Resenha – Por um toque de ouro

PorumToquedeOuroTítulo: Por um toque de ouro
Autora: Carolina Munhoz
Editora: Rocco (selo Fantástica)
Gênero: Fantasia
Páginas: 272
Ano: 2015
Skoob: Aqui 

 

“Você está começando a descobrir o quanto é poderosa. E que sua sorte não vem do acaso…”

Precisamos conversar sobre Carolina Munhoz e Por um toque de ouro!

Já tem um tempo que eu sigo a Carolina nas redes sociais e, para mim, ela sempre foi aquele tipo de autora que me desperta certo interesse, eu tinha vontade de ler seus livros, mas sempre fiquei com um pé atrás porque toda vez que procurei por resenhas e comentários sobre suas obras, minhas pesquisas não trouxeram resultados muito felizes. Isso nunca chegou a ser um grande problema para mim, até porque eu só tinha acompanhado seu trabalho de longe, mas a partir de agora, isso mudou.

Recentemente, por uma forte recomendação de um amigo, iniciei a leitura de Por um toque de ouro, um de seus livros mais recentes. Eu queria conhecer a história e assim poder tirar minhas próprias conclusões. Confesso que, no início, eu ainda tinha um pouco de receio, eu já estava trazendo aquele “preconceito literário” nas minhas costas há um bom tempo e tinha medo de que todos aqueles comentários ruins se confirmassem. Felizmente, não foi o que aconteceu.

Após ler um terço do livro, eu já estava todo empolgado com a história. Eu me interessei muito por toda a mitologia apresentada e fiquei realmente muito impressionado com a forma leve que a Carol conduziu sua escrita. Eu cheguei a última página ansiando desesperadamente pela continuação.

Tudo estaria muito bem (obrigado), se não fosse por um pequeno problema que começou a me incomodar… lembra daqueles comentários negativos que eu disse? Pois bem, assim que terminei a leitura, eu voltei para as resenhas que já tinha lido antes, para tentar entender o motivo daquelas pessoas não terem gostado. Agora, tendo conhecimento da história e da escrita, eu pude perceber que a maioria dos comentários encontrados eram extremamente injustos. E não, eu não sou aquele tipo de pessoa que não aceita a opinião alheia e que é dono de toda a razão que existe no mundo, muito pelo contrário, eu gosto de analisar todos os pontos de vista e tentar entender porque uma pessoa viu de um jeito e eu, de outro.

Acontece que, a maioria dos comentários negativos que eu encontrei, sempre abordam o mesmo ponto: “Carolina Munhoz não sabe escrever fantasia!”. Oi???? Eu sei que esse gênero é um daqueles que tem seus fãs mais fiéis (e críticos), e eu estou longe de ser um grande entendedor do assunto, mas parece que há um pequeno detalhe que parece não ter sido levado em conta pelas pessoas que fizeram aqueles comentários negativos: público alvo!

Grande parte dos fãs da Carol Munhoz é composto pelo público infanto juvenil, então é absolutamente normal que sua escrita acompanhe esse detalhe. O problema é que, quando um livro carrega  o “peso” do gênero fantasia, os leitores já se acham no direito de logo comparar com sucessos como “As crônicas de gelo e fogo”, “O nome do vento”, “O senhor dos anéis”, e por aí vai. A diferença é que esses livros foram escritos para um público diferente, para leitores que têm outros interesses, mesmo quando ainda estamos falando do mesmo gênero literário. Então quando um leitor que está habituado a ler Brandon Sanderson e Patrick Rothfuss, pega um livro da Carol para ler, é óbvio que o que ele vai encontrar ali é algo bem diferente do que ele está acostumado. São histórias diferentes, escritas de formas diferentes, que abordam temas diferentes e, adivinhem só, para públicos diferentes.

(OBS: não estou dizendo que o público infanto-juvenil não seja capaz de entender histórias mais elaboradas, com uma carga dramática mais pesada, nem nada do tipo. Nada impede que um adolescente de 13 anos pegue um livro do George R. R. Martin e tenha uma experiência de leitura inesquecível. O que quero dizer é que a Carol escreve para um público jovem, que deseja ler algo com a qual eles se identificam, e ela soube criar uma história incrível para esses fins)

Me desculpem pelo textão de desabafo, mas é que eu me senti no dever de defender essa autora que eu mal conheço mas já considero pacas ♥ hahaha.

Mas agora vamos finalmente falar sobre o livro (até porque isso aqui é uma resenha, não é mesmo?)

Por um toque de ouro é o primeiro livro da trilogia “Trindade Leprechaun” e conta a história de Emily O’Connell, uma jovem irlandesa, nascida numa das famílias mais ricas de seu país e que desde sempre teve tudo o que quis. Acostumada a estar cercada por fotógrafos e aparecer nos maiores sites de fofocas da Europa, Emily ainda é dona de uma sorte fora do comum. Mas muita coisa está prestes a mudar, e tudo isso começa quando um misterioso rapaz surge e lhe faz importantes revelações. 

“Existem pessoas especiais no mundo. Homens e mulheres que nasceram no exato segundo de um fenômeno mágico raro, quando sua primeira respiração coincide com o instante em que um arco-íris toca o solo. São seres abençoados com o chamado toque de ouro e que possuem um tendência de sorte maior do que a dos outros. A facilidade dessas pessoas de gerar fortunas é imensa e, usando técnicas compreendidas e estudadas, muitas conseguem desenvolver novos dons.”

Emily é mimada, fútil e, por muitas vezes, arrogante. Mas não pense nisso como um problema que irá te irritar durante a leitura. A personagem precisava ser assim. Sua construção, e principalmente, seu crescimento, foram pontos que eu amei nessa história, e não seria a mesma coisa se ela fosse diferente do que nos foi apresentado desde o início da leitura.

Bom, tudo o que eu posso dizer agora é que deixem o preconceito literário de lado e dê uma chance para Carolina Munhoz e seu toque de ouro. Boa leitura ♥

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