nem imaginavam sobre si mesmos.

“Você não é uma aberração. Alguém gosta de você. Alguém precisa de você. Não tenha medo de deixar o castelo. Tem um mundo enorme e maravilhoso lá fora.”

Assim que terminei a leitura eu sabia que precisava compartilhá-la. Precisava contar as pessoas sobre esse  livro que ensina e encanta. A autora mais uma vez marcou e superou todas as expectativas.

Libby e Jack são ótimos protagonistas e conseguem nos envolver facilmente. Com capítulos separados para cada um, vamos  conhecendo a fundo o que ambos estão passando.

E caso esteja fazendo comparações entre Por Lugares Incríveis e Juntando Os Pedaços já  aviso que não há espaço para isso, simplesmente devemos aceitar que os dois livros escritos pela Jennifer são singulares e exemplares!

Este não é um livro qualquer, esteja preparado para muitas emoções!

“Estamos fazendo isso. Isso está acontecendo. Nós nos encontramos e mudamos o mundo. O dele e o meu.”

Resenha – Pequenas Grandes Mentiras

Por Thales Eduardo
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13 de dezembro
Título: Pequenas Grandes Mentiras
Título original: Big Little Lies
Autor: Liane Moriarty
Tradução: Adalgisa Campos da Silva
Editora: Intrínseca
Gênero: Ficção
Páginas: 400
Ano: 2015

Página no Skoob: Clique Aqui

 

“As revelações violentas tendem a ficar mais violentas com o passar do tempo.”

Lançado pela Editora Intrínseca em 2015, Pequenas Grandes Mentiras fez um grande sucesso e gerou, em sua maioria, ótimas críticas.

O livro começa com um evento escolar, no qual termina com uma pessoa morta. Só sabemos isso: alguém morreu. Quem? Foi acidente ou homicídio? Quem matou? Todas essas questões ficam na mente do leitor e serão respondidas ao longo da leitura.

Para isso, a autora volta então ao passado (seis meses antes do tal evento) e começa a narração com pontos de vista diferentes. Os capítulos são intercalados entre três mulheres: Madeline, Celeste e Jane.

São elas que nos guiarão até a fatídica noite. Mas encontramos nos capítulos também, algumas transcrições de entrevistas com outras pessoas que também estavam envolvidas nessa confusão toda.

E logo percebemos que cada um interpreta os fatos diferentes. Assim o leitor vai tentando entender tudo que aconteceu, analisando os fatos e fazendo hipóteses.

“Se exibisse no Facebook como sua vida era perfeita, talvez também começasse acreditar.”

Apesar de alguns trechos estarem um pouco afastados da realidade, muitos outros são extremamente fiéis a nossa realidade atual.

Pequenas Grandes Mentiras nos ensina a não acreditar em tudo que é dito logo de imediato. Nos mostra também como estamos cercados de mentiras, muitas vezes pequenas, mas que com o passar do tempo podem se tornar uma grande bola de neve com consequências graves.

Notamos também como muitas pessoas julgam algo sem saber, de fato, o que aconteceu. Nos trechos das entrevistas é interessante notar isso. Às vezes algo simples ganha uma grande importância simplesmente pela interpretação errada.

Assim como já foi dito na resenha de A Garota Sem Passado, o gênero investigativo ganhou espaço maior nos últimos anos. Mas são livros com um estilo inovador, pois trazem um crime que será solucionado ao longo da leitura mas sem deixar claro quem são os mocinhos e os vilões. O leitor vai tirando suas próprias conclusões e descobrindo tudo de uma maneira muito emocionante.

O livro trata ainda de questões importantes, tais como, bullying e violência doméstica e sexual. Liane Moriarty expõe problemas que acontecem na sociedade e que muitas vezes essas pessoas sofrem caladas e sem auxílio, seja qual for o motivo.

Entretanto, apesar dos inúmeros elogios que li sobre esse livro, tive alguns problemas durante a leitura. O primeiro deles, que incomodou bastante, foi a construção do mistério no primeiro capítulo que definiria toda a história.

Mesmo sabendo que muitas coisas não poderiam ser reveladas logo de início, senti uma narração extremamente vaga. Dessa forma, não foram esses capítulos iniciais que me prenderam à leitura.

Da metade do livro em diante já estava bem curioso para saber o que de fato tinha acontecido, mas a narração em muitos momentos me incomodou. Nota-se também estereótipos na criação de alguns personagens.

Apesar de tudo foi uma leitura rápida e razoavelmente boa. Não tiro os méritos de um livro que me prendeu por algumas horas, me deixando angustiado para saber tudo que havia acontecido. Sem grandes expectativas, Pequenas Grandes Mentiras pode ser uma leitura agradável!

PS: Pequenas Grandes Mentiras ganhará uma adaptação para a TV. A série da HBO será produzida por David E. Kelley, sendo que as atrizes principais já foram definidas: Nicole Kidman (Celeste) , Reese Witherspoon (Madeline) e Shailene Woodley (Jane). Confira o trailer:

Resenha – Um ano inesquecível

Por Lucas Florentino
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11 de dezembro
Título: Um ano inesquecível
Autoras: Paula Pimenta, Babi Dewet, Bruna Vieira e Thalita Rebouças
Editora: Gutenberg
Gênero: Contos
Ano: 2015
Páginas: 400
Skoob: Clique aqui
“O amor é como um jogo que você entra sabendo que vai perder, mas ainda assim é divertido tentar, só para ter certeza.”

Sabe quando você tem um livro que sempre quis muito ler, mas ele está parado na estante porque você está esperando o momento certo para iniciar a leitura? Pois então, esse foi o meu caso com UM ANO INESQUECÍVEL. Desde seu lançamento, em 2015, eu já estava super ansioso para mergulhar naquelas páginas, porém resolvi esperar para fazer um pequeno projeto pessoal (que foi totalmente frustrado e contarei para vocês no final desse post).

‘Um ano inesquecível’ foi lançado pela Editora Gutenberg e reúne quatro contos, de quatro autoras nacionais, cada um deles se passando em uma estação do ano. Se você quiser saber qual foi minha opinião sobre cada um deles, é só continuar com a leitura ^^

ENQUANTO A NEVE CAIR – PAULA PIMENTA – Quando seu conto é o primeiro de um livro de coletâneas, você possui uma grande responsabilidade, pois você será a porta de entrada dos leitores, a primeira impressão quem vai passar será você. Foi isso que Paula Pimenta encarou em ‘Um ano inesquecível’.

Encarregada por retratar o INVERNO, Paula nos conta a história de Mabel, uma garota que se vê obrigada a viajar com a família nas férias (cadê a minha família me obrigando a fazer viagens incríveis assim?), quando na verdade, tudo o que a adolescente queria era viajar com os amigos e estar perto do garoto que estava afim. Em meio às belas montanhas nevadas do Chile, Mabel irá descobrir que o inverno pode não ser tão ruim quanto ela esperava.

Esse foi um daqueles contos que eu li todo de uma vez, sentei na minha cama para ler a primeira página e só levantei quando tinha terminado tudinho. Meu único problema com essa história foi justamente a personagem principal, os dramas criados pela garota foram um pouco forçados demais, mas nem de longe isso estragou o conto. Terminei a leitura querendo ir urgente para o Chile, passar alguns dias tomando chocolate quente e esquiando naquelas belas paisagens.

O SOM DOS SENTIMENTOS – BABI DEWET – Por muito tempo ouço falar da Babi Dewet e sempre quis ler algo dela, mas esse foi meu primeiro contato com sua escrita e preciso confessar: me surpreendi de uma forma tão gostosa que me arrependo de não ter lido nada dela antes. Em ‘Um ano inesquecível’, Babi foi responsável por dar vida ao OUTONO, época do ano que eu, particularmente, adoro. Ambientado na Avenida Paulista, seu conto, ‘O som dos sentimentos’, conta a história de Anna Julia e João Paulo, duas pessoas que não poderiam ser mais diferentes uma da outra, mas que encontram na música a oportunidade de compartilhar momentos de autodescoberta e viver um romance daqueles que faz o leitor fechar os olhos e se imaginar na cena.

A música é um elemento que está presente do início ao fim dessa curta história, o que enriquece ainda mais a leitura. Várias músicas e bandas são citadas nas 88 páginas e não me faltou vontade de correr para o Spotify e procurar cada uma delas e montar uma playlist (preciso agradecer aqui, pois sem esse conto eu nunca iria descobrir a música Jane Doe, da banda Never Shout Never, que por sinal, estou ouvindo no repeat desde que terminei a leitura).

A MATEMÁTICA DAS FLORES – BRUNA VIEIRA – Já acompanho a Bruna há algum tempo, sempre gostei muito do blog Depois dos Quinze e as vezes me pego maratonando os vídeos do seu canal do Youtube, mas até hoje, eu nunca tinha lido nenhum de seus livros. ‘A matemática das flores’ foi o primeiro contato que eu tive que a escrita da Bruna (óbvio, tirando os textos do blog) e sua narrativa foi uma grande surpresa para mim. Fiquei encantado com a riqueza de cada detalhe, de cada referência na história, o que só aumentou a minha vontade de ir atrás de seus outros livros.

Nessa antologia, Bruna ficou responsável por escrever sobre a PRIMAVERA, e seu conto não poderia ser mais adequando, começando pelo nome da personagem principal, Jasmine. A história se passa na reta final do ensino médio da garota e retrata alguns problemas bem comuns dessa fase, como a pressão das provas finais e o dilema de qual faculdade escolher, além de um amor adolescente que faz nosso coração se aquecer de tanta fofura. Você deve estar pensando que tudo isso é clichê demais, mas quando o clichê é bem escrito, vale cada página lida, e com certeza, esse foi o caso de ‘A matemática das flores’.

AMOR DE CARNAVAL – THALITA REBOUÇAS – Thalita Rebouças chega trazendo muito sol e calor para finalizar esse ano inesquecível. Responsável pelo VERÃO, Thalita nos presenteia com uma história de carnaval que nos tira suspiros e muitas, muitas risadas. Com uma escrita extremamente divertida como eu nunca tinha lido antes, a autora consegue narrar os acontecimentos e ainda conversar com os leitores de uma forma tão leve que é impossível largar o livro.

Confesso que, no início do conto, achei as personagens principais um pouco forçadas demais, em alguns pontos eu sentia que estava lendo um capítulo de Malhação, mas não me entendam mal, conforme as páginas iam avançando eu pude perceber que essa era a essência da escrita da Thalita, e que o grande problema ali era eu, um adulto que esqueceu de se colocar na pele de um adolescente para realmente viver aquela história. Felizmente eu pude perceber isso a tempo de mudar a minha percepção e poder aproveitar aquelas risadas que, desde o início, Thalita Rebouças tentava arrancar de mim. ‘Amor de carnaval’ conseguiu, não só fechar o livro com chave de ouro, como fazer crescer em mim ainda mais a admiração que eu sinto pela autora.

De um modo geral, ‘Um ano inesquecível’ foi um livro que eu gostei bastante, cada um dos contos me marcou e me trouxe algo bom de alguma maneira. Porém teve um problema, um grande problema…

Lembra que eu falei lá em cima, no começo desse post, que a leitura desse livro fazia parte de um pequeno projeto pessoal? Pois então, meu objetivo era ler cada um dos contos em suas respectivas estações do ano, a fim de aumentar ainda mais a minha experiência com a leitura. Estava tudo muito bem, quando lá no meio do ano eu iniciei a leitura pelo conto de inverno, primeiro do livro. O problema foi que, na estação seguinte, primavera, o livro estava errado. Ao invés de seguir os contos de acordo com as estações (inverno, primavera, verão e outono), o livro simplesmente TROCOU AS ORDENS (e sim, as letras maiúsculas foram sim um grito da minha pessoa).

Para quem me conhece, sabe que eu tenho toc com essas coisas, para mim tudo tem que estar certinho, no seu devido lugar (mal de virginiano), e ter alterado a ordem das estações no livro foi um grande problema para mim, pois eu não conseguiria simplesmente pular um conto e depois voltar para ler o anterior. Então, pessoa da Gutenberg que fez a edição desse livro, estou esperando suas desculpas por ter me frustrado tanto assim 🙂

hahaha, exageros à parte, ‘Um ano inesquecível’ é um livro que vou indicar para todo mundo que deseja um leitura leve, descontraída, e despretensiosa. Garanto que vocês vão adorar!

Resenha: Fallen – Filme e coletiva

Por Thila Barto
|
7 de dezembro

Bom, fãs incondicionais da saga Fallen, desculpa decepcionar vocês, mas não trago boas impressões sobre a adaptação do livro para as telonas. Se você não está a fim de ler críticas negativas ou não quer spoilers, aconselho abandonar imediatamente essa resenha.

 MUITOS SPOILERS ALERTS 

Quando um livro que lemos ganha uma adaptação, logo de cara uma pergunta surge na cabeça: será que haverá muitas mudanças na história?… infelizmente, produção, foi impossível contar a quantidade de mudanças que a história sofreu. Seria mais fácil apontar aquilo que não mudou, como por exemplo os nomes, o triângulo amoroso – Daniel, Luce e Cam -, as sombras e…. e… e…. acho que é isso. 🙁

Tão achando que estou exagerando? Lanço aqui algumas simples observações: imaginem uma Sword & Cross sem os vermelhos e sem o cemitério. Difícil né? Pois afinal de contas, as maiores reviravoltas do livro acontecem no cemitério. Então se você espera ver uma intensa batalha final, a primeira cena em que Luce avista Daniel na entrada do reformatório onde ele acaba mostrando o dedo do meio à ela, as cenas no lago, bolo de carne,  a amizade singular entre Luce e Ariane ou até a cena do ‘primeiro beijo’ entre Luce e Daniel após aquela confusão com o Cam, esqueça tudo isso. O filme não tem nada disso. Nem mesmo a Callie, melhor amiga de Luce, existe. Mesmo sem considerar o livro, o filme está bem esquisito.

Após o término, eu me perguntei: por que tantas mudanças sendo que a própria autora estava envolvida na produção? É claro que isso foi questionado durante a coletiva e a justificativa da autora foi que ela não estava tão apegada aos detalhes da série já que faziam 2 anos que ela tinha terminado o último livro, então com a perspectiva da história completa na sua cabeça ela, juntamente com Scoot Hicks, destilaram a essência do livro para os filmes. Algumas cenas que não tem no livro foram inseridas na produção e o principal motivo dos cortes era que algumas cenas não ficavam boas nas telas quanto no livro. Resumindo, para ela o mais importante era retratar a química entre o triângulo amoroso e o resto do elenco. 

Lauren Kate também nos contou que a ideia de Fallen começou a surgir durante seus estudos bíblicos para sua tese, pois até aquela altura, ela nunca tinha imaginado que escreveria um livro; simplesmente aconteceu. Ela confessou que não possui uma metodologia de escrita fechada e até o final do quarto livro ela não sabia o que iria acontecer, ou seja, ela não programava aquele final. Entretanto, o que eu achei mais interessante em toda a coletiva, foi o momento em que ela explica o motivo da escolha do nome de sua protagonista: Luce significa luz e ela queria criar uma mulher forte e ao mesmo tempo vulnerável que vivia na escuridão, assim sua tarefa seria levá-la até a felicidade, no caso, em direção à luz.

Além da participação da coletiva juntamente com o blog parceiro, Ler e Imaginar, fizemos uma entrevista individual com a fofa e incrível Addison Timlin, que conversou com a gente dando respostas ótimas às nossas perguntas. Quer saber quais são elas? …

Fiquem de olho em nossas redes sociais, assim como a do Ler e Imaginar. Temos algumas surpresas aguardando vocês 🙂

Escutei livro autografado?

Você recebeu um novo e-mail

Por Thales Eduardo
|
3 de dezembro

DE: twriter@gmail.com

PARA: leitornd@gmail.com

ASSUNTO: Você precisa conhecer esse livro!!!

Você não deve estar entendo exatamente o motivo de estar recebendo esse e-mail. Calma, não é nenhum vírus ou algo do tipo. Eu te explico!

Estou aqui para falar sobre o “Simon vs A Agenda Homo Sapiens”, da Becky Albertalli. Este livro foi lançado esse ano (2016) pela Editora Intrínseca e você pode conferir mais detalhes dele aqui.

“Ele é uma pessoa. Pode até ser alguém que eu conheço. Mas não sei quem. E não sei se quero saber.”

A história gira em torno de Simon (ah, sério mesmo?!). Ele é um jovem bem tranquilo, que tem uma boa relação com a família e amigos. Mas o que ninguém sabe ainda é que Simon é gay e que nos últimos meses ele vêm conversando, via e-mail, com uma pessoa desconhecida, apelidada “Blue”.

Blue e Simon, que usa o apelido de Jacques, só sabem que estudam na mesma escola. A identidade de ambos ainda permanece desconhecida. Mas é inegável a importância que cada um deles exerce na vida do outro. É nessas trocas de e-mails que eles contam coisas que geralmente não contam para mais ninguém.

Mas um dia, Simon comete um grande deslize. Ele esquece sua conta logada num computador da escola e um outro estudante, Martin, descobre tudo sobre essas conversas que Simon está tendo. E é assim que começa uma chantagem que está prestes a mudar tudo!

“Acho que gosto de saber que nos conhecemos mais por dentro do que por fora.”

E assim chegamos nesse e-mail. Eu precisava comentar sobre o livro. Mas então, esse é a primeira obra da escritora Becky Albertalli. É interessante citar que ela é psicóloga e por 7 anos foi orientadora de um grupo de apoio para crianças com não conformidade de gênero. Já notamos então que ela tem experiência no assunto.

Os capítulos são alternados entre o dia a dia de Simon e a troca de e-mails entre os garotos. O livro tem uma narração bem prazerosa, com uma escrita simples, mas que ao mesmo tempo consegue passar muitos significados ao leitor. 

Simon vs A Agenda Homo Sapiens é um livro que conquista. Não só a narração surpreende, mas Becky criou bem todos os personagens, tornando-os muito reais. Cada um deles possui seus próprios dilemas e lidam de maneira diferentes com as situação.

“Sinto como se houvesse um muro desmoronando, e não sei o por quê, e nem o que vai acontecer.”

Outro detalhe vale destacar é o rumo que a história segue. Fatos importantes não ficam presos apenas aos capítulos finais, mas acontecem ao longo de todo o livro.

Sobre o mistério da identidade de Blue, foi uma surpresa sim. Por mais que tivesse algumas suspeitas são muitas possibilidades e nada tão concreto pra podermos definir alguém logo (bom trabalho, Becky!).

“É que às vezes parece que todo mundo sabe quem eu sou, menos eu.”

Mas esse é um livro que vai além do romance e foca, inclusive, na família e amigos. É muito marcante essa relação que Simon possui com esses dois grupos. 

Há outras duas coisas que definem Simon também: Oreo (bolacha ou biscoito?) e música. E por falar nisso, a editora Intrínseca organizou uma playlist bem bacana com algumas das músicas preferidas do nosso protagonista, confira aqui.

Enfim, espero que não ignore esse e-mail. Permita-se conhecer o incrível Simon vs A Agenda Homo Sapiens!

PS: “Você devia ser quem você é.”

 

<ENVIADO 03/12/2016 – 19:57>

Nota: O formato dessa resenha (sim, era uma resenha. Surpresa!) e todas as imagens farão sentido após a leitura do livro!