Mês: outubro 2017

Resenha – Ted Talks

Por Thales Eduardo
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31 de outubro

Título: Ted Talks
Título original: Ted Talks
Autor: Chris Anderson
Tradução: Donaldson Garschagen e Renata Guerra
Editora: Intrínseca
Páginas: 240
Página no Skoob: Clique aqui

“A facilidade para falar em público não é um dom congênito concedido a alguns felizardos, mas um amplo conjunto de aptidões. Existem centenas de maneiras de dar uma palestra, e todo mundo pode descobrir uma linha correta para si e adquirir as qualificações para realizá-la de forma satisfatória.”

Quem nunca ficou nervoso diante de uma apresentação? Quem não perdeu uma oportunidade por medo de falar em público? Certamente todo mundo já passou ou ainda vai passar por uma situação de desconforto ao precisar fazer alguma apresentação.

Admitimos o problema, agora vamos para o passo seguinte: tratamento. Falar em público não é tão terrível assim como imaginamos na nossa cabeça, requer apenas preparo e equilíbrio. Aos poucos, com treinamentos e exercícios vamos dominando nossas emoções e corpo, de forma a nos acalmar quando estivermos diante de uma plateia.

E é então que chegamos ao Ted Talks. Escrito por Chris Anderson, o livro traz ensinamentos práticos e ferramentas que nos auxiliam diante de um grande público. O autor deixa bem claro que não se trata de uma passo a passo para uma palestra de sucesso, mas sim um guia que te ajudara nisso.

“Por mais que sejam importantes hoje, as aptidões para falar em público se tornarão fundamentais no futuro.”

O TED se tornou uma grande referência em palestras curtas e de grandes impactos. Ao longo dos anos, as palestras ganharam força e o TED desenvolveu diversos projetos para incentivar e espalhar essa iniciativa. As apresentações são disponibilizadas semanalmente tendo um alcance gigantesco.

Chris aborda todos os elementos envolvidos, seja antes, durante ou depois. É um processo de aprendizado interno, de dominar nossas emoções e saber transmitir da melhor forma aquilo que queremos expressar. Na maioria dos casos, o autor brilhantemente usa como embasamento casos reais, em apresentações que o TED realizou. Há uma playlist no próprio site do TED com todas as palestras citadas, então é super recomendado intercalar entre leitura e vídeos. Assim aprendemos não só na teoria, mas analisamos também na prática o que o autor está querendo nos dizer.

Infelizmente não é com apenas um livro que você sairá pronto para enfrentar uma plateia. Ainda assim, Ted Talks já é um passo enorme nesse caminho e que com certeza ensinará muitas coisas que você levará para o resto da vida.

“O futuro ainda não está escrito. Estamos todos nós, coletivamente, no processo de escrevê-lo. Há uma página aberta – e um palco vazio – à espera de sua contribuição.”

Resenha – Como Agarrar Uma Herdeira

Por Alê Lendo
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27 de outubro
Título: Como Agarrar Uma Herdeira
Título Original: To Catch an Heiress 
Autor(a): Julia Quinn
Tradutor(a): Ana Rodrigues
Editora: Arqueiro
Ano: 2017
Páginas: 292
Perfil no Skoob: aqui
Gênero: Romance de Época, ficção.
“pa.li.a.ti.vo (adjetivo). Que dá alívio superficial ou temporário. 
Estou aprendendo que um beijo é um fraco paliativo quando o coração de alguém está partido. “

– Do dicionário pessoal de  Caroline Trent

Olha, eu estava muito curiosa para ler este livro. “COMO AGARRAR UMA HERDEIRA” é o 1° livro da série Agentes da Coroa, foi escrito em 1998 e foi o sexto livro de JULIA QUINN a ser publicado, ou seja, certamente  era um pouco diferente do que estamos acostumados a ler nos dias de hoje, mas falo sobre isso um pouco mais para frente.

CAROLINE TRENT precisa desaparecer, e rápido. Seu tutor, o desprezível Oliver Prewitt, deu ordens expressas a seu filho Percival para que a desonre. Uma maneira prática de forçá-la a se casar e levar toda a herança que Caroline irá receber em seis semanas, quando completará vinte e um anos.

Mas Caroline já passou por poucas e boas e não se deixa engana tão fácil. Na noite em que Percival planejava atacá-la, ela livra-se de suas garras e, sem muita dificuldade, foge de Prewitt Hall na intenção de voltar apenas após sua maioridade para reclamar o que é seu por direito.

BLAKE RAVENSCROFT está em sua última missão de espionagem para o Departamento de Guerra, e como sempre, convicto de suas suspeitas, Oliver Prewitt não apenas está contrabandeando seda e whisky, mas nos últimos meses vem permitindo que seus carregamentos leve mensagens diplomáticas aos espiões de Napoleão. Isso era alta traição a Coroa Inglesa.

Tudo com a ajuda de sua comparsa, a espiã Carlotta De Leon, que será capturada está noite, pois durante sua tocaia, acaba de surpreender uma mulher fugindo de Prewitt Hall na calada da noite. Só poderia ser a procurada espiã. 

Blake arrasta a perigosa mulher para sua casa para interrogatório, pois está mais do que certo que irá arrancar dela tudo o que precisa para levar Oliver Prewitt para a forca. Caroline, apesar de assustada, bastante satisfeita, pois acaba de resolver dois problemas de uma só vez: arrumou um lugar onde passar as próximas seis semanas e acaba de descobrir que seu tutor é um traidor prestes a ir – na melhor das hipóteses – para cadeia.

Apesar de até enganar Blake por algum tempo, a farsa é logo desmascarada pela chegada de seu amigo e parceiro de espionem, o Marquês de Riverdale, o único que já esteve com Carlotta De Leon, e portanto, sabe que o amigo capturou a mulher errada.

Aliás, o Marquês é peça fundamental neste livro, pois é ele que irá nos guia por entre os conflitos e as dolorosas lembranças de Blake.

*Fiquei fe-li-cís-si-ma quando soube que o livro II da série era sobre James, o Marquês de Riverdale, me apaixonei por ele assim que ele entrou em cena. Sabe aqueles personagens de Julia Quinn que na primeira página você já sabe que vão dar o que falar, pois é, assim é James Sidwell. 

Deste ponto do livro em diante, a coisa é mais ou menos assim: Caroline precisa de uma lugar para ficar, porque tem que ficar escondida até que possa voltar e reclamar sua herança. Blake só tinha um problema, e com data marcada para acabar, agora tem uns trinta e só Deus sabe se algum deles vai realmente acabar. Por mais que Blake concorde que Caroline pode ajudar nas investigações, ele sabe que mantê-la por perto é uma tentação enorme, e depois, quem garante que ela não vai colocar a si e a todos eles em risco?

Isso se ela não destruir a casa dele primeiro, não é?

Eu não vou muito sobre a história, até porque, não tem muito o que ser dito. Esse livro é do início da carreira da Julia e para mim foi uma verdadeira aula.

Foi muito bacana ver uma das autoras que mais gosto em início de carreira. Não tenho o menor medo em afirmar que o livro tem algumas falhas, e que poderia ter, facilmente, cinquenta páginas a menos, mas que ainda assim, é maravilhoso, afinal, é Julia Quinn, amigos.

Tenho quase certeza que deste livro para o segundo da série – esta série só têm dois livros – estas mesmas cinquenta páginas não estarão sobrando, e sim faltando, mas voltarei muito em breve para confirmar.

Resenha – Talvez um dia

Por Lucas Florentino
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24 de outubro
Título: Talvez um dia
Título original: Maybe someday
Autora: Colleen Hoover
Tradução: Natalie Gerhardt
Gênero: Romance, Drama, Jovem Adulto
Editora: Galera Record
Páginas: 368
Ano: 2016
Skoob: Aqui

 

“Acredito verdadeiramente em pessoas que aparecem na nossa vida e têm almas completamente compatíveis com a nossa. Às vezes, nos referimos a elas como almas gêmeas. Outras vezes, como amor verdadeiro. Tem gente que acredita que sua alma é compatível com mais de uma pessoa, e estou começado a me dar conta de que isso pode ser verdade.”

Sidney é uma garota apaixonada pelo namorado e tem a sorte de poder morar com sua melhor amiga. Bom, melhor esquecer a parte da sorte, já que sua amiga e seu namorado estão tendo um caso bem debaixo do seu nariz. Para piorar a situação, ela descobre essa traição bem no dia do seu aniversário de 22 anos, quando acreditava que os dois estavam preparando uma festa surpresa para ela (pelo menos, a parte da surpresa, ela teve, não é mesmo? Rs).

Ridge é músico e gosta de passar as tardes na varanda de seu apartamento, na companhia de seu violão, compondo músicas para a Sounds of Cedar, banda da qual ele é integrante, junto com seu irmão. Porém essas sessões de música nunca foram solitárias, já que ele sempre teve Sidney como plateia, que o observava de seu próprio apertamento, que era de frente para o do rapaz. 

A vida dos dois se cruza quando Sidney se muda para um quarto vago na casa de Ridge e eles passam a compor músicas juntos, porém essa proximidade dos dois pode resultar em muito mais do que apenas letras e cifras, já que Ridge tem uma namorada, mas a última coisa coisa que Sidney quer é ser uma traidora, como sua ex melhor amiga foi para ela.

“Ninguém escolhe por quem se apaixona. As pessoas só decidem por quem podem continuar apaixonadas.”

Até o mês passado eu nunca tinha lido nada da Colleen Hoover, até que “Novembro, 9” veio parar em minhas mãos (confira a resenha aqui) e eu fiquei totalmente encantado pela sua escrita. Tanto que, após finalizar a leitura, eu prometi para mim mesmo que iria ler mais da autora e que isso não iria demorar. Bom, não demorou. Essa semana eu peguei “Talvez um dia” para ler e, como a leitura anterior tinha sido incrível, acabei indo com as expectativas muito altas, e vocês sabem qual é o resultado quando isso acontece…

Infelizmente eu acabei esperando demais dessa história e isso me decepcionou um pouco. As coisas demoram demais para acontecer nesse livro, aliás, ainda tenho a impressão de que quase nada aconteceu, isso mesmo depois de ter terminado a última página. Eu odeio ler capítulos que tenho a sensação que só existem para tornar o livro um pouco maior, e foi triste sentir isso em “Talvez um dia”.

Outro ponto que me incomodou bastante foram os personagens. Se em “Novembro, 9” eu me apaixonei e acreditei neles do início ao fim, dessa vez eu só os consegui achar sem sal. Sidney e Ridge são chatos, sem graça e fazem um drama absurdo o livro todo, isso sem falar das atitudes que eles tomaram em vários momentos que eu simplesmente não entendi porque diabos eles estavam fazendo aquilo, e depois ficaram chorando e sofrendo com as consequências que desde sempre estavam na cara que iriam acontecer. Sério, pra mim não deu. 

“Preciso de alguém que esteja disposto a me ver enfrentar o oceano e me desafiar a não me afogar. Mas você sequer me deixa chegar perto do mar.”

Mas se tem uma coisa que a Colleen conseguiu acertar em “Talvez um dia”, essa coisa é com certeza a trilha sonora. A fim de criar uma experiência totalmente diferente para os leitores, a autora trabalhou com o músico Griffin Peterson e juntos eles compuseram nove músicas que aparecem na história de Sidney e Ridge, e ouvir as músicas na hora em que elas apareciam nas páginas, realmente tornou a leitura algo muito mais especial. 

Se vou desistir da Colleen Hoover depois dos problemas que tive com “Talvez um dia”? Provavelmente não, mas da próxima vez vou tentar não criar tantas expectativas para aproveitar melhor a história :p

Resenha – O Sétimo Unicórnio

Por Beatriz Guerra
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20 de outubro

Título: O Sétimo Unicórnio
Título Original: The Seventh Unicorn
Autor(a): Kelly Jones
Tradutor(a): Lea. P. Zylberlicht
Editora: Mercuryo
Ano: 2006
Páginas: 295
Perfil no Skoob: here
Gênero: Ficção, Romance  

Sinopse: Ao examinar manuscritos e tapeçarias antigas do Convento Sainte Blandine, nos arredores de Lyon, Alex, curadora do Museu Cluny em Paris, descobre, oculto dentro de um livro, um antigo poema da Idade Média. Em outro, um conjunto de esboços. Seriam indícios de que existiria uma sétima tapeçaria para completar a série A Dama e o Unicórnio , exposta no Cluny? 
Pra vocês que não são aqui de São Paulo (cidade), existe umas máquinas mágicas de livros no nosso metrô. Igual aquelas máquinas de refrigerante, sabe? Antes, você podia pagar o quanto você queria por qualquer livro, agora ficou diferente e cada livro tem um preço, mas a maioria é R$5, R$10,00. Tem até mangá por R$2. 

Aí que eu sempre dou uma bisbilhotada nessas máquinas porque vai que algo me chama a atenção. E, numa sexta-feira à noite numa estação da linha azul do metrô, foi definitivamente um dia desses. Só tive que olhar pra capa de “O Sétimo Unicórnio” na máquina e já puxei a carteira da bolsa. 

Primeiro que tenho que declarar que amo unicórnios, adoro ler mitos e histórias sobre essas criaturas. Depois que já tinha pesquisado sobre o conjunto de tapeçarias “A Dama e o Unicórnio” depois de ter ouvido falar sobre durante uma aula de literatura. Você também já deve ter visto em algum lugar, dá uma olhada:

Sexta tapeçaria: ” À mon seul Désir “


First, se você quiser saber um pouco da história do conjunto de tapeçarias, dá uma olhada nesse link aqui.  Bom, o livro “O Sétimo Unicórnio” conta uma história de ficção sobre tan tan tan…uma sétima tapeçaria desse conjunto. Juro, queria muito que a história do livro fosse verdade, é linda! 

O prólogo retrata uma jovem em trabalho de parto num convento, em seus últimos suspiros, lembrando de sua vida: a família, seus desenhos, a paixão proibida pelo tecelão de tapetes, o conjunto que fora feito com seus desenhos em trabalho com seu amor, e a fúria do pai ao descobrir a verdade, o que selou o destino da jovem forçada a ir a um convento grávida do tecelão e morrer após o parto. Isso lá por volta dos anos 1500. 

Então, somos apresentados a nossa protagonista do século 21: Alexandra Pellier, que trabalha no museu Cluny em Paris, o mesmo museu que possui todo o conjunto de tapeçarias, é especialista em antiguidades medievais e tem um interesse particular sobre “A Dama e o Unicórnio”, além de ser viúva de um casamento frustrado com um homem de uma família rica, e que gerou seu bem mais precioso: sua filha de 6 anos, Soleil.

E também, temos Jake, homem que teve um romance com Alex no passado quando os dois estudavam na faculdade, em Paris, 14 anos antes do presente na história do livro, romance que terminou de uma maneira nada agradável quando Alex o abandonou para casar com outro homem. Jake vive uma vida confortável em Montana, tem uma noiva, é professor de artes em uma boa faculdade, mas sente-se vazio e não consegue mais pintar, o que sempre foi sua paixão. Tomando muita coragem, larga tudo e se muda pra Paris por um determinado tempo a fim de buscar inspiração para pintar novamente. 
  
Então, Alex é chamada a comparecer em um convento, que está prestes a ser fechado e as freiras deslocadas para outros lugar e, por isso, está vendendo itens que poderiam ser atrativos para museus. A partir disso, vários eventos super misteriosos começam a acontecer, que aproximam cada vez mais Alex da possível descoberta de uma sétima tapeçaria escondida em algum lugar do convento.O destino de Jake e Alex se cruzam novamente e juntos, eles embarcam nessa jornada em busca da tapeçaria, tentando resgatar o passado e descobrir quem fora aquele casal que deu origem ao conjunto de tapetes. 
Cativou? Bom, deixemos claro algumas coisas: não existe uma sétima tapeçaria, que saibamos até hoje (vai que) e não tem nenhuma história de romance sobre uma jovem e um tecelão de tapetes. Aí já é a história do livro mesmo. 
  
O que eu gostei muito é que, através de uma história super interessante e de uma boa leitura, você aprende bastante sobre arte, tempos medievais e sobre as tapeçarias. Fiquei presa ao livro desde o começo e que vontade louca que eu estou agora de ir pra Paris só pra visitar o museu e dar uma olhada nesse conjunto de 6 tapeçarias!! 
 As tapeçarias no Musée du Moyen Âge nacional (ex-Musée de Cluny)
 
Se você passar em algum metrô de Sampa e ver esse livro em alguma das máquinas, acredite: seu dinheiro vai ser bem gasto! Leia! 

Resenha – A Irmã da Pérola

Por Thila Barto
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15 de outubro

Título: A Irmã da Pérola
Título Original: The Pearl Sister
Autora: Lucinda Riley
Tradução: Viviane Diniz
Editora: Arqueiro
Página no Skoob: Clique aqui

“Ceci – disse ele, pegando minhas pequenas mãos -, você está aqui na Terra para escrever sua própria história. E eu sei que vai conseguir.”

Mas que experiência louca eu tive com esse livro…

(ESSA RESENHA VAI SER ENORME COM TODA CERTEZA! SORRY)

Sou fã retardada de Lucinda Riley! Isso eu não escondo de ninguém e, mesmo que seja vergonhoso admitir, vou confessar: pela primeira vez fiquei com um pé atrás com a história, logo no início da leitura, com aquela sensação de ‘está faltando alguma coisa’.

Foi um tanto inesperado, pois afinal de contas, ela é minha autora preferida, mas querem a real? As páginas foram se passando e comecei a levar tantos choques e, o que costumo dizer, tapas na cara ‘a la Riley’, que eu aprendi de vez a NUNCA, JAMAIS, DE FORMA ALGUMA, duvidar do poder e habilidade da rainha Riley. 

Pra vocês terem ideia, eu fiquei literalmente sem dormir no dia em que finalizei a leitura porque minha cabeça não parava de jeito nenhum de pensar em tudo o que foi abordado. Desde as paisagens mais incríveis até as relações humanas. Isso nunca tinha acontecido antes. Talvez numa escala menor, mas nunca assim…

Outra coisa inusitada foi que, SEMPRE que finalizo a leitura de um livro da Riley, eu simplesmente abro o computador em uma necessidade e desespero sem igual com aquela vontade de contar pro universo o quanto essa mulher é incrível e suas histórias extraordinárias, mas, dessa vez, eu não consegui. Precisei de alguns dias pra organizar tudo na cabeça para tentar vir aqui contar um pouco do livro e minhas impressões. 

Bom, aqui vão elas…

Comecei ‘A Irmã da Pérola’ com uma curiosidade muito maior do que os livros anteriores pois eu queria muito saber sobre os pesadelos de Ceci, como ela lidava com sua dislexia e com o sentimento de se sentir sempre excluída, como se não pertencesse a lugar algum. Sem falar que também estava curiosa para entender o motivo de sua desistência no curso de artes na faculdade de Londres mesmo sendo mega talentosa e, principalmente, saber como ela superaria o afastamento de Estrela em sua vida já que sua presença sempre foi fundamental.

“Como de costume, eu me sentia excluída, e não parte da multidão.”

O livro começa exatamente onde ‘A Irmã da Sombra’ terminou: com Ceci no aeroporto prestes a fugir de tudo e ir em busca de seu passado. O que eu achei ótimo pois eu não curtiria ter que ler novamente toda aquela cena inicial com todas as irmãs em Atlantis recebendo as notícias, coordenadas e cartas. Acredito que daqui para frente será assim em todos.

Agora a pergunta que não quer calar: Quais são as pistas de Ceci?

Bom, a frase gravada em seu anel na esfera armilar é “Pela graça de Deus, sou o que sou” – o que deixou Ceci nada inspirada, mas sim deprimida -, suas coordenadas davam na Austrália e Pa Salt aconselhou na carta que deixou que ela deveria procurar por uma mulher chamada Kitty Mercer, a pioneira das pérolas de Broome, na costa noroeste da Austrália pois foi ela quem deu início à sua história. Além disso, Ceci também recebeu outro envelope do advogado de Pa, George, que continha uma herança juntamente com uma fotografia em preto e branco de uma homem mais velho e um mais novo juntos em frente à uma caminhonete. Surpreendentemente, não foi Pa Salt que deixou esse último envelope para ela, foi outra pessoa. Quem ela é? Só lendo você irá descobrir, é claro, mas isso me deixou muito intrigada pois Ceci é a primeira irmã – pelo menos até agora – que Pa não deixou um objeto. O motivo? Queria muito saber! Fico maluca só de tentar criar teorias sobre. SOS!

Entretanto, antes de partir para Austrália, Ceci decide viajar para Tailândia, pois era um dos lugares que ela foi mais feliz e, pela primeira vez em meses, mesmo sem Estrela ao seu lado, sentiu-se em casa. 

Dias se passam até que Ceci começa a se deparar, com uma certa frequência, com um homem magro, alto, cabeludo e esquisito – no qual o apelidou de lobisomem – na praia de Railay. Ele era muito misterioso e só aparecia ao nascer do sol ou depois do anoitecer. Depois de se envolver numa confusão, o tal cara misterioso ajuda Ceci a sair de uma encarrascada e a acomoda em sua casa.

Ele se chamava Ace e Ceci percebe que ele se sentia tão sozinho quanto ela e sentiu-se reconfortada ao seu lado pois ele a compreendia de uma forma que só Estrela conseguia antes, assim, começam a se aproximar.

Depois de confidenciar toda sua história para Ace e de que em poucos dias estaria indo para Austrália em busca de sua família biológica, ele dá de presente para ela a biografia de Kitty Mercer, e ao começar a ler para ela, já que ela tem dificuldades por conta da dislexia, nós, leitores, somos levados para o ano de 1906 na Escócia.

Kitty é a filha do pastor em Leith e sonha em estudar para ser professora mesmo com todos os preconceitos presentes em relação a mulher trabalhar, pois, afinal de contas, não há nada de vergonhoso nisso. Queria muito mais do que casar, ter filhos e cumprir o papel de dona de casa.

Além de duvidar sobre as tradicionalidades da sociedade, ela começa a duvidar também de sua fé religiosa após ler um livro de Darwin e se vê ao mesmo tempo fascinada e perturbada pelas teorias do autor, pois iam contra todos os ensinamentos de seu pai que aprendera desde a infância.

Sua rotina é quebrada quando seu pai conta que ela acompanharia a Sra. McCrombie durante a viagem que ela faria para visitar a sua irmã mais nova na Austrália, em Adelaide. O pai enxerga como uma grande oportunidade pois a família Mercer é uma das família mais ricas e poderosas de toda Austrália e a Sra. McCrombie poderia apresentá-la à sociedade de lá. Kitty sabia o que seu pai queria com isso: um casamento. Assim, mais uma vez, Kitty fica confusa pois não queria isso, mas , ao mesmo tempo, queria ir para Austrália, para a terra que Darwin escolheu para explicar o poder e a criatividade da natureza, onde todos que chegavam ao seu solo vermelho e empoeirado podiam se reinventar e ser o que escolhessem.

Assim a história de Kitty com a família Mercer se inicia, mas como ela se tornou a pioneira de pérolas e qual seria a relação de sua história com a de Ceci? Isso eu jamais contaria, rsrs.

Como falei no início da resenha, esse livro me deixou maluca, muito pensativa e mais uma vez provou que Lucinda Riley não tem limites e é uma grande mestre em contar histórias. Queria muito contar os motivos, mas os spoilers seriam tão enormes que eu não poderia dizer, mas posso dizer que tiveram tantos momentos que meu coração se encheu de orgulho e admiração por ela que se ela morasse do outro lado da rua – hahaha, minha imaginação é fértil -, eu iria até lá só para abraçá-la e dizer um enorme obrigada. Só isso bastaria.

Está incrível. De verdade! Eu poderia colocar uma infinidades de adjetivos aqui e eles não seriam suficientes para expressar o quanto a história de Ceci é maravilhosa, potente, surpreendente, e excepcional. Amei todos os ‘presentes’ que apareceram nos capítulos finais e, principalmente, um personagem em questão que aparece novamente nesse livro. Ai, como eu queria falar… hahaha.

Todos os personagens criados pela Lucinda são complexos e cheios de defeitos, mas somos assim, não é mesmo? E uma coisa que Ceci me ensinou, além de várias outras coisas, foi que mesmo quando a gente não acredita, temos algo de muito incrível, belo e inspirador em nós. Basta nos aceitarmos e encararmos a vida da forma que achamos a melhor possível. 

Ai ai, Sra Riley, você é MESMO muito arrasadora, provando TODA VEZ que o amor pode se manisfestar de várias formas. 

“[…] e entendi que o coração tinha uma capacidade infinita de se expandir. E, quanto mais ficasse, mais saudável e feliz batia dentro de você.”

Leiam e surtem comigo, por favor! Preciso de alguém pra conversar. Real, OFICIAL!

Se joguem!

<3

Resenha – Fale!

Por Thales Eduardo
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13 de outubro

Título: Fale!
Título original:  Speak
Autora: Laurie Halse Anderson
Tradução: Flávia Carneiro Anderson
Editora: Valentina
Páginas: 284
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“Vocês me escutariam? Acreditariam em mim? Duvido.”

Fale! não só me tirou de uma ressaca literária, como me impactou com uma trama angustiante e que, infelizmente, retrata a situação de muitas pessoas.

Estava em uma fase em que nenhum livro que iniciava me prendia de forma a seguir até o final. Até que passei por um post aleatório de Fale!. Já conhecia o livro, entretanto não aparecia entre minhas leituras prioritárias.

Era a hora de ler essa obra tão aclamada. Estava com medo de que a ressaca pudesse atrapalhar leitura, mas ao iniciar leitura percebi que dificilmente conseguiria largar o livro até chegar ao final.

Melinda se calou. Presa em seu próprio universo, ela se isola de tudo e de todos. Não apenas por vontade própria, já que todos os seus amigos a abandonaram e falam mal dela sempre que possível. O motivo? Melinda chamou a polícia na última festa realizada dos veteranos, acabando com a diversão e mandando alguns colegas para a prisão.

Não só faltam palavras para Melinda explicar tudo que aconteceu, como falta uma pessoa realmente disposta a escutar o que a garota tem a dizer. Assim ela prefere ficar calada sempre que possível, respondendo somente quando é extremamente necessário.

O ano letivo não é fácil e o bullying é constante. E ainda por cima, ela precisa enfrentar seus próprios medos e frustrações. O que de fato aconteceu naquela festa? O primeiro passo é falar, será que Melinda é capaz disso?

“Eu sobrevivi. Estou aqui. Abalada e confusa, mas estou aqui. Então, como posso encontrar o meu caminho?”

Apesar de todos os elogios, não tinha grandes expectativas quando iniciei a leitura. Mas assim que Laurie começa sua narração é impossível ficar indiferente ao que está sendo contado.

Apesar de todo o silêncio de Melinda, a autora conseguiu transcrever de uma forma impecável o que a personagem estava passando. Sofremos calados com ela, com todo aquele turbilhão de sensações, torcendo que Melinda fale.

Apesar de não ter grandes reviravoltas e seguir num mesmo tom o livro inteiro, ainda assim há trechos impactantes. Certas narrações me deixaram extremamente angustiado e com medo pela personagem, era como se eu tivesse passando por aquilo. Nos tornamos vítimas de uma situação que ninguém deveria enfrentar.

“Estou afim de confessar tudo, de passar a culpa, o erro e a raiva para outra pessoa. Tem um mostro nas minhas entranhas, posso até ouvi-lo arranhando minhas costelas. Mesmo quando descarto a lembrança, ela continua comigo, me ferindo.”

Não é só Melinda que precisa falar. Nós também precisamos falar de temas assim (depressão, bullying e outros que você descobrirá depois da leitura). Não são agradáveis, mas infelizmente acontecem com muitos e por isso não podem passar despercebidos.

A pouco tempo a Netflix lançou 13 Reasons Why, série baseada num livro que também aborda diversos temas importantes para a nossa sociedade. A repercussão foi gigantesca e esse é um sinal muito positivo. Estamos saindo da dormência e percebendo quanta crueldade pode e acontece com os demais, até mesmo com nós mesmos.

“Quando as pessoas não se expressam, vão morrendo aos poucos.”

Não deixe que Fale! passe despercebido por você como aconteceu comigo por tanto tempo. Procure, leia. Peço também que vá além e divulgue e comente sobre o livro. Não apenas sobre ele, mas os diversos que tratam de temas importantes e que possam não estar ganhando a atenção que é devida.

Espero que um dia possamos superar todos esses males. Mas até lá precisamos estar cientes e conscientes do que acontece. Sei que ultimamente não está fácil, a humanidade anda desapontando a cada dia com ações lamentáveis, mas vamos manter a esperança. Sabe aquela  frase clichê que sempre dizem, sobre a mudança parte de cada um? Ela é real, faça sua parte. Não importa os outros, olhe somente para si e veja que está fazendo a coisa certa. O resultado pode ser surpreendente!

PS: Baseado no livro, O Silêncio de Melinda foi lançado em 2004 e teve no papel principal a atriz Kristen Stewart. Confira o trailer (CONTÉM SPOILERS!!!):

Resenha – Até Que A Culpe Nos Separe

Por Thales Eduardo
|
10 de outubro

Título: Até Que A Culpa Nos Separe
Título original: Truly Madly Guilty
Autora: Liane Moriarty
Tradução: Julia Sobral Campos
Editora: Intrínseca
Página no Skoob: Clique aqui

“Acho que todos nós temos motivo para nos sentirmos culpados sobre aquela tarde.”

Quando um simples churrasco termina com um acontecimento terrível, todos os envolvidos são afetados. A culpa recai sobre todos e cada um deles carregará esse fardo, tentando encontrar de alguma forma algo que os absolva do que aconteceu.

Mesclando entre passado e presente, Liane Moriarty desenha a trama perfeita. Três casais, um mistério e as consequências. Tudo isso desenvolvido entre passado e presente de uma forma magistral.

Lentamente as peças do que aconteceu naquele churrasco são montadas e o resultado é assustador. Além disso, mais impactante ainda é a maneira como a culpa os corrói. Sem distinção, eles sentem a dificuldade de seguir em frente em meio a tanto remorso pelo que aconteceu.

Nada mais será igual depois daquele dia. É como se houvesse um terremoto e todos sofressem danos severos, cada indivíduo, amizade, casamento, tudo ruindo e indo ao chão.

“Podemos pular muito mais alto quando temos um lugar seguro onde cair.”

Até Que A Culpa Nos Separe se revelou uma leitura fascinante. Este é um daqueles livros que você começa sem grandes expectativas, mas quando percebe, já está totalmente envolvido.

Fiquei maravilhado não só com o desenvolvimento da trama, mas com a forma como Liane nos conta sua história. A narração é instigante, aproximando o leitor com o que está acontecendo. A combinação perfeita com essa trama foi a construção de cada personagem. Cada um deles traz uma verdade muito grande trazendo uma sensação de proximidade, sendo impossível não nos envolvermos.

Apesar da dificuldade de colocar em palavras tudo que senti durante leitura, uma coisa é certa: VOCÊ PRECISA LER ESSE LIVRO!

Conheça outros títulos da autora: O Segredo Do Meu Marido e Pequenas Grandes Mentiras.

Imagem da capa de Tiger’s Dream é revelada

Por Thila Barto
|
4 de outubro

SOCORRO!

Faz um certo tempo – quem estou querendo enganar… faz tempo PRA CARAMBA –  que fãs da série A Maldição do Tigre, da incrível autora Colleen Houck, vem esperando notícias sobre o tão aguardado quinto e último livro da série. Ainda mais porque o quarto livro, O Destino do Tigre, que foi lançado lá em 2013, tem um desfecho que poderíamos entender como o ponto final da série. Então, após o anúncio de Colleen dizendo que a saga ainda não tinha terminando e que o volume final teria como título “Tiger’s Dream” (O Sonho do Tigre), nós fãs, fomos à loucura, criando várias teorias possíveis pois, como um título desses, o que se pode imaginar? Que tudo não se passava de um sonho. Será que tudo aquilo aconteceu?…

Bom, chega de surto e vamos ao que interessa: a capa!

Como divulgado no site de Katilin Bevis – é galera, não foi no da Colleen, mas eu já explico o motivo – essa é a imagem que ainda será trabalhada para a capa do último volume. Não sei se gosto ou não gosto… A imagem foge um pouco da identidade das capas anteriores, mas é um tanto compreensível já que Collen mudou de editora. Agora é esperar para ver a versão final. YAY!!!!!

ATUALIZAÇÃO (09/10) : A CAPA SAIU 🙂

Ps: antes não sabia se gostava ou não, mas agora tenho tenho certeza: Não gosto, mas não é o fim do universo, não é mesmo?

Agora vou responder a pergunta que deve ter surgido: Por que a imagem não foi divulgada no site da Colleen? 

Todo ano, ela participa de um evento online que reúne vários autores de Young Adult. Eles escrevem sobre o trabalho do outro em seus sites/blogs. Assim, os leitores precisam entrar em vários sites diferentes para achar as informações de seus autores favoritos. Se trata de uma caçada. É uma forma legal e divertida de divulgar o trabalho de todos. No caso das novidades da Colleen, elas foram publicadas no site da Katilin Bevis, que vocês podem conferir clicando aqui

Outras revelações importantes divulgadas no site: o livro será publicado na próxima primavera (deles, é claro), ele terá 800 páginas – SOS! – e será narrado pelo Kishan, como vocês podem conferir no trechinho a seguir.

A tradução foi feita pela equipe da Saga Maldição do Tigre BR

– “Cada passo que eu tomei foi ponderado, como se eu estivesse tentando ficar ereto enquanto caminhava para o oceano. Quanto mais eu fui, mais risco de afogamento. Mesmo que estivesse disfarçada, me senti reconhecível, fora de lugar, como uma flor em uma cesta de frutas. Eu assenti com as pessoas quando necessário e fiz o meu caminho lento até o bar. Quando o homem perguntou o que conseguiu para mim, eu olhei ele silenciosamente por um momento e depois disse: “Apenas um pouco de água, por favor”.

Ele me escorregou uma água com gás e sentou-me, sorvei-a enquanto escorregava o quarto. Nilima foi a primeira pessoa que notei. Ela entrou na festa usando um lindo vestido. Seu sorriso era brilhante quando ela tomou o braço de um homem alto que parecia vagamente familiar. Respirei quando percebi quem era – o irmão de Anamika, Sunil. Ele parecia tão feliz quanto ela e muito mais confortável do que eu esperava, considerando que ele era de um momento diferente.

Olhando ao redor, eu reconheci algumas das pessoas que trabalharam para as Indústrias Rajaram. Tomando minha bebida, estudei Nilima e Sunil. Ele estava habilmente a manter todos os outros homens que queriam dançar com Nilima na baía. Sua expressão endurecida quando alguém se aproximou foi muito eficaz. Vislumbrá-lo e se aproximar para lhe dar uma palestra foi encorajadora. Eu sorri, feliz por Nilima ter encontrado alguém e eu esperava quando eu disse a Ana que ficaria satisfeita.

Apesar do meu interesse por eles, eles não eram quem eu viria ver. Uma espécie de antecipação sem fôlego, uma agitação no meu estômago, me roubou. Quando o bartender perguntou se eu queria uma recarga, eu dei um rápido aceno de cabeça. Um fio de suor percorreu o pescoço e puxei meu colar, sentindo quente.

Então, de uma só vez, a música parou e uma nova música começou – uma linda que eu lembrei que Ren tinha escrito para Kelsey. Meu coração se arruinou. Quase como um, a multidão expectante se virou para assistir a frente da sala. Antes de me preparar, eles estavam lá. Os convidados do casamento aplaudiram quando o casal entrou no quarto. Ren sorriu e acenou com a mão enquanto guiou orgulhosamente sua nova esposa. Ele parecia arrojado em seu casaco sherwani , seu cabelo escuro recuou, mas Kelsey estava de tirar o fôlego.”

Só basta esperar!

VEM TIGER’S DREAM QUE EU TE QUERO!

<3

Ps: Se liga só na entrevista fofinha que fizemos com a autora no lançamento do livro ‘O Despertar do Príncipe’ aqui em São Paulo. Amamos as repostas no jogo ‘As Coisas Favoritas’

Ela é MARAVILHOSA <3

Coluna – Carta para o querido amigo que tem algo que me pertence…

Por Thila Barto
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Caro amigo,

Você precisa entender que sou fã de livros e trato meus queridos exemplares com todo amor e carinho. Eu cheiro, abraço, admiro eles na estante e os organizo da forma que acho mais simpática e harmoniosa. Se bem que às vezes bate até uma certa loucura e resolvo mudar tudo de lugar só para ver como eles ficariam organizados por cor, por tamanho, autor, editora ou até para conseguir encaixar um livro novo. A estante pode estar cheia, mas sempre dou um jeitinho de colocar mais um (ou alguns, rsrs).

Agora como explicar pra você o desespero que sinto quando a seguinte pergunta surge: “Você pode me emprestar um livro?”

Os livros são como uma família e assim como você sente saudades da sua mãe, pai, primos, bichinho de estimação e assim vai, eu também sinto falta deles. É complicado olhar para estante e perceber que tem um buraco ali, mas, o que é difícil mesmo, é não fazer a mínima ideia de como aquele integrante faltante está sendo tratado. Exagero? Pode até ser um pouco, mas a questão é que passei algumas horas com cada um deles, tendo insônia por não conseguir me desconectar do enredo, levando eles para todos os lados com a esperança de poder ler mais um trechinho quando possível, chegando até passar vergonha por soltar um risada alta ou até chorar dentro de um transporte público… ou seja, compartilhando milhares de sentimentos diferentes.

Fãs de livros se doam. Se entregam em histórias. A gente ama toda essa coisa louca e ao mesmo tempo incrível que é viajar para qualquer lugar e conhecer novas pessoas através de palavras.

Para você pode não passar de folhas de papel, mas pra nós eles são importantes. 

Se eu te emprestei, é porque confiei grandiosamente que você seria cuidadoso e, ao terminar a leitura, iria me devolver.

Então se você grifou, dobrou a ponta da folha para marcar a página ou usou a orelha do livro para fazer isso – existe uma coisa chamada marcador de página, sabia? Até um pedaço de papel serve… -, amassou a capa, arrebentou a lombada ao abrir o livro de uma maneira insana, molhou, derrubou algum alimento, matou algum inseto usando ele e, a maior crueldade, não me devolveu, saiba que eu jamais irei confiar em você novamente.

Essa carta é para você, ‘querido’ amigo, que fez alguma dessas atrocidades citadas ou teve criatividade suficiente para destruir o livro de uma forma inusitada, e também para você que tem um integrante da minha preciosa família na sua casa totalmente ignorado. Só me basta dizer: DEVOLVA! Ou se prepare para enfrentar as consequências que é estar no caderno negro de um fã de livros.

Resenha – As Coisas Que Fazemos Por Amor

Por Thila Barto
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1 de outubro

Título: As Coisas Que Fazemos Por Amor
Título original: The Things We Do For Love
Autora: Kristin Hannah
Tradução: Cláudio Carina
Editora: Arqueiro
Páginas: 352
Página no Skoob: Clique aqui

“A vida dá um jeito de seguir em frente, e a gente faz o melhor que pode para acompanhar o fluxo. O coração partido se cura. Como qualquer ferimento, fica uma cicatriz, uma lembrança, porém esmaecida.”

Resenha:

Toda vez é a mesma coisa: termino um livro de Kristin Hannah jurando de pé junto que não leio mais nada da autora. O motivo? EU NÃO TENHO MATURIDADE SUFICIENTE PARA LIDAR COM AS HISTÓRIAS! Desculpa a caixa alta, mas estou falando seríssimo! Sempre termino a leitura com o coração MUITO apertado, encolhida na cama ou deitada no chão – o que foi o caso com esse livro – totalmente destruída. Não vou nem entrar no assunto ‘lágrimas’ pois seria vergonhoso!

Mas, claro, dias se passam e lá estou eu novamente, com o livro novo em mãos dizendo que estou pronta para a próxima e jogando no lixo, pela milésima vez, a promessa que sempre faço. Kristin Hannah é arrasadora demais! É impossível não se entregar inteiramente em suas histórias.

Em ‘As Coisas Que Fazemos Por Amor’ temos duas protagonistas que de certa forma são opostas, mas no fundo são muito semelhantes…

Angela DeSaria tem 38 anos e é uma mulher super determinada, organizada, sempre traçando metas e planos a serem cumpridos. Quando começava uma coisa, não desistia até conseguir. Porém sua vida vira literalmente do avesso após atingir o ápice: no período de um ano perdeu seu pai, sua filha e seu casamento.

Seu maior sonho era se tornar mãe. Passou anos tentando engravidar buscando os mais diversos tratamentos com todo o apoio da família e do marido, Conlan, que também possuía o mesmo desejo. Depois de dois abortos espontâneos, Angie consegue levar a terceira gravidez até o final, entretanto Sophia morre com poucos dias de vida. Ela se afunda tão profundamente em sua tristeza que não percebe que Conlan também estava sofrendo. 

Ainda sem desistir, o casal tenta a adoção mas ganham mais uma desilusão: a jovem que doaria a criança foge com o filho após o nascimento. É o fim para eles.

Assim, Angie volta para sua cidade natal, West End, onde todo mundo sabe de tudo, em busca de conforto em sua família mais que maluca e barulhenta, mesmo sabendo que seria difícil para ela já que suas duas irmãs mais velhas engravidavam com uma facilidade surpreendente. Sem falar que o restaurante da família estava a beira da falência.

“A questão é que agora você está perdia, mas continua correndo a toda a velocidade. Para longe de Seattle e do fim do seu casamento e em direção a West End e o restaurante da família. Como vai saber o que quer se tudo acontece tão rápido?”

E é no West End que conhecemos nossa segunda protagonista, Lauren Ribido. Ela está cursando o seu último ano do colégio e se esforçando ao máximo para conseguir uma bolsa integral em uma faculdade de renome já que não tem condições alguma de pagar uma faculdade. Tira boas notas, é uma aluna exemplo e namora o garoto mais popular da escola. Tudo poderia ser um conto de fadas se não fosse pelas coisas que enfrentava em casa.

Mora na região mais degradada da cidade com sua mãe que raramente consegue ir ao trabalho pois a bebida e o cigarro a consomem. Logo, toda responsabilidade de pagar as contas e cuidar da casa, fica para Lauren.

Como se não bastasse, ela estava sempre ouvindo da mãe que ela era o motivo de toda sua ruína, pois se não tivesse engravidado em seu baile de formatura, ela teria um futuro promissor. Mesmo assim, Lauren cuida da mãe com todo o cuidado já que tem a esperança de que um dia ela iria mudar e ela finalmente seria amada.

Com a força do destino, Angie e Lauren se trombam algumas vezes até que Angie acaba contratando a garota para trabalhar no restaurante de sua família e, em pouquíssimo tempo, as duas desenvolvem uma ligação fortíssima: uma queria desesperadamente ser mãe, e a outra queria, também desesperadamente, ser amada e pertencer a uma família.

A partir daí o livro, surpreendentemente, ganha uma intensidade ainda maior e mais reviravoltas surgem a cada capítulo. Kristin não pega leve! As duas personagens são sonhadoras, determinadas, cheias de falhas e quando você menos esperar, você terá criado um elo enorme com as duas e sofrerá junto com elas em cada acontecimento.

A família DeSaria é tão singular e divertida que é impossível não soltar boas risadas com toda a confusão. Funciona como um ótimo termômetro quando as coisas estão ruins ou muito ruins, rsrs. 

Kristin Hannah é assim. Ela te dá alguns tapas na cara, te joga na parede, te deixa sem fôlego, mexe com TODAS as suas emoções e, no final, te faz acreditar no melhor das pessoas e te mostra que o amor tem várias formas de ser manisfestado e partilhado. Faz tudo valer a pena!

Leiam, leiam e leiam. ‘As Coisas Que Fazemos Por Amor’ é um daqueles livros que levamos pro resto da vida.

“Tristeza era como uma nuvem de chuva: mais cedo ou mais tarde, se você tiver paciência, ela se afasta.”

Ps: Um filme baseado no livro está sendo adaptado para o cinema e Abigail Breslin está confirmada para o papel de Lauren.

Aguenta coração