Mês: dezembro 2017

Nossas melhores leituras de 2017

Por Equipe Nunca Desnorteados
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31 de dezembro

O ano está acabando e esse é aquele momento em que paramos para analisar tudo o que vivemos nos últimos meses. Lembramos de todas as alegrias, surpresas, tristezas e, por que não, as leituras? Hoje, cada um de nós da equipe do Nunca Desnorteados, escolhemos nossas melhores leituras de 2017 e viemos aqui fazer uma listinha de recomendações para, quem sabe, ajudar a incrementar sua lista de leituras para o próximo ano.

Obs: a lista não é, necessariamente, de livros lançados em 2017, mas sim aqueles que tivemos a oportunidade de ler esse ano.

Ale

A minha melhor leitura deste ano foi uma surpresa. Sim, eu sei que para uma fã de Romances de Época, não conhecer o trabalho de Sarah MacLean é uma falha e tanto, mas essa é uma das várias boas razões em se especializar em um gênero literário, precisar conhecer todas as escritoras que se destacam no mesmo. ‘Onze Leis a Cumprir na Hora de Seduzir’ é o último título da trilogia Os Números do Amor, e quando este chegou as minhas mãos decidir ler a trilogia de uma só vez. 

Foram duas semana do mais absoluto deleite! Sarah é uma escrita revigorante, empolgante e viciante. Três histórias  muito interessantes com diálogos inteligentes, elaborados e engraçadíssimos. Nunca achei que o faria, mas Mrs. MacLean me fez abrir um novo posto entre minhas “top 5″ escritoras de Romance de Época, coisa que eu não achei que fosse possível.  

É, eu sei que vocês devem estar dizendo: “Ah, Ale, você é tão previsível mencionando Julia Quinn nos melhores do ano!”, mas eu me apaixonei demais por ‘Como Se Casar Com Um Marquês’ e a história é realmente muito boa. E sou sincera em dizer, não estendo os mesmos predicados ao primeiro livro da duologia Agentes da Coroa, Como Agarrar Uma Herdeira. 

Lizzie e James é aquele casal que você ficaria mais de trezentas páginas – se necessário – correndo para cima e para baixo até que tudo fique bem, sabe? Também teve todo aquele saudosismo de passar mais algumas páginas em companhia de Lady Danbury e de todo o ar Bridgerton que vem com ela. Ah, sou dessas, o que eu posso fazer?  

Eu já estava quase encerrado o assunto quando pensei: não posso deixar Eloisa James fora desse grupo. Os dois primeiro livros da série “Contos de Fadas” são simplementeirretocáveis e precisam estar aqui. QUANDO A BELA DOMOU A FERA e UM BEIJO À MEIA NOITE são duas aulas de História da Arte e como escrever bem. Linnet e Piers – Kate e Gabriel vão fazer você sonhar rir e se apaixonar loucamente.  

Bia

2017 foi um ano que me exigiu muito da faculdade, e por isso acabei lendo muito livros e textos da biblioteca de Serviço Social, os quais eu não indicarei aqui porque não quero que vocês fiquem com depressão. Porém, esse ano eu me dei dois presentes que eu cobiçava desde pequena: Finalmente, pude comprar o meu tão sonhado box de Desventuras em Séries e todos os mangás de Tsubasa Chronicle Reservoir. Foram duas releituras que impactaram bastante no meu ano e são elas quem indico! 

Sobre Desventuras, reli todos os livros, estudei minuciosamente cada um e consegui chegar algumas conclusões de mistérios que sempre me atormentaram. Leiam! E se vocês puderem, releiam! Muitas coisas vão fazer sentido e dá uma nostalgia tão boa quando você assiste a série depois <3 E sobre Tsubasa, ai que dor no coração. É o meu mangá favorito e foi meu amor por Sakura Card Captor que me levou a assistir o anime e ler o mangá. Não prometo momentos felizes, mas garanto fortes emoções e bastante nós na cabeça. Eu sou mega fã de diferentes linhas do tempo, mundos paralelos, e mistérios tudo junto. Quem curte Sakura, tem que ler né! 

Gustavo

Espero que não tenha sido só de mim que 2017 judiou na questão ressaca literária, nesse ano eu me decepcionei comigo mesmo e joguei minha resolução 2016/2017 de ano novo relacionada a leitura no lixo. Mas é o que dizem né.. fazer o que, partiu colocar na listinha 2018 e tentar fazer direito no ano novo. 

Vou dizer que o problema não foi falta de livros maravilhosos que apareceram na minha vida. Até o Fim do Mundo é um livro que eu sempre namorei em feiras de livros, sites, skoob, livrarias e finalmente nesse ano pus minhas mãos nele. Ele é narrado por 4 personagens, Peter, Eliza, Anita e Andy, que estão sobrevivendo ao colégio, uns mais que os outros, cada um com seus problemas e escolhas para o futuro, mas uma “estrela” azul surge no céu e então mais um problema é adicionado na lista desses jovens: um asteroide prestes a se chocar com a Terra com o potencial de acabar com a vida do planeta. A escrita é divertida, é um YA, os personagens são interessantes e os capítulos são ideais para aquela jornada no transporte público. É um livro que ainda estou para tomar vergonha na cara para acabar, mas com certeza merece ser indicado para aqueles que gostam de um drama adolescente <3

Lucas 

2017 foi um ano de ótimas leituras para mim e poucas foram as decepções que eu tive, sendo a maior dela comigo mesmo, por ter criado uma meta com mais livros do que eu conseguiria ler, mas isso não vem ao caso. Minha primeira indicação é um livro que até já tem resenha aqui no blog: Novembro, 9! Eu há muito tempo já desejava ler os livros da Colleen Hoover e essa foi minha primeira experiência com a autora. Primeira e melhor experiência até agora. Esse livro me prendeu de uma forma surpreendente, me deixou boquiaberto com suas reviravoltas e me ensinou que, quando se trata de Colleen Hoover, eu não devo esperar coisas poucas e previsíveis. 

Já minha segunda indicação é uma surpresa até mesmo para mim. Desde que me tornei um leitor compulsivo, isso lá na minha pré-adolescência, eu sempre tive muito preconceito com alguns tipos de gêneros literários, mas felizmente, em algum momento da vida a gente tem que crescer e amadurecer, e preconceito não é algo bom, não importa para o que ele esteja sendo direcionado. Eu sempre torci o nariz para livros de autoajuda, passava o mais longe possível deles quando entrava em uma livraria, mas 2017 me mostrou que eu estava errado. Minha segunda indicação é O ano em que disse sim, da poderosíssima Shonda Rhimes. Em seu livro ela nos mostra o quanto sua vida mudou a partir do momento em que ela se permitiu dizer sim para as coisas. Foi uma leitura extremamente leve, engraçada e, acima de tudo, inspiradora, na qual recomendo à todos que, assim como eu, julgavam esse tipo de gênero. 

Thales

Esse foi um ano cheio de leituras, em sua maioria positivas. O que torna ainda mais difícil escolher apenas dois para essa lista. Mas entre tantas opções, não poderia deixar de fora O Dia do Coringa. É complicado explicar o que senti ao ler esse livro, só posso dizer que foi algo mágico. Jostein Gaarder nos brinda com uma narração tão linda e envolvente que é impossível não ficar admirado com tamanha beleza.

2017 foi também o ano das segundas chances. Após a leitura frustrada de Pequenas Grandes Mentiras, acabei criando um certo receio com a Liane Moriarty. Mas aí tivemos a adaptação incrível do livro e a série me conquistou tanto que precisava dar mais uma chance à autora. E meus caros, foi a melhor decisão que tomei. Fui presenteado com duas obras fantásticas. Até Que A Culpa Nos Separe e O Segredo do Meu Marido me deixaram perplexo. Liane desenvolve aos poucos sua história, revelando a cada capítulo pequenas peças que no final formam um quebra-cabeça divino. Poderia passar horas elogiando cada detalhe de ambos os livros, mas leiam e perceberão que não estou exagerando nenhum pouco. 

Thila

Difícil selecionar somente dois livros acima de todos os outros incríveis que li durante este ano, mas já que tenho que escolher, indico ‘As Coisas Que Fazemos Por Amor’ de Kristin Hannah pois ele foi o primeiro que surgiu na minha cabeça quando comecei a lembrar de todas as leituras. Isso significa MUITA coisa, mas, pra resumir, a história conseguiu ‘me desgraçar’ completamente. A explicação completa e cheia de dramas – de minha parte, é claro – você pode conferir aqui.

O segundo, e não menos importante, é o Return to Mandalay de Rosanna Ley, poréeeeem, pra ser completamente honesta com você, eu ainda não terminei o livro porque EU NÃO CONSIGO! *MOMENTO DRAMA*, hahaha… Falta pouco para finalizar a leitura, mas a história é tão sensacional que eu não quero que ela acabe. O final pode me decepcionar ou estragar tudo? A possibilidade sempre existe, contudo estou tentando prolongar o máximo que consigo esta história. Não faço a mínima ideia de quanto tempo vai durar, mas sei que todo esse ‘prolongamento’ está durante três meses.

Se você ficou decepcionado com a minha segunda escolha – “olha ela, toda louca indicando um livro que nem terminou de ler!” – ou estiver com um espacinho a mais para complementar sua lista, anote aí: QUALQUER livro de Chris Melo e Lucinda Riley. Não tem erro!

Resenha – Tipos incomuns (Algumas histórias)

Por Lucas Florentino
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28 de dezembro
Título: Tipos incomuns (Algumas histórias)
Título original: Uncommon type: Some stories
Autor: Tom Hanks
Tradução: Rachel Agavino
Gênero: Contos
Editora: Arqueiro
Páginas: 352
Ano: 2017
Skoob: Aqui

 

“- Uma máquina de escrever é uma ferramenta. Nas mãos certas, pode mudar o mundo.”

Atores são ótimos contadores de histórias, conseguem dar vida à personagens de forma a sempre nos convencer de que são pessoas diferentes. Mas e quando eles resolvem criar próprias histórias? Tom Hanks é um ator super talentoso e premiado, mas agora, resolveu atacar também de escritor, e seu primeiro livro acabou de ser lançado aqui no Brasil pela Editora Arqueiro.

Em Tipos Incomuns (Algumas Histórias), Tom Hanks nos apresenta uma série de personagens distintos e, diferente do título, todos são extremamente comuns. Mas não, isso não é um ponto negativo ou crítica. São raros os casos em que um autor consegue contar a história de um protagonista comum e ainda assim prender a atenção do leitor. Geralmente nós queremos conhecer a história de personagens extraordinários, em que coisas absurdas acontecem, que nos chocam, mas com esse livro Tom quis fazer o exato oposto, e nos presenteou com o cotidiano de pessoas “normais”.

“- Quero que os filhos que eu vier a conceber um dia leiam as reflexões do meu coração. Eu as terei pessoalmente gravado nas fibras das páginas, uma a uma, verdadeiros fluxos de consciência que vou guardar em uma caixa de sapatos até que meus filhos tenham idade suficiente para ler e refletir sobre a condição humana! – Ela se ouviu gritando: – Eles vão passar as páginas de um para o outro e dizer: “Então era isso que mamãe estava fazendo com todo aquele barulho e toda aquela datilografia”. (…)”

Com 17 contos muito bem escritos, Tom Hanks nos prova que seu dom vai muito além da interpretação. Com diálogos fortes e cenas tocantes, ele nos faz sentir um misto de emoções, além da ligação estabelecida entre leitor e personagem, em vários momentos eu me senti como um item da cena, uma mobília ou figurante, que estava ali apenas observando tudo o que acontecia. E esse “observar” é até algo que eu gostaria de destacar.

Geralmente, enquanto estou lendo um livro, eu me pego pensando sobre tudo aquilo que está acontecendo, tento descobrir o que vai acontecer, bolando teorias e coisas assim. Dessa vez eu só fiquei ali presenciando tudo.  Não é necessário fazer esforço, não é necessário pensar, a cena só acontece… e pronto!

Os contos são independentes, acontecem em épocas e locais diferentes, e a única ligação é que, em todos eles, existe a presença de uma máquina de escrever. Máquina essa que está na capa do livro e no início de cada conto.

“- Você teria um aparelho de som e nunca ouviria música? Máquinas de escrever devem ser usadas. Como um barco deve navegar, um avião deve voar. Qual a utilidade de um piano que você nunca toca? Junta poeira e não há música na sua vida. (…) – Deixe a máquina de escrever do lado de fora, em uma mesa onde você a veja. Mantenha uma pilha de papel pronta. Compre envelopes e seus próprios artigos de papelaria. Eu lhe darei uma capa para protegê-la da poeira, de graça, mas tire-a quando estiver em casa para que a máquina esteja pronta para ser usada.”

Tipos Incomuns (Algumas Histórias) foi uma experiência nova e uma oportunidade de conhecer outro lado desse ator/autor que tanto admiramos.

Resenha – Cartão de Natal

Por Lucas Florentino
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20 de dezembro

O mês de dezembro tem mexido um pouco comigo. Eu que nunca fiz o tipo “viciado em festas de fim de ano”, dessa vez me surpreendi com esse meu interesse e estou cada vez mais conectado com histórias que se passam nessa época.

Recentemente eu assisti ao novo filme original da Netflix, Cartão de Natal (Christmas Inheritance), lançado mundialmente no dia 15/12 e, já que não vi ninguém falando dele até agora, resolvi vir até aqui contar um pouco sobre, porque sim, eu quero contagiar todo mundo com esse meu recém descoberto espírito natalino.

O longa conta a história de Ellen Langford (Eliza Taylor), uma party girl que está quase destruindo a reputação da empresa de seu pai, por estar sempre envolvida em situações vergonhosas na mídia. A fim de fazer com que sua filha seja mais responsável para no futuro herdar a empresa, Jim Langford (Neil Crone) pede para que Ellen vá até a cidadezinha Snow Falls (bem clichê, né?!) cumprir uma de suas tradições natalinas, e entregar para seu tio uma caixa contendo diversas cartas que são escritas anualmente, desde antes de seu nascimento.

Em Snow Falls, Ellen encontrará uma realidade completamente diferente da sua e isso poderá mudar a forma como ela enxerga a vida, além de conhecer alguém que fará seu coração balançar. Aliás, eu falei que ela é noiva? Bom, é aí que as confusões começam, hahaha! 

O filme foi dirigido por Ernie Barbarash e o elenco conta, além de Eliza Taylor e Neil Crone, com Jake Lacy, Andie MacDowell, Michael Xavier, Anthony Sherwood, entre outros. 

Cartão de Natal é uma comédia romântica digna de Sessão da Tarde, mas isso não quer dizer que seja ruim, pelo contrário, eu achei muito divertido e, mesmo sendo previsível em alguns pontos, o filme cumpriu seu papel ao me fazer mergulhar numa nostalgia que há muito tempo eu não sentia. Vale a pena conferir!

Dois lançamentos nacionais que irão marcar o seu natal

Por Lucas Florentino
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15 de dezembro

Se você for como eu, que gosta de leituras temáticas em determinadas épocas do ano, você já deve estar procurando o livro ideal para ler nesse Natal que, aliás, já está bem próximo. Pensando nisso, hoje eu trouxe duas indicações de lançamentos nacionais que se passam nessa época mágica e nostálgica:

Todas as cores do Natal – Vitor Martins, Bárbara Morais, Alliah e Mareska Cruz Skoob / Goodreads

A Agência Página 7 reuniu cinco autores para contar histórias divertidas e emocionantes sobre personagens LGBTQ+ durante as festas de fim de ano. “Todas as Cores do Natal” propõe trazer a voz dos escritores enquanto pessoas LGBTQ+ para ilustrar as experiências de seus personagens a partir de uma perspectiva mais próxima. Escrever com essa propriedade de fala é conhecida como “own voices” no mercado internacional e é muito importante para a diversidade na literatura.

Nessa coletânea, Vitor Martins narra uma divertida história de amigo secreto no curso de inglês que vai fazer o leitor morrer de amores e vergonha alheia por Renato. Já Bárbara Morais traz o universo das Garotas Mágicas para salvar o Natal na capital do país e falar sobre a importância da amizade verdadeira. Lucas Rocha conta como Danilo só queria um fim de ano comum, mas, de repente, tudo dá errado na noite de Natal e ele se vê preso em uma tempestade envolvendo um peru assado, um cachorro e o garoto por quem ele tem uma quedinha. Alliah mostra que uma simples viagem em grupo de fim de ano para uma ilha no litoral do Rio de Janeiro pode revelar seres sobrenaturais sofrendo com as alterações mágicas causadas pela poluição dos mares. Para fechar com chave de ouro, Mareska Cruz fala sobre a relação de Benedita com o Natal desde o seu nascimento: são quinze anos de pura diversão, coração partido, amor e amizade.

Todos nós vemos estrelas – Leo Oliveira e Larissa Siriani Skoob / Goodreads

Quando o Natal se aproxima, as pessoas ficam mais nostálgicas, amáveis e caridosas. Bem, isso é o que se espera.

Porque para Lisa as coisas não são bem assim. Ela só gostaria de passar as férias trancada em seu quarto com seu livro favorito, lendo novamente as aventuras do príncipe Lucien em Trinitam.

Mas… E quando seus planos falham miseravelmente e você precisa lidar com acontecimentos inesperados e visitas que parecem – ou talvez sejam mesmo – de outro mundo?

Uma história de fantasia recheada de magia, amizade, família, amor e estrelas. Porque é disso que o Natal é feito.

Caso você queira mais indicações de leituras natalinas, no Goodreads existe uma lista em que são indicados diversos livros com essa temática, todos eles de autores nacionais. Confira aqui.

Resenha – Minha metade silenciosa

Por Lucas Florentino
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12 de dezembro
Título: Minha metade silenciosa
Título original: Stick
Autor: Andrew Smith
Tradução: Rodrigo Seabra
Gênero: Drama, YA
Editora: Gutenberg
Páginas: 304
Ano: 2014
Skoob: Aqui

“Acredito que, de diversas formas, as memórias são como os sons que ficam preses dentro da minha cabeça. Eles ficam só rodopiando lá dentro em seu próprio ritmo, criando sua própria ordem, fazendo suas próprias contas.”

Vocês costumam dar uma segunda chance para um autor depois de ter uma experiência de leitura muito ruim? Minha história com Andrew Smith começou com o pé esquerdo quando, em 2016, eu resolvi ler Selva de Gafanhotos, que com certeza foi o pior livro que li naquele ano. Mas como sei que suas histórias são sempre “ou você ama, ou você odeia”, resolvi insistir, e dessa vez com Minha metade silenciosa.

O livro conta a história de Stark McClellan, um adolescente de 14 anos que desde sempre enfrentou o bullying por parte dos amigos, e o motivo disso é uma doença congênita, que o fez nascer sem uma das orelhas.

Além das práticas de bullying enfrentadas na escola, Stark também é obrigado a lidar com uma dura realidade em casa: ele e o irmão, Bosten, convivem com pais abusivos, num lar cheio de regras absurdas, onde acontecem a maioria das cenas de partir o coração.

Após a diversos maus tratos, Bosten foge de casa e deixa o irmão para trás, fazendo com que ele lide sozinho com toda a pressão e os problemas que aquela família lhe proporciona. Mas Stark resolve ir atrás do irmão, iniciando assim, uma jornada que é, acima de tudo, uma busca por amadurecimento e auto aceitação.

“E nada do que aconteceu conosco faria sentido se eu não deixasse os verdadeiros monstros que nadavam em minha cabeça aflorarem e mostrarem seus dentes. E não há amor na minha casa, somente regras.”

Quando eu iniciei a leitura de Minha metade silenciosa, eu já esperava por momentos difíceis, mas eu não tinha noção que estava embarcando em uma montanha russa que tiraria todo o ar dos meus pulmões e me deixaria paralisado. Contada através de uma narrativa simples, essa história carrega uma carga emocional muito grande e é impossível não sentir a dor que os personagens estão sentindo. Em determinado momento, eu precisei, literalmente, parar para respirar e processar tudo o que aquelas cenas me causaram.

Como a história é vivida por adolescentes, o autor aborda temas que são muito comuns nessa fase da vida, como amor, drogas, sexo e sexualidade, além dramas muito mais pesados que são, muitas vezes, só encontrados nas entrelinhas. Andrew Smith não precisou dizer na nossa cara que algumas coisas haviam acontecido, ele soube ser sutil o suficiente para nos fazer sentir aqueles atos sem citá-los uma única vez em toda a história (e eu estou aqui aplaudindo de pé toda essa maestria).

Mas não é apenas de coisas tristes que esse livro é feito. Minha metade silenciosa possui vários momentos leves, divertidos, que nos fazem sentir um quentinho no coração. E que bom que esses momentos existem, porque os personagens precisavam deles. Nós, como leitores, precisávamos deles também. Seria impossível, pelo menos para mim, chegar ao fim do livro sem encontrar algo positivo para que eu pudesse me agarrar.

E eu não posso encerrar esse post sem citar a genialidade da editora Gutenberg, que produziu a edição nacional sem uma das orelhas, exatamente como nosso querido Stark. Esse pode ter sido apenas um pequeno detalhe, mas saibam que o impacto causado foi indescritível.

Bom, depois disso tudo só me resta dizer que Minha metade silenciosa foi uma marcante experiência, e mesmo com todo o sofrimento, foi um mal necessário, daqueles que nos levam a crescer, bem como o personagem. Espero que todos possam encontrar a mesma emoção guardada nessas trezentas e quatro páginas. 

Vencedores do Goodreads Choice Awards 2017

Por Lucas Florentino
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5 de dezembro

Se tem uma coisa que eu amo nessa vida, são premiações. Sempre fico muito animado em época de Oscar, Grammys, Tonys, VMAs, e por aí vai. Mas o que muita gente não sabe, é que também existe uma premiação para para a literatura, o Goodreads Choice Awards

Todo ano o Goodreads pede para que seus usuários votem nas categorias estabelecidas a fim de escolher os melhores livros lançados naquele ano, e o resultado de 2017 já saiu e hoje trago para vocês os grandes vencedores:

Ficção: Little Fires Everywhere – Celeste Ng
Mistério e Thriller: Into the Water – Paula Hawkins
Ficção Histórica: Before We Were Yours – Lisa Wingate 
Fantasia: Fantastic Beasts and Where to Find Them: The Original Screenplay – J.K. Rowling
Romance: Without Merit – Colleen Hoover 
Ficção científica: Artemis – Andy Weir
Terror: Sleeping Beauties – Stephen King e Owen King 
Humor: Talking as Fast as I Can: From Gilmore Girls to Gilmore Girls, and Everything in Between – Lauren Graham
Não ficção: How to Be a Bawse: A Guide to Conquering Life – Lilly Singh
Memórias e autobiografia: What Happened – Hillary Rodham Clinton
História e biografia: The Radium Girls: The Dark Story of America’s Shining Women – Kate Moore 
Ciência e tecnologia: Astrophysics for People in a Hurry – Neil deGrasse Tyson
Comidas e livros de receita: The Pioneer Woman Cooks: Come and Get It! Simple, Scrumptious Recipes for Crazy Busy Lives – Ree Drummond
Graphic novels e comics: Big Mushy Happy Lump – Sarah Andersen
Poesia: The Sun and Her Flowers – Rupi Kaur 
Autor revelação: The Hate U Give – Angie Thomas
Ficção YA: The Hate U Give – Angie Thomas
Fantasia YA: A Court of Wings and Ruin – Sarah J. Maas 
Infanto juvenil e infantil: The Ship of the Dead – Rick Riordan
Livro ilustrado: We’re All Wonders – R.J. Palacio

Lembrando que, muitos desses livros, ainda não foram lançados no Brasil e ainda não há previsão para isso acontecer, mas acredito que, após esse prêmio, muitos ganharão uma maior visibilidade e, consequentemente, maior possibilidade de chegar por aqui.

E o que você achou sobre os livros vencedores? Para conferir todos os indicados ao prêmio, clique aqui

Resenha – Alias Grace

Por Thila Barto
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2 de dezembro

Eita série que conseguiu desgraçar minha cabeça de uma maneira insana!

Alias Grace, a nova minissérie original da Netflix baseada no livro de Margaret Atwood, ‘Vulgo Grace’, conta a história de Grace Marks (Sarah Gadon), uma empregada que aos 16 anos de idade foi condenada à morte após ser acusada pelo assassinato do fazendeiro Thomas Kinnear (Paul Gross) e da governanta, Nancy Montgomery (Anna Paquin) – isso foi um caso real, e, assim como na minissérie/livro, aconteceu no Canadá no século XIX.

Como punição por tal crime, Grace deveria ser enforcada, entretanto, durante seu julgamento, conseguiu clemência do juri com seu depoimento e se livrou da forca, mas não da prisão perpétua. James McDermott (Kerr Logan), que também trabalhava na propriedade de Thomas Kinnear, foi considerado seu cúmplice e não teve a mesma sorte. A forca foi seu destino.

A partir deste crime, a minissérie se desenvolve.

Já no primeiro episódio percebemos que a história se passa a partir dos olhos de Dr. Jordan (Edward Holcroft), que é contratado para analisar Grace e, com o seu laudo, comprovar sua inocência já que ao mesmo tempo que é considerada uma assassina por muitos, alguns acreditam que é inocente e merece a liberdade após tantos anos na prisão. Assim, todos os dias, os dois sentam-se frente à frente e Grace começa a contar sua história.

Porém, após alguns relatos, Dr Jordan não só começa a vê-la de forma romântica, mas também a enfrentar dificuldades para encontrar as repostas – se ela realmente é culpada pelo crime, se possui alguma doença… -, pois os fatos eram muito controversos já que sua história foi testemunhada e contada por pessoas diferentes, que deram relatos diferentes e que ao serem comparados com as histórias que ela contava para ele, muitas coisas não se encaixavam.

Mesmo após inúmeros sofrimentos, Grace possui uma voz doce, é perspicaz, atenciosa, detalhista e bastante observadora. Seria ela culpada pelo crime que foi acusada? Será que a visão de Dr Jordan seria mais uma entre as tantas outras? Sua atração por ela estaria influenciando em sua análise? Será que foi manipulado? Será que alguém foi manipulado durante a história toda? Grace realmente matou seu patrão e a governanta? Ela conseguiu sua liberdade?

Essas são poucas das muitas questões que surgem durante os 6 episódios de Alias Grace e que, claro, só assistindo você irá descobrir as respostas, mas uma coisa eu já alerto: A grande questão que todo mundo quer descobrir, se ela é uma assassina ou não, não é o que a minissérie/livro quer discutir e foi exatamente por isso que fiquei com a cabeça tão desgraçada.

Ela é ambientada no passado, mas possui tantos questionamentos e críticas que ainda são muito atuais.

Eu realmente adorei, mesmo me deixando muito confusa tanto durante os episódios quanto depois e confesso que demorei alguns dias para chegar em uma conclusão final pois muitas possibilidades e questionamentos e, claro, dúvidas ficavam zanzando na minha cabeça.

Alguns acreditam que ela é realmente inocente, outros que ela é psicopata, que sofre de algum distúrbio mental ou que desenvolveu outras personalidades após a morte da melhor amiga e da governanta, mas eu acredito – de uma forma bem breve pois não quero influenciar na sua interpretação, *ALERTA SPOILER* – que ela é uma mulher sã que está tentando achar seu lugar e sobreviver num ambiente completamente machista aonde não tem voz e quase nenhum valor, que é culpada pelo crime que foi acusada, que ganhou de Dr Jordan na luta mental que travaram e que aceitou o casamento com Jamie no final pois o que ela poderia conseguir de melhor num mundo daqueles? 

Enfim…Super recomendo!