Resenha – Eu Sou A Lenda

91rccriivllTítulo: Eu Sou a Lenda
Título original: I Am Legend
Autor: Richard Matheson
Tradução: Delfin
Editora: Aleph
Páginas: 384
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“O mundo se tornou louco, pensou. Os mortos andam por aí e eu acho isso normal.”

Em 1975 uma praga devastadora transformou para sempre a vida na Terra. Ninguém encontrou a razão nem mesmo uma cura para o que estava acontecendo e, assim, toda população terrestre acabou morta. Todos menos um.

Robert Neville, que não sabe exatamente o porquê de ser imune à praga é o último ser humano. Pelo menos é isso que ele acredita.

Entretanto as pessoas não apenas morreram, elas voltaram na forma de vampiros.

Após quase um ano sem nenhum contato humano, Neville continua resistindo. Ele organizou sua casa criando um sistema que permite sua sobrevivência mas também que repele todas as noites os vampiros que, ansiosamente, o cercam aguardando ter o prazer de lhe pegarem.

Neville passa seus dias buscando encontrar uma explicação lógica para tudo que aconteceu alguns meses atrás e também sente o isolamento constante da sua vida atual.

Mas as coisas nem sempre são tão ruins que não possam piorar, e Neville está prestes a descobrir que aquilo que ele tanto esperava poderá colocar tudo que ele construiu em risco, até mesmo sua própria vida!

“Em um mundo de terror monótono, não podia haver salvação, nem nos sonhos mais loucos.”

Richard Matheson lançou esse livro em 1954, se tornando um clássico que influenciou alguns escritores importantes, como por exemplo, Stephen King.

Mesmo com mais de 50 anos, esta obra não perde seu poder. A história criada por Matheson é um tanto quanto curiosa. Nada de zumbis, o fim do mundo aqui foi causado pelos vampiros, daqueles bem mortíferos que estão em falta na literatura atualmente.

O protagonista foi muito bem criado e mesmo com toda a solidão temos muitos diálogos engraçados que o personagem tem com ele próprio. Esse livro trata também da questão do isolamento. Como isso afeta a vida das pessoas, influenciando drasticamente seus atos.

As partes de suspense são muito bem criadas e prendem o leitor. O único fato que talvez possa incomodar os que buscam isso no livro é exatamente a falta de mais cenas assim. Por exemplo, todas as noites os vampiros cercam a casa de Neville, mas ainda assim você não sente a tensão que deveria sentir. Isso porque conforme é narrado, a casa aparentemente não corre o risco de ser invadida.

“Um homem pode se acostumar com qualquer coisa, se for obrigado a isso.”

Ao decorrer da história vamos descobrindo alguns fatos do inicio dessa praga e em como isso afetou a vida do protagonista. Essa é uma forma de entender todo o sofrimento e crise existencial que o personagem sofre. A solidão absoluta não é algo fácil de ser lidada.

Outro fato que surpreende são as explicações para a praga que assolou o mundo. O protagonista ao fazer uma análise do que aconteceu, acaba desenvolvendo uma teoria que explica tudo. Então, diferente do que ocorre em muitas outras obras, nessa ao terminar você saberá o que de fato causou tudo. Claro que superficialmente, mas ainda assim já é satisfatório.

Está edição da editora Aleph está primorosa, com capa dura e uma diagramação incrível rendendo longos momentos de apreciação. Há também alguns materiais extras interessantes e que tornam a obra ainda mais valiosa.

Matheson conduz a história de uma forma impressionante com um final que supera todas as expectativas. Leia e surpreenda-se!

“Um novo terror nascido na morte, uma nova superstição entrando na fortaleza inexpugnável da eternidade. Eu sou a lenda.”

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