Autor: Thales Eduardo

Resenha – As Crônicas de Marte

Por Thales Eduardo
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16 de Fevereiro
Título: As Crônicas de Marte
Título original: Old Mars
Autores: George R. R. Martin e Gardner Dozois
Tradução: Fábio Fernandes
Editora: Arqueiro
Páginas: 496
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Vida extraterrestre é um assunto que instiga a todos. Acreditando ou não, nossa curiosidade fala mais alto e nos leva a imaginar tais possibilidades. Com um universo tão grande, será mesmo que estamos sozinhos nessa imensidão? Mas nem precisamos ir tão longe, vamos pensar no sistema solar. Ou melhor, vamos falar de um planeta específico que com certeza já gerou muitas especulações. Vamos falar de Marte!

Em As Crônicas de Marte, somos contemplados com 15 contos de diferentes escritores. Tendo em comum apenas o famoso planeta vermelho, cada autor desenha seu próprio cenário.

O tamanho de cada conto varia, mas a grande maioria flui rapidamente. Como cada autor tem suas próprias características linguísticas, temos uma variedade de narrações, sendo que todas surpreendem e prendem a atenção do leitor.

“As Mariner não puderam encontrar o velho Marte. Mas você pode. É só virar a página.”

Entre ficção científica, aventura e fantasia, a viagem por Marte se torna animada diante da perspectiva de cada autor. 

Como são contos, há também um certo limite de espaço para cada uma das histórias. Talvez um ou outro apresente uma narração mais rápida, mas nada que possa atrapalhar a leitura. Muitas vezes terminamos um conto querendo mais daquele universo, mais daquela história.

Além dos diversos autores consagrados, As Crônicas de Marte foi organizado por George R. R. Martin e Gardner Dozois. Composta por uma equipe muito bem qualificada, o resultado não poderia ser diferente. Embarque junto nessa viagem pelo desconhecido e se prepare para muitas surpresas ao longo do caminho!

“A guerra chegaria ao mundo batizado com o nome de um deus da guerra. Sangue vermelho cairia sobre areia vermelha, tanto de humanos quando te marcianos.”

Resenha – Quando Tudo Faz Sentido

Por Thales Eduardo
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6 de Fevereiro
Título: Quando Tudo Faz Sentido
Título original: Falling Into Place
Autora: Amy Zhang
Tradução: Joana Faro
Editora: Rocco
Páginas: 320
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“A vida é mais que causa e efeito. As coisas não era tão simples assim.”

Quando tudo está um caos, quando vê as consequências de seus atos afetando as pessoas que a cercam, Liz chega a conclusão que já não há salvação para si. Chegou a hora de colocar um fim ao trem desgovernado chamado Liz Emerson.

Em um ponto da sua história, Liz deixou de se importar com muita coisa e começa a agir sem medir os efeitos de cada um dos seus atos. Apesar da popularidade na escola, ela não é um exemplo a ser seguido.

Além de ferir os sentimentos daqueles que cruzam seu caminho, Liz fere a si própria gradualmente. Ao mesmo tempo em que percebe que aquilo não é certo, ela também já não vê uma forma de ser diferente.

Quando se dá conta do rumo que sua vida tomou, não parece haver maneiras de mudar as coisas. Então Liz planeja, traça uma rota para acabar de ver com a causadora de tudo que julga errado: ela mesma. 

“Porque Liz Emerson guardava tanta escuridão dentro de si, que fechar os olhos não fazia muita diferença.”

Em um livro tocante e envolvente, Amy Zhang nos mostra que determinados assuntos merecem diálogo. Mais importante ainda, obras como essa nos alertam sobre os perigos que todos nós estamos vulneráveis, perigos esses que muitos preferem esconder ou julgar de um jeito errado.

De forma não linear, a autora transita entre passado e presente, em um jogo de ação e reação. Vamos descobrindo aos poucos essa protagonista bagunçada, que busca seu lugar no mundo mesmo sem saber ao certo qual é. Mesmo que de uma maneira não muito correta, Liz vai seguindo a vida do jeito que pode e consegue. Foco não é julgarmos atos da personagem, mas sim percebermos a força do efeito dominó na vida de uma pessoa. Como as peças são derrubadas ao longo do ano e a maneira como cada uma delas é afetada. Como parar algo que parece inevitável?

Contudo, com um resultado muito satisfatório, Amy entrega uma obra necessária e importante

“Ela não percebia que a reação igual e oposta era a seguinte: todas as coisas terríveis , cruéis e escrotas que Liz já fizera tinham voltado para ela.”

Resenha – Assassinato no Expresso Oriente

Por Thales Eduardo
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17 de Janeiro
Título: Assassinato No Expresso Oriente
Título original: Murder On The Orient Express
Autora: Agatha Christie
Tradução: Petrucia Finkler
Editora: L&PM
Páginas: 248
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A bordo do Expresso Oriente, Hercule Poirot acaba se vendo envolvido em um assassinato. Caberá agora ao famoso investigar descobrir quem é o assassino. Mas como solucionar tal crime em um vagão em que todos são suspeitos?

Colhendo o depoimento de cada um dos tripulantes do vagão é que Poirot vai reconstruindo a noite do crime. Em meio a tantas suspeitos, o investigador precisará descobrir o que de fato aconteceu. Entre verdades e mentiras, cada pequeno detalhe pode se tornar algo incriminador.

“Diga-me alguma coisa, imploro-lhe, meu amigo. Mostre-me como o impossível pode ser possível!”

Com o grande volume de obras, muitos livros acabam passando despercebidos. Seja por um motivo ou outro ficamos alheios a diferentes títulos. Agatha Christie é, com certeza, um nome que impõe respeito. Até mesmo para aqueles que nunca leram um livro dela, sabem de todo o sucesso e posição que autora conquistou.

Todo esse volume de elogios gerou uma forte expectativa em torno do Assassinato no Expresso do Oriente. Expectativa essa que, infelizmente, não foi alcançada.

Com uma trama lenta, o leitor atravessa diversos capítulos repletos de diálogos e sem ação. O leitor acompanha a narração sem criar um vínculo com cada um dos personagens, ficando tudo muito superficial. Apesar da grande importância da história de cada personagem para construção da trama, há a impressão de que autora não quis desenvolver mais e apenas trata de maneira rápida tais eventos.

E o personagem central da história, o grande detetive Hercule Poirot não passa batido. Com uma personalidade forte, Poirot revela sua habilidade grandiosa em desvendar crimes de difíceis soluções. Durante cada depoimento, o detetive vai fazendo pequenas observações que no final são de extrema importância para fechamento do mistério.

Em 2017, tivemos mais uma adaptação cinematográfica da obra com um elenco de grande renome. O filme (trailer aqui) tem um bela fotografia e busca dentro das possibilidades variar nos cenários, já que no livro acontece praticamente tudo em um único ambiente. 

Entretanto, como em toda adaptação, temos as mudanças em relação a obra original. Querendo ou não essas mudanças causam no expectador uma reação positiva ou negativa. O filme traz algumas mudanças no seu decorrer, mas a que mais me incomodou foi na revelação do crime. A adaptação ousa numa dramatização que me pareceu forçada e desnecessária.

Seja em qual meio for, Assassinato no Expresso do Oriente é, apesar de tudo, um bom e indicado programa! Desvende o indesvendável!

Resenha – Fraude Legítima

Por Thales Eduardo
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10 de Janeiro
Título: Fraude Legítima
Título original: Genuine Fraud
Autora: E. Lockhart
Tradução: Flávia Souto Maior
Editora: Seguinte
Páginas: 280
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Em um livro em que a personagem principal te engana e confunde, o leitor precisará ficar atento para decifrar as peças desse enigma. Afinal, quantas vidas uma pessoa pode assumir?

Fraude Legítima começa do final. Calma, é isso mesmo que você leu. Partimos do capítulo 18, em um momento crucial da história e fazemos o caminho inverso do geralmente utilizado. A cada capítulo vamos regredindo cada vez mais ao passado para entender o que está acontecendo.

Para Jule West Williams, a vida trouxe grandes desafios que a impulsionaram a buscar aquilo que acredita ser o melhor pra si, seja qual for o custo. Jule será a heroína da sua própria história.

Muitos aceitariam de bom grado a vida da milionária Imogen Sokoloff, só que ela está farta de tudo isso, das cobranças e imposições. Imogen está perdida, tentando de alguma forma encontrar seu verdadeiro eu.

Em meio a essa vida de luxo de Imogen, Jule entra em sua vida. Ambas se tornam inseparáveis e confidentes. Rapidamente e intensamente, elas se tornam melhores amigas.

O que ninguém imaginava era que Imogen fosse tirar a própria vida. 

“Você acha que uma pessoa é tão ruim quanto suas piores ações?”

E. Lockhart desenvolve com exímio seu livro. A proposta de partir do fim e voltar lentamente ao inicio de tudo causa no leitor um envolvimento muito forte, já que o mesmo se sente fisgado e alucinado para descobrir as ações que culminaram em tal conclusão.

Talvez uma parte desse mistério proposto pela autora não seja tão difícil de decifrar, mas acredito que nessa obra a construção de todos os fatos é ainda mais importante. Podemos descobrir o que aconteceu, mas Lockhart nos provoca com seus personagens e seus atos. O fim é importante, mas o meio é tão importante quanto.

Fraude Legítima é um grande quebra-cabeça, nos quais as peças estão espalhadas ao longo de cada capítulo. Embarque nessa aventura e se prepare para a imagem que ela formará no final!

Resenha – Ted Talks

Por Thales Eduardo
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31 de outubro

Título: Ted Talks
Título original: Ted Talks
Autor: Chris Anderson
Tradução: Donaldson Garschagen e Renata Guerra
Editora: Intrínseca
Páginas: 240
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“A facilidade para falar em público não é um dom congênito concedido a alguns felizardos, mas um amplo conjunto de aptidões. Existem centenas de maneiras de dar uma palestra, e todo mundo pode descobrir uma linha correta para si e adquirir as qualificações para realizá-la de forma satisfatória.”

Quem nunca ficou nervoso diante de uma apresentação? Quem não perdeu uma oportunidade por medo de falar em público? Certamente todo mundo já passou ou ainda vai passar por uma situação de desconforto ao precisar fazer alguma apresentação.

Admitimos o problema, agora vamos para o passo seguinte: tratamento. Falar em público não é tão terrível assim como imaginamos na nossa cabeça, requer apenas preparo e equilíbrio. Aos poucos, com treinamentos e exercícios vamos dominando nossas emoções e corpo, de forma a nos acalmar quando estivermos diante de uma plateia.

E é então que chegamos ao Ted Talks. Escrito por Chris Anderson, o livro traz ensinamentos práticos e ferramentas que nos auxiliam diante de um grande público. O autor deixa bem claro que não se trata de uma passo a passo para uma palestra de sucesso, mas sim um guia que te ajudara nisso.

“Por mais que sejam importantes hoje, as aptidões para falar em público se tornarão fundamentais no futuro.”

O TED se tornou uma grande referência em palestras curtas e de grandes impactos. Ao longo dos anos, as palestras ganharam força e o TED desenvolveu diversos projetos para incentivar e espalhar essa iniciativa. As apresentações são disponibilizadas semanalmente tendo um alcance gigantesco.

Chris aborda todos os elementos envolvidos, seja antes, durante ou depois. É um processo de aprendizado interno, de dominar nossas emoções e saber transmitir da melhor forma aquilo que queremos expressar. Na maioria dos casos, o autor brilhantemente usa como embasamento casos reais, em apresentações que o TED realizou. Há uma playlist no próprio site do TED com todas as palestras citadas, então é super recomendado intercalar entre leitura e vídeos. Assim aprendemos não só na teoria, mas analisamos também na prática o que o autor está querendo nos dizer.

Infelizmente não é com apenas um livro que você sairá pronto para enfrentar uma plateia. Ainda assim, Ted Talks já é um passo enorme nesse caminho e que com certeza ensinará muitas coisas que você levará para o resto da vida.

“O futuro ainda não está escrito. Estamos todos nós, coletivamente, no processo de escrevê-lo. Há uma página aberta – e um palco vazio – à espera de sua contribuição.”

Resenha – Fale!

Por Thales Eduardo
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13 de outubro

Título: Fale!
Título original:  Speak
Autora: Laurie Halse Anderson
Tradução: Flávia Carneiro Anderson
Editora: Valentina
Páginas: 284
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“Vocês me escutariam? Acreditariam em mim? Duvido.”

Fale! não só me tirou de uma ressaca literária, como me impactou com uma trama angustiante e que, infelizmente, retrata a situação de muitas pessoas.

Estava em uma fase em que nenhum livro que iniciava me prendia de forma a seguir até o final. Até que passei por um post aleatório de Fale!. Já conhecia o livro, entretanto não aparecia entre minhas leituras prioritárias.

Era a hora de ler essa obra tão aclamada. Estava com medo de que a ressaca pudesse atrapalhar leitura, mas ao iniciar leitura percebi que dificilmente conseguiria largar o livro até chegar ao final.

Melinda se calou. Presa em seu próprio universo, ela se isola de tudo e de todos. Não apenas por vontade própria, já que todos os seus amigos a abandonaram e falam mal dela sempre que possível. O motivo? Melinda chamou a polícia na última festa realizada dos veteranos, acabando com a diversão e mandando alguns colegas para a prisão.

Não só faltam palavras para Melinda explicar tudo que aconteceu, como falta uma pessoa realmente disposta a escutar o que a garota tem a dizer. Assim ela prefere ficar calada sempre que possível, respondendo somente quando é extremamente necessário.

O ano letivo não é fácil e o bullying é constante. E ainda por cima, ela precisa enfrentar seus próprios medos e frustrações. O que de fato aconteceu naquela festa? O primeiro passo é falar, será que Melinda é capaz disso?

“Eu sobrevivi. Estou aqui. Abalada e confusa, mas estou aqui. Então, como posso encontrar o meu caminho?”

Apesar de todos os elogios, não tinha grandes expectativas quando iniciei a leitura. Mas assim que Laurie começa sua narração é impossível ficar indiferente ao que está sendo contado.

Apesar de todo o silêncio de Melinda, a autora conseguiu transcrever de uma forma impecável o que a personagem estava passando. Sofremos calados com ela, com todo aquele turbilhão de sensações, torcendo que Melinda fale.

Apesar de não ter grandes reviravoltas e seguir num mesmo tom o livro inteiro, ainda assim há trechos impactantes. Certas narrações me deixaram extremamente angustiado e com medo pela personagem, era como se eu tivesse passando por aquilo. Nos tornamos vítimas de uma situação que ninguém deveria enfrentar.

“Estou afim de confessar tudo, de passar a culpa, o erro e a raiva para outra pessoa. Tem um mostro nas minhas entranhas, posso até ouvi-lo arranhando minhas costelas. Mesmo quando descarto a lembrança, ela continua comigo, me ferindo.”

Não é só Melinda que precisa falar. Nós também precisamos falar de temas assim (depressão, bullying e outros que você descobrirá depois da leitura). Não são agradáveis, mas infelizmente acontecem com muitos e por isso não podem passar despercebidos.

A pouco tempo a Netflix lançou 13 Reasons Why, série baseada num livro que também aborda diversos temas importantes para a nossa sociedade. A repercussão foi gigantesca e esse é um sinal muito positivo. Estamos saindo da dormência e percebendo quanta crueldade pode e acontece com os demais, até mesmo com nós mesmos.

“Quando as pessoas não se expressam, vão morrendo aos poucos.”

Não deixe que Fale! passe despercebido por você como aconteceu comigo por tanto tempo. Procure, leia. Peço também que vá além e divulgue e comente sobre o livro. Não apenas sobre ele, mas os diversos que tratam de temas importantes e que possam não estar ganhando a atenção que é devida.

Espero que um dia possamos superar todos esses males. Mas até lá precisamos estar cientes e conscientes do que acontece. Sei que ultimamente não está fácil, a humanidade anda desapontando a cada dia com ações lamentáveis, mas vamos manter a esperança. Sabe aquela  frase clichê que sempre dizem, sobre a mudança parte de cada um? Ela é real, faça sua parte. Não importa os outros, olhe somente para si e veja que está fazendo a coisa certa. O resultado pode ser surpreendente!

PS: Baseado no livro, O Silêncio de Melinda foi lançado em 2004 e teve no papel principal a atriz Kristen Stewart. Confira o trailer (CONTÉM SPOILERS!!!):

Resenha – Até Que A Culpe Nos Separe

Por Thales Eduardo
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10 de outubro

Título: Até Que A Culpa Nos Separe
Título original: Truly Madly Guilty
Autora: Liane Moriarty
Tradução: Julia Sobral Campos
Editora: Intrínseca
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“Acho que todos nós temos motivo para nos sentirmos culpados sobre aquela tarde.”

Quando um simples churrasco termina com um acontecimento terrível, todos os envolvidos são afetados. A culpa recai sobre todos e cada um deles carregará esse fardo, tentando encontrar de alguma forma algo que os absolva do que aconteceu.

Mesclando entre passado e presente, Liane Moriarty desenha a trama perfeita. Três casais, um mistério e as consequências. Tudo isso desenvolvido entre passado e presente de uma forma magistral.

Lentamente as peças do que aconteceu naquele churrasco são montadas e o resultado é assustador. Além disso, mais impactante ainda é a maneira como a culpa os corrói. Sem distinção, eles sentem a dificuldade de seguir em frente em meio a tanto remorso pelo que aconteceu.

Nada mais será igual depois daquele dia. É como se houvesse um terremoto e todos sofressem danos severos, cada indivíduo, amizade, casamento, tudo ruindo e indo ao chão.

“Podemos pular muito mais alto quando temos um lugar seguro onde cair.”

Até Que A Culpa Nos Separe se revelou uma leitura fascinante. Este é um daqueles livros que você começa sem grandes expectativas, mas quando percebe, já está totalmente envolvido.

Fiquei maravilhado não só com o desenvolvimento da trama, mas com a forma como Liane nos conta sua história. A narração é instigante, aproximando o leitor com o que está acontecendo. A combinação perfeita com essa trama foi a construção de cada personagem. Cada um deles traz uma verdade muito grande trazendo uma sensação de proximidade, sendo impossível não nos envolvermos.

Apesar da dificuldade de colocar em palavras tudo que senti durante leitura, uma coisa é certa: VOCÊ PRECISA LER ESSE LIVRO!

Conheça outros títulos da autora: O Segredo Do Meu Marido e Pequenas Grandes Mentiras.

Resenha – A Viúva

Por Thales Eduardo
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26 de setembro

Título: A Viúva
Título original: The Widow
Autora: Fiona Barton
Tradução: Alexandre Martins
Editora: Intrínseca
Páginas: 304
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“Eu queria acreditar nele. Eu amava Glen. Ele era o meu mundo.Ele dizia que eu era o dele. Éramos o mundo um do outro.”

MANCHETE: A VIÚVA VAI FALAR TUDO O QUE SABE

Jean e Glen sempre foram um casal normal. Sem grandes aventuras, a dupla passava despercebida para muitos.

Entretanto, tudo mudou quando Glen foi acusado de um crime terrível. Todo o país agora conhecia os dois.

A pressão por justiça foi tremenda e o assédio dos jornalistas era ainda maior.

Apesar de tudo o crime ficou sem solução. Ninguém saberia o que de fato aconteceu.

Mas é aí que surge a reviravolta. Glen morreu e Jean, enfim, está livre. Chegou a hora de contar tudo. Vamos conhecer o Glen que Jean conhecia, o homem com o qual ela conviveu por tantos anos.

Não há mais motivos para guardar os segredos do marido. Ou há?

“Sempre imaginei como seria se eu revelasse o segredo.”

Nos últimos anos os thrillers ganharam destaque e voltaram com força total. Apesar de todo o suspense e investigação, Fiona traz uma obra diferente das que estamos acostumados.

A Viúva não possui grandes reviravoltas, mas ainda assim tem uma trama incrivelmente envolvente. Toda a história é bem elaborada e a maneira que é contada deixa o leitor preso e angustiado querendo saber mais.

O livro viaja entre passado e presente, preenchendo aos poucos as lacunas que faltam da trama. Os narradores são a própria viúva, o detetive encarregado pelo caso e a repórter que busca a entrevista mais aguardada de todas. Cada um nos mostra um parâmetro de tudo que aconteceu e está acontecendo.

Todos os envolvidos na trama foram bem construidos. Passam um sentimento de realidade muito forte para o leitor. Nenhuma narrativa é cansativa, muito pelo contrário. Essa alternância entre eles nos envolve ainda mais.

“Eu não podia lhes dizer que estava contente por ele ter partido. Eu havia me livrado de seus absurdos.”

A Viúva mantém quase o mesmo ritmo em toda sua narrativa. Não há uma intenção de enganar o leitor (estou pensando em você, Amy!). A autora foca muito mais em uma história convincente e bem amarrada. Mas claro que há o suspense policial em torno dos personagens principais.

Não leia este livro esperando a mesma fórmula dos demais do gênero. Aceite a Viúva do jeito que é. Fiona certamente irá te conquistar logo nas primeiras páginas!

“Segredos eram coisas perigosas.”

Resenha – As Garotas de Corona Del Mar

Por Thales Eduardo
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14 de setembro

Título: As Garotas de Corona Del Mar
Título original: The Girls From Corona Del Mar
Autora: Rufi Thorpe
Tradução: Sylvio Monteiro Deutsch
Editora: Novo Conceito
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“A morte era aterrorizante, mas a vida também era.”

As Garotas De Corona Del Mar é um retrato de uma amizade ao longo dos anos. Uma abordagem impactante de como as aparências não revelam nada, de como nosso presente é consequência de atos do passado e, principalmente, de como a vida muitas vezes acaba não sendo como a imaginada.

Amigas desde muito novas, Mia e Lorrie Ann criam uma relação que se desenrola através dos anos. Quando adolescentes, as duas vivem situações que marcaram quem um dia se tornarão. 

Uma era o oposto da outra, mas se completavam de uma forma harmônica. Mas quando uma tragédia acontece, tudo entre ela muda. Não só a amizade fica abalada, mas os caminhos que esse fato geram levarão as duas para onde elas nem imaginavam chegar.

“Eu costumava pensar que de alguma forma havia certa quantidade de coisas ruins que precisavam acontecer com as pessoas, e que normalmente essas coisas eram bem distribuídas, mas de alguma forma você deu um jeito de ficar com a minha parcela. Coisas horríveis aconteceram com você, e coisas boas que eu não merecia nem em um milhão de anos aconteceram comigo. Eu queria poder trocar de lugar com você.”

Rufi Thorpe me pegou desprevenido. A expectativa que eu tinha formado e os possíveis rumos dessa história que eu já estava imaginando foram totalmente destruídas ao decorrer dos capítulos. De uma forma muito pessoal e totalmente real, a autora nos narra fatos e situações que tornam a leitura, digamos assim, especial.

Não estou dizendo que seja um livro transformador ou algo do tipo, mas preciso dar os devidos créditos no quesito da escrita. Realmente a construção da história foi bem desenvolvida, levando o leitor por caminhos que ele nem imaginava trilhar.

Entretanto, sinto que o livro pecou na forma como as emoções de cada personagem foram narrados. Ambas as personagens principais são marcantes e podemos perceber que bem construídas, mas tive a percepção que durante momentos e situações que deveriam estar carregados de sentimentos acabaram passando friamente para o leitor. Reforço e afirmo que a escrita de Rufi é muito boa e nada desanimadora, só faltou buscar um certo tipo de humanização nas personagens, algo que permitisse o leitor a criar uma empatia para com elas.

As Garotas De Corona Del Mar é uma daquelas leituras que surpreendem o leitor e que por mais que não seja uma grande obra, com certeza, despertará muitas reflexões. 

Resenha – O Exorcista

Por Thales Eduardo
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30 de agosto

Título: O Exorcista
Título original: The Exorcist
Autor: William Peter Blatty
Tradução: Carolina Caires Coelho
Editora: HarperCollins
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“Poucos leitores sairão ilesos.”

Essa frase na capa de O Exorcista é uma das mais verdadeiras afirmações sobre esse livro. O livro de Blatty instiga, provoca e apavora o leitor.

A premissa do livro é simples. A filha de uma atriz famosa está doente. Mas é uma doença que nenhum médico consegue definir com certeza.

Cada vez mais a criança vai se tornando irreconhecível, não lembrando nada a doce menina que um dia foi.

Coisas sinistras acontecem, difíceis de serem explicadas. É então que a mãe recorre para sua última esperança, a igreja. Ela quer urgentemente que sua filha seja exorcizada. Caberá então ao padre definir se é caso de exorcismo ou apenas uma doença da mente.

Mas o ser que habita na menina é esperto, traiçoeiro e não facilitará em nada as coisas para nenhum deles.

“Chris virou-se e começou a abrir a porta, e foi então que Karras sentiu: um aviso forte e arrepiante. Passou por sua corrente sanguínea como pedacinhos de gelo.”

Sempre fui um grande fã de terror. Ultimamente estive um tanto afastado do gênero, mas quando vi um post sobre esse livro fiquei curioso na mesma hora.

Com uma narração rápida e envolvente, William consegue criar um suspenso muito bem elaborado. É impossível negar a tensão ao ler certos trechos da obra. O medo está ali, a cada página virada ele só fica mais evidente.

O autor escreve de uma forma tão realista, que o leitor se sente presente na cena e é aí que está a grande jogada desse livro. Estar envolvido com os personagens dessa maneira só causa ainda mais medo no leitor. Então, não adianta negar, o medo é inevitável nesse livro.

Mas não é um terror qualquer, O Exorcista consegue trazer personagens intrigantes, que despertam o interesse em quem está lendo. O desenvolver da história também foi bem orquestrado, de  forma que o terror foi acompanhando a narração até chegarmos no ápice final.

Logo após seu lançamento, O Exorcista se tornou filme e teve o próprio William responsável pelo roteiro e produção. Apesar de já ter assistido ao filme, foi a muito tempo e não lembro muitos detalhes. Entretanto, já vi comentários que filme foi bem fiel ao livro, tanto que ganhou o Oscar de melhor roteiro adaptado (e de melhor som, além de ser indicado em outras 8 categorias, incluindo de melhor filme).

Para os fãs de terror, esse livro é mais que obrigatório. E para aqueles que querem se arriscar no gênero, O Exorcista é a melhor indicação.

“O que parecia uma manhã era o começo de uma noite sem fim.”