Mês: junho 2017

Resenha – Misery

Por Thales Eduardo
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29 de junho

Título: Misery – Louca Obsessão
Título original:  Misery
Autor: Stephen King
Tradução: Elton Mesquita
Editora: Suma de Letras
Páginas: 326
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“EU SOU SUA FÃ NÚMERO 1.”

Paul Sheldon é um grande escritor de sucesso. Tudo estava ótimo, até o dia em que ele terminou o livro que considerava o melhor de sua carreira até o momento. Durante uma viagem de carro, Paul enfrenta uma terrível tempestade sofrendo um grande acidente.

Mas nem tudo estava perdido. Paul sobreviveu e foi resgatado pela Annie Wilkes, que por coincidência (será?) é uma grande fã do seu trabalho. Tem todos os livros do escritor e o admira de uma maneira sem tamanho.

O que Paul não sabia é que nem sempre se pode brincar com os sentimentos de uma fã tão acalorada assim.

Tudo vai por água quando Annie descobre que no último livro de Paul ele matou Misery, uma personagem que enfrentou diversos percalços durante a vida e que teve seus momentos narrados ao longo de vários livros. Annie simplesmente não aceita esse final para sua tão amada personagem e irá fazer de tudo para que Paul escreve um novo livro para ela.

“Pela primeira vez o  pensamento emergiu na mente de Paul Sheldon: Eu estou encrencado. Essa mulher não bate bem.”

Stephen King. Começamos por aí. O gênio da literatura ataca novamente e uma vez mais nos brinda com personagens surreais e sinistros. Dessa vez sem envolver nada sobrenatural, apenas a fúria de uma fã descontrolada.

Simplesmente incrível a maneira que King desenvolve Misery. Ao longo dos capítulos sofremos angustiadamente com Paul. Vemos pouco a pouco o homem ceder a loucura e enquanto uma mulher surge através dela.

Apesar de a leitura demorar alguns capítulos para pegar ritmo, aos poucos vamos nos adaptando ao modo de narração do livro e caímos de vez na história bizarra que está sendo contada.

O desenvolvimento de Paul quanto de Annie são simplesmente incríveis. Ao longo da obra o autor aprofunda todo o terror vivido por Paul e praticado por Annie. Enquanto ela perde a cabeça e se torna extremamente violenta, a ponto de ferir muitas vezes fisicamente, Paul vai cedendo lentamente a esse estado do cativeiro, estando a um passo da loucura.

Os capítulos curtos facilitam para que livro flua de maneira rápida. Apesar disso tem muita coisa para acontecer nesse dias de cativeiro.

Assim como diversos outros livros  do King, Misery também ganhou uma adaptação e foi lançado como filme em 1990 rendendo o Oscar de melhor atriz para a Kathy Bates. Essa foi a primeira vez que uma atriz ganhou o Oscar por atuação em um filme de terror.

Ainda que até o momento não tenha assistido o filme, só pelo trailer já percebemos que a atuação dos dois personagens principais está incrível.

Esse é o terceiro livro lido do King e a sensação final continua a mesma: EU PRECISO LER MAIS LIVROS DELE!

*TRAILER DO FILME*

Resenha – Fábrica de Vespas

Por Thales Eduardo
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22 de junho

Título: Fábrica de Vespas
Título original: The Wasp Factory
Autor: Ian Banks
Tradução: Leandro Durazzo
Editora: Darkside
Páginas: 240
Ano: 2016

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“Às vezes, os pensamentos e as sensações que tenho não concordam uns com os outros, então acho que devo ter um monte de gente diferente no meu cérebro.”

Falar sobre Fábrica de Vespas não é uma tarefa fácil. Um livro tão forte e com tantas caminhos diferentes na sua história não pode ser facilmente resumido em algumas poucas palavras.

Publicado originalmente em 1984, a obra de Ian Banks chocou e gereu críticas controversas. Entretanto, foi considerado um dos romances mais importantes do século XX.

Três décadas já se passaram desde então, mas o impacto do livro ainda é gigantesco.

“Nosso destino é o mesmo, no final, mas a viagem – em parte escolhida por nós, em parte não – é diferente para cada um, e se altera enquanto crescemos.”

Muita coisa só precisa ser descoberta durante a leitura,  mas o que você precisa saber é que Frank é um psicopata. Ao longo dos anos,o jovem garoto desenvolveu práticas perturbadoras e chocantes contra animais e até mesmo humanos.

Mesmo tendo consciência dos atos que comete, Frank cria, de uma maneira fria, explicações que para ele próprio  servem como uma  aprovação para tudo que fez e está fazendo.

Praticamente isolado do mundo, ele passa os dias envolvido nas suas atividades nada ortodoxas, se é que podemos definir assim. O que Frank não esperava fosse que seu irmão mais velho, que estava internado em um hospital psiquiátrico, fugisse.

Certamente ele voltará para casa e Frank precisa estar preparado para o que isso significa. Só que muito mais que um reencontro, isso poderá  significar uma volta ao passado obscuro da família revelando fatos que mudarão todos eles para sempre.

“Pensei que uma porta havia se trancado às minhas costas, anos atrás, mas, na verdade, eu estava me arrastando pela superfície. Agora as portas se fecham, e minha viagem começa.”

Fábrica de Vespas é uma leitura única e crua. Ian Banks não poupa palavras e detalhes para expor a mente bizarra de seu protagonista.

Com capítulos rápidos, a leitura flui de maneira fácil. Ainda assim, algumas descrições irrelevantes podem tornar a narração um tanto quanto arrastada em determinados momentos. Mas é fato que Ian criou algo tão impactante que faz o leitor querer cada vez mais.

Mesclando entre presente e passado, conhecemos não somente de Frank, mas também da sua família  e o que cada um  enfrentou. Isso torna o livro ainda mais rico e nos dá um panorama geral do que está acontecendo.

“De repente ele é louco de verdade. De repente eu que sou. Talvez todo mundo seja.”

Outro ponto positivo da obra foi a maneira real que o autor expôs a psicopatia. A narração pelo próprio psicopata nos mostra como funciona o pensamento de uma pessoa assim. Isso gerou em mim uma curiosidade e vontade de pesquisar mais sobre o assunto.

Apesar de começar de um maneira tímida, o livro vai ganhando ritmo e surpreendendo (e assustando) o leitor a cada capítulo. Sem dúvidas, o ápice da leitura são os capítulos finais que trazem ao leitor uma conclusão jamais esperada (nada vai te preparar para isso, boa sorte!).

Enfim, Fábrica de Vespas merece e deve ser lido!

Resenha – A Verdade Sobre Nós

Por Thales Eduardo
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20 de junho

Título: A Verdade Sobre Nós
Título original:  The Truth About You And Me
Autora: Amanda Grace
Tradução: Regiane Winarski
Editora: Intrínseca
Páginas: 208
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“Então, para você, para mim, para eles, aqui está: A verdade sobre nós.”

O futuro de Madelyn Hawkins já foi traçado. Seus pais definiram todos os passos que a filha precisa dar para alcançar um futuro que para eles é o melhor possível. Como boa filha que é, Madelyn se tornou aquilo que seus pais esperavam. Boas notas, comportada, a filha perfeita.

Quando a garota consegue uma vaga num programa para jovens talentos, que lhe permite pular os anos que faltam do ensino médio e ir direto para a faculdade, ela vê nisso uma oportunidade para algo novo. Madelyn está cansada de correr atrás de um futuro do qual nem ter certeza se lhe agrada. Talvez a faculdade traga a mudança que ela tanto clama.

Quando ela encontra Bennet Cartwright sente algo diferente. A conexão entre os dois é praticamente instantânea. Há uma química, um entendimento. Mas há um grande porém que traz complicações para essa relação, além de ser seu professor, Bennet é quase 10 anos mais velho que Maddie, sendo que ela tem apenas 16.

Por estar na faculdade, Bennet calcula que Maddie seja mais velha do que realmente é. Ela, para não perder essa relação tão forte, decide omitir esse detalhe. A relação entre professor e aluna não é permitida, então tudo que eles precisam fazer é aguardar até o final do período letivo.

O envolvimento entre os dois a cada dia vai ficando mais forte, mais intenso. A contagem regressiva segue, ambos ansiosos. Mas não só a relação de professor x aluno está em jogo, ainda há a questão da idade. Madelyn sabe que revelar para Bennet a idade real que tem pode por fim de uma vez por todas no relacionamento. As mentiras se tornam uma bola de neve cada vez ganhando mais força e tamanho.

Só que a verdade uma hora aparece e as consequências podem ser devastadores. Madelyn está prestes a descobrir isso.

“Em algum momento da vida, percebi que havia subido em um avião e o observara decolar, e tudo que podia fazer era permanecer sentada com o cinto de segurança apertado, esperando pousar em um destino predeterminado. Um destino que eu não tinha mais certeza de desejar.”

A Verdade Sobre Nós é um livro que te surpreende. Não esperava uma grande história, mas Amanda Grace conseguiu prender o leitor em sua narração.

Narrado em primeira pessoa, Madelyn relata os fatos que viveu com Bennet. Conhecemos aos poucos como foi surgindo esse amor proibido, o passar do tempo e o amadurecimento do casal, até o trágico momento em que a verdade veio a tona e nada mais foi o mesmo.

A base central do livro, sem dúvidas, é a idade da personagem principal. Este detalhe estará sempre presente, consciente ou inconsciente, nas ações dos personagens. A reflexão entre o que é certo ou errado é inevitável. Até que ponto um jovem de 16 anos tem consciência das suas ações e das demais pessoas? Amar outra pessoa pode ser considerado algo tão bizarro assim?

É uma leitura dinâmica, que desperta o interesse no leitor. Você anseia para saber cada vez mais do que está por vir, mas sofre fortemente quando o livro chega ao fim.

Relativamente pequeno, A Verdade Sobre Nós pode ser lido em poucos dias, quem sabe algumas horas. Mas ainda assim há uma grande trama nessas duzentas páginas que conquistará o leitor facilmente!

Resenha – O Sorriso da Hiena

Por Thales Eduardo
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14 de junho

Título: O Sorriso da Hiena
Autor: Gustavo Ávila
Editora: Verus
Páginas: 266
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“Como podemos medir a punição adequada para um ato contra outra pessoa? Haveria alguma justificativa para a realização de um ato de crueldade?”

Quando procuramos um bom livro, muitas vezes partimos direto para literatura estrangeira. Esquecemos dos inúmeros escritores brasileiros talentosos que existem e que apenas não receberam ainda a devida atenção. Confesso que fui conhecer O Sorriso da Hiena e o próprio Gustavo Ávila a pouco tempo atrás. Mas hoje, após concluir leitura, afirmo que eles provavelmente não sairão da minha cabeça tão cedo!

Em O Sorriso da Hiena nos deparamos no meio de uma onda de assassinatos e num grande dilema. William é um psicólogo infantil que recebe uma proposta que mudará para sempre sua vida (e a de muitos outros). Quando tinha 8 anos, David presenciou a morte brutal de seus pais. Agora, muitos anos depois, ele quer saber o impacto disso na vida de uma criança. Para isso, ele está disposto a repetir com outras famílias a crueldade que sofreu, cabendo a William fazer o acompanhamento de cada uma das crianças.

William sabe que é absurdo sequer cogitar tamanha barbárie, mas ainda assim, ele também sabe que um estudo dessa forma poderia mudar para sempre o que sabem sobre a maldade humana. As consequências dessa escolha assombrarão para sempre William, seja qual for ela.

“A vida simplesmente acertou o martelo no nervo certo, e o chute pegou o que estava pela frente.”

Em O Sorriso da Hiena todas as minhas expectativas foram superadas. Há muito tempo não lia algo que mexesse tanto comigo. Quando você começa leitura, percebe a grandeza do livro e simplesmente não quer mais largar. Essa necessidade em devorar a trama me consumiu, de modo que passava o dia esperando pelo momento em que retornaria leitura.

Gustavo Ávila criou uma trama que é digna de todos os elogios possíveis. Com personagens tão bem construídos e uma trama estruturada, o fascínio pela obra é inevitável. Com a narrativa certa, Gustavo nos conduz por uma história impactante.

O autor traz o leitor para o trama e o faz refletir sobre tudo que está acontecendo, sobre os dramas de cada personagem. O dilema de William se estenderá a você, pode ter certeza disso!

Narrado em terceira pessoa, a narração alterna entre os personagens dando o toque certo ao livro. É através de cada um deles que vamos acompanhando o desenrolar dos fatos e suas consequências. A cada capítulo somos surpreendidos por um fato novo ou por uma consequência que não prevíamos.

“Superar é poder estar perto de algo que você decidiu largar.”

O Sorriso da Hiena já se tornou uma das melhores leituras desse ano e com certeza um dos favoritos. Vale a pena a leitura!

Resenha – Confissões de um garoto tímido, nerd e (ligeiramente) apaixonado

Por Lucas Florentino
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13 de junho
Título: Confissões de um garoto tímido, nerd e (ligeiramente) apaixonado
Autor: Thalita Rebouças
Editora: Arqueiro
Gênero: Romance, Ficção
Páginas: 304
Ano: 2017
Skoob: Aqui

 

“Quem precisa definir a gente são os outros, para nos entender. Esse problema é deles! A gente só precisa sentir o que a gente sente! E ser o que a gente é! Não precisamos de definições sobre o que somos para viver coisas boas.”

Eu sempre gostei muito de livros que me surpreendessem. Aquele tipo de história que me faz sentir cola nos dedos e me impossibilita de largar as páginas. Sempre gostei de me envolver com os personagens, sentir a narrativa, sonhar com os cenários, mas confesso que é muito difícil, pelo menos para mim, encontrar um livro que me faça sentir tudo isso. Geralmente falta algo. Mas não com Confissões de um garoto tímido, nerd e (ligeiramente) apaixonado.

Esse não foi o meu primeiro contato com a escrita da Thalita. Há um tempo atrás eu já havia lido um conto dela, mas é obvio que nem se compara com um livro completo, onde a autora tem a oportunidade de explorar muito mais tudo aquilo que ela está criando. E se você nunca ouviu falar de Thalita Rebouças, hello, em qual mundo você tem vivido?! A Thalita é uma escritora nacional que, desde o início dos anos 2000, tem lançado livros para o público adolescente e se tornou a escritora que mais vende livros nesse segmento no Brasil. Ou seja, ela não é pouca coisa não!  

Só não fique aí pensando que os livros dela são apenas para adolescentes, porque não são. A prova disso está aqui: eu, com meus vinte e tantos anos (para não falar quase trinta), acabei de ler um deles e se você for olhar lá no meu Skoob, vai encontrá-lo com o coraçãozinho, na lista de favoritos.

Mas chega de enrolar e vamos direto ao ponto. Confissões de um garoto tímido, nerd e (ligeiramente) apaixonado conta a história de Davi, um garoto que eu poderia muito bem tentar descrever, mas o próprio título do livro faz isso da melhor forma possível, rs. Davi é apaixonado por astrologia e, para entender melhor as pessoas a sua volta, ele faz o mapa astral e busca nas principais características dos signos, o motivo para seus amigos e familiares serem como são.

“Sempre pensei que era meio um disparate estudar signos sendo eu alguém tão interessado em física, matemática, teorias científicas, essas coisas. Só que a verdade é que eu gosto, e na prática ela funciona, mesmo não sendo considerada ciência. Entendem meu conflito?”

(Preciso abrir um parêntese aqui nessa resenha para dizer que eu amei encontrar um personagem “louco dos signos” que nem eu. Não que eu seja o tipo de pessoa que sai julgando os amigos por causa do signo, claro que não, longe de mim… emoji com os olhinhos para cima…)

Davi mora com o irmão e a avó, e por ser um garoto tímido, ele acaba não sendo aquele tipo de adolescente que tem milhares de amigos, com vários compromissos, e que frequenta as mais badaladas festas. Ele prefere programas mais tranquilos, como ir ao cinema ou sair para comer uma pizza, sempre na companhia de seus melhores amigos Zeca e Tetê (que talvez você conheça de um outro livro da Thalita, Confissões de uma garota excluída, mal-amada e (um pouco) dramática).

A adolescência é sempre uma fase de descobertas, e para o Davi não foi diferente. Seu coração passou a bater em um ritmo diferente ao conhecer Milena, uma garota do curso de astrologia. Mas às vezes, há assuntos do coração que nem o mais inteligente dos cérebros consegue entender…

“Minha cabeça fervilhava com o que tinha acabado de acontecer, eu estava sem chão. Eu! Logo eu, um garoto que dificilmente fica sem palavras, que sempre sabe o que pensar, que tem resposta para tudo!”

Bom, eu gostaria de falar mais sobre esse livro. Na real, eu gostaria de falar MUITO mais coisas sobre a história do Davi, mas eu não posso quebrar uma promessa que eu fiz para a autora. Calma, você não entendeu errado, hahaha. No meio do livro, acontece um grande plot twist, e para não estragar a experiência de leitura de ninguém, a própria Thalita Rebouças deixou um recadinho no final do livro, pedindo para que, quem chegasse até ali, não contasse o que acontecia. E quem me conhece, sabe muito bem, eu odeio contar spoiler, então nesse momento, a minha boca (ou os meus dedos que estão digitando) é um túmulo.

“A saudade é um buraco esquisito no meio do peito, um sentimento com o qual não se aprende a lidar. Você simplesmente vai levando, leva do jeito que dá. Às vezes, a gente dribla a dor, às vezes mata no peito e cabeceia para longe e em outras se agarra com ela sem culpa e chora.”

Confissões de um garoto tímido, nerd e (ligeiramente) apaixonado foi um livro que fez com que me sentisse em uma montanha-russa de emoções. Com ele eu dei boas risadas, chorei e refleti sobre temas que são muito importantes e que (felizmente) estão cada vez mais atuais. Sério, eu queria muito poder comprar todos os exemplares que existem só para poder sair distribuindo e dar a todos a oportunidade de conhecer essa incrível história que já tem um papel muito importante nessa minha vida de leitor <3

Resenha – Sociedade J. M. Barrie

Por Lucas Florentino
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8 de junho
Título: Sociedade J. M. Barrie
Título original: The J. M. Barrie ladie’s swimming society
Autora: Barbara J. Zitwer
Editora: Novo Conceito
Gênero: Romance, Drama, Ficção
Páginas: 288
Ano: 2017

Skoob: Aqui

“A liberdade pode ser solitária. A gente paga um preço alto para conservar a própria independência.”

Todo mundo tem seu filme “Sessão da tarde”. Aquela história que você já assistiu milhares de vezes, mas sempre que passa de novo na tv, você não mede esforços de preparar um chocolate quente, sentar no sofá e assistir tudo outra vez. Aquela história clichê mas que te deixa com os olhos brilhando e um sorriso bobo na cara. Bom, meus caros, se Sociedade J. M. Barrie fosse um filme, seria o meu filme “Sessão da tarde” favorito.

Atualmente estou numa vibe 0% de expectativas para todos os livros que pego para ler, porque já estou cansado de depositar todas as minhas esperanças nas páginas e acabar me decepcionando (e olha que, nos últimos meses, não tem sido pequeno o número de livros que fecho fazendo aquela cara de “por que mesmo que eu resolvi ler isso?”), então, quando comecei a leitura de Sociedade J. M. Barrie, eu realmente não esperava nada, mal sabia do que a história se tratava. E depois de algumas poucas horas de leitura, já estava adicionando esse para a minha não muito extensa lista de livros favoritos da vida.

Mas chega de enrolar e vamos logo ao que interessa. O livro Sociedade J. M. Barrie conta a história de Joey, uma bem sucedida arquiteta  de NY que se depara com uma grande oportunidade: reformar a Stanway House, uma famosa mansão que serviu de inspiração para a história de Peter Pan. Joey viaja para Cotswolds, na Inglaterra, para supervisionar a restauração da mansão, ela só não esperava que essa viagem fosse mudar para sempre sua forma de enxergar a vida.

Ao meu ver, existem três pontos importantes e distintos que serviram para tornar essa simples história em algo tão grandioso e significativo:

Na Inglaterra, Joey reencontra Sarah, sua grande amiga de infância, que não a vê por mais de dez anos. Só que as coisas não são mais as mesmas. Enquanto Joey dedicou toda sua vida para sua carreira, Sarah se casou, mudou para Londres e se tornou mãe de quatro crianças. Essas diferenças começam, aos poucos, abalar essa amizade de longa data.

Cinco mulheres, com seus oitenta e poucos anos, formam a Sociedade de Natação das Senhoras J. M. Barrie. Elas se encontram diariamente no lago para nadar e aproveitar o melhor de suas vidas, não perdendo um dia sequer, nem mesmo nos mais frios, quando a neve ainda está caindo. Suas histórias e experiências de vida farão com que Joey passe a dar mais valor a coisas simples que ela aos poucos estava deixando para trás.

E como não podia faltar, existe sim um romance nessa história. Ian é um cobiçado morador daquela pequena cidade, que se fechou para o amor desde que sua esposa faleceu em um grave acidente, deixando ele e a filha, Lily, sozinhos no mundo.

Durante toda a narrativa, esses três núcleos vão se trançando ao redor de Joey e criando essa marcante história.

“Não conseguimos controlar tudo, o tempo todo. Às vezes, o destino nos joga , de repente, alguma coisa ou alguém.” 

Apesar de um começo um pouco arrastado, com várias informações sobre arquitetura e coisas do tipo, que podem deixar uma pessoa leiga no assunto, como eu, sem entender absolutamente nada, o livro começa a se desenvolver de uma forma muita rápida e envolvente. Lá pelo terceiro capítulo eu já estava viciado e, literalmente, não conseguia largar essas páginas para nada.

Sociedade J. M. Berrie é aquele tipo de livro que consegue aquecer o nosso peito, provocar um misto de boas sensações e depois nos deixa órfãos, querendo sempre mais e mais dessa incrível história.

 

Resenha – O Bom do Amor

Por Thila Barto
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3 de junho
Título: O Bom do Amor
Autora: Chris Melo e Laís Soares
Editora: Rocco – Fábrica231
Páginas: 88
Ano: 2017
Skoob: Aqui

“O Bom do Amor é encontrar aquela pessoa que topou construir contigo dias felizes e que sabe que o melhor do amor é a viagem, não o destino”

Resenha:

Gosto das coisas simples, das coisas lindas, das coisas verdadeiras, e principalmente das coisas que me tocam e enchem meu espírito de outras coisas boas. O que estou querendo dizer com esse monte de ‘coisa’? Que O Bom do Amor são todas elas e muito mais. 

Estava no trem, num dia não tão qualquer e resolvi tirar da bolsa o livro que tinha acabado de ganhar de uma pessoa que admiro tanto. Admito que já estava um tanto cansada de olhar a paisagem que vejo todos os dias pela janela do trem, mas o que me fez tirar o livro da bolsa mesmo, foi a minha imensa ansiedade e curiosidade. Eu não aguentava MAIS esperar para ler, mas ao mesmo tempo, não queria tirar ali, com tantas testemunhas ao meu redor. Sou o tipo de leitora que gosta de abraçar, cheirar e admirar antes de realmente começar ler. O pessoal do trem ia achar que eu era completamente pirada se eu fizesse tudo isso.

Tentando ser o mais ‘normal’ possível, com aquela pose de phyna, abri a primeira página do livro e me deparei com a maior delicadeza deste universo:

Já tinha visto algumas tirinhas na página da Rocco, mas impresso… é realmente outros quinhentos.

A partir daí comecei a virar página após página e quando percebi que já estava na página 48, um sinal vermelho surgiu na minha cabeça: Thila, se continuar assim, você vai acabar o livro antes mesmo de chegar em casa. Vamos colocar uma meta: 4 tirinhas por dia, antes de dormir. Vamos fazer o livro ‘durar’. Fechei o livro e coloquei dentro da bolsa. Exigiu uma força tremenda e não estou sendo exagerada.

Desci do trem. No ponto de ônibus fiquei batendo o pé não porque estava impaciente com o atraso do ônibus, mas porque estava louca para ler mais. Finalmente sentei no banco do ônibus e não aguentei: VEM AQUI SEU MARAVILHOSO!! Terminei antes de chegar em casa.

Conclusão: sou péssima com metas. NÃO. Posso até ser, mas não é isso o que quis dizer… o livro carrega um sensibilidade tão grande em suas tirinhas que é impossível não se apaixonar. Os textos são da Chris Melo e as aquarelas da Laís Soares, mas a sintonia das duas é tão incrível, que parece que foi uma pessoa só que fez tudo! É espetacular.

Se trata da história de duas pessoas, independente de gêneros, que compartilham momentos uma ao lado da outra, ora para dividir o mesmo copo, ora para celebrar, para imaginar o futuro, para dividir as felicidades e infelicidades da vida. O Bom do Amor é sobre as pequenas ações que podem ser a mais simples, mas que significa o mundo para o outro. 

O livro pode ser lido em qualquer ordem. De trás pra frente. De ponta cabeça. 11 vezes. Do jeito que quiser. Ele não deixará de ser encantador. Faça que nem eu: leia sem moderação.

O Bom do Amor esbanja talento e, claro, amor.

Chris e Laís, vocês arrasaram. 
Em nome da minha sanidade: QUERO MAIS!

<3

Tivemos o privilégio de mediar o evento de lançamento do Livro “O Bom do Amor” em São Paulo!

Confira os vídeos especiais que gravamos com as autoras:




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Resenha – Ligeiramente Perigosos

Por Alê Lendo
|
1 de junho

Título: Ligeiramente Perigosos
Título Original: Slightly Dangerous 
Autor(a): Mary Balogh
Tradutor(a): Ana Rodrigues
Editora: Arqueiro
Ano: 2017
Páginas: 304
Perfil no Skoob: aqui
Gênero: Romance de Época, ficção.
“Por algum acaso, Sra. Derrick – disse ele, segurando a haste do monóculo e levando-o até o olho para encará-la, só porque sabia que aquele gesto a irritaria -, está tentando se livrar de mim?
Só que, em vez de se irritar, ela riu.”
Wulfric Bedwyn.

Primeiramente, eu não sou obrigada. Bom, na verdade, eu sou sim, pois eu tenho prazo para resenhar um livro. Ainda assim, quando “LIGEIRAMENTE PERIGOSOS”  o texto prometido e maravilhosamente escrito por MARY BALOGH – sexto e último livro da série OS BEDWYNS chegou, eu li cem páginas, fechei e guardei. Eu não estava preparada para o fim.

Pausa para minha tristeza. 🙁

Os cômodos vazios da bela, suntuosa e elegante Lindsey Hall não deixavam dúvida: WULFRIC BEDWYN estava sozinho. Wulfric Bedwyn cumpriu com afinco e maestria o cargo e incumbência que nunca desejou e muito menos escolheu, criar, educar e casar os cinco irmãos: Aidan, Rannulf, Freya, Alleyne e Morgan, tornando-se o admirado, austero e temido Duque de Bewcastle.

Os compromissos de um Duque, os deveres com a família e uma grande desilusão amorosa, colocou o casamento em um plano distante e sem importância na vida de Wulfric, mas o recém falecimento de Rose, sua amante – e a quem ele descobriu decentemente ser também uma boa companheira – faz com que ele comece a repensar algumas de suas escolhas e planos que acreditava serem imutáveis.

É diante a este cenário solitário que, em um breve momento de melancolia e distração, Wulfric acaba aceitando um convite verbal do barão e de Lady Renable para uma temporada festiva de duas semanas em uma de suas propriedades de campo. É claro que o maior atrativo do convite foi a promessa do amigo, e irmão mais velho de Lady Renable, Hector, que prometerá ao Duque a presença de um público seleto, inteligente e articulado.

Coitado, se ele soubesse…

O dia mal havia amanhecido e Melaine Renable já estava em sua carruagem para sanar o seu grande problema: equiparar o número de damas e cavalheiro para suas festividades no campo, já que agora, ela teria a presença mais do que ilustre do Duque de Bewcastle.

E para tal missão Melaine contava com sua amiga CHRISTINE DERRICK.

Christine Derrick tem 29 anos é viúva e mora com mãe e as irmãs em um vilarejo próximo à Schofield Park, local escolhido por Lady Renable para sua festa de campo. Christine não costuma frequentar bailes ou festividades, e já recusou um primeiro convite para este evento. Aquele lugar, aquelas pessoas e tudo aquilo lhe trazem recordações dolorosas e enterradas em um lugar que ela prefere esquecer. E para piorar, seus cunhados, Basil – irmão do seu falecido marido, Oscar Derrick, o Visconde de Elrick – e sua esposa Hermione, também estarão presentes ao evento.

Apesar de todas as recusas e de todas as decepções e aborrecimentos que lhe esperam, Christine acaba, mais uma vez, cedendo aos caprichos da fútil e mimada Melaine Renable, afinal, ela e o irmão mais novo, Justin Magnus, são os únicos amigos que restaram a Christine.

Em três páginas deste livro você já sabe de uma coisa: Christine está diretamente envolvida no episódio da morte de seu marido, e esta foi a razão pela qual ela se afastou do convívio da família do falecido esposo.

E verdade seja dita, ninguém sabe lidar com a espontaneidade, a alegria contagiante, o humor requintado, a inteligência afiada e a beleza despretensiosa e estonteante de Christine, já que no passado estas foram qualidades que lhe vitimaram perante seus cunhados e arruinaram o seu casamento.

Mas Wulfric Bedwin não é qualquer homem, e embora esteja convicto que o comportamento de Christine seja incoerente para sua idade e totalmente inapropriado para uma moça, ele não consegue deixar de perceber que algo de extraordinário se esconde atrás da aparente simplicidade daquela moça, e por mais que ele lute, não consegue se afastar, ele precisa tocá-la.

Mas Wulfric Bedwyn é um homem sensato, racional e direto, sentimentos não lhe dizem muita coisa, e nada do que começa a se passar em sua cabeça, e em seu coração, lhe faz muito sentido.

Christine, por sua vez, já viveu o seu conto de fada, e em um resumo simples este conto terminou cedo e pouco depois de se transformar em um pesadelo. Ela não tem ilusões sobre homens e romances, e tudo o que ela realmente quer é ficar no seu vilarejo lecionando para as crianças da igreja. Jamais arriscaria a liberdade e poucas alegrias que conquistou por um casamento frio e de conveniências.

Amigos, tudo isso aí é só o início do livro, porque o que realmente interessa é a caçada silenciosa que tem início logo que Wulfric coloca os olhos em Christine. Ele não sabe o que fazer com tantos sentimentos aflorando de maneira tão rápida e de uma única vez, ela por sua vez é uma mulher madura que conhece o amor e já sofreu demais,  não irá ceder a qualquer promessa de vida próspera ou galanteio. Ela é o tipo de mulher que diz: NÃO!

Ainda assim, nada disso os impedem de desfrutarem, E MUITOOOO, da companhia um do outro.

E quando você pensar que Wulfric já esgotou todas as suas artimanhas para conquistar Christine, ele convoca todos os outros Bedwyns, companheiros e filhos para passarem um feriado INTEIRO em Lindsey Hall. Meus caros, preparem-se, porque este encontro merecia um filme!

Foram cinco lindos livros espetaculares esperando pelo destino do Duque de Bewcastle, e tudo o que posso lhes dizer é que valeu – imensamente – cada página.