Categoria: Colunas

Viagem à Hogwarts, ops… Coimbra

Por Thila Barto
|
25 de maio
Sou fã de livros, isso é fato. Gosto daqueles clichês, dos modinhas, de dramas, nacionais, romances e claro, as famosas séries. Dentre todas, existe uma série que não só me conquistou, mas também milhares de pessoas ao redor do mundo, que é o nosso querido e inesquecível Harry Potter. Vai me dizer que você nunca se imaginou com as vestimentas de sua casa preferida – Corvinal <3 -, ou em alguma aula de magia e até sonhar com alguma coruja deixando a tão desejada carta de Hogwarts?
 
Sei que já passei da idade de receber a minha carta, mas ainda acredito que ela irá chegar. A coruja responsável por ela só deve ser estabanada como eu e deve estar perdida no meio do caminho… 
 
Morei em Portugal o ano passado e jamais imaginei que esse país maravilhoso, que carrega tanta história entre suas paisagens mais diversas e está repleto de pessoas engraçadas, teria tantas referências de Harry Potter. Podem me considerar uma poser, eu não ligo nem um pouco, mas ao descobrir que J.K. Rowling, alguns anos antes de iniciar a escrever o nosso queridinho, vivia na cidade do Porto como professora de inglês e que foi inspirada em parte pelo seu avô que contava histórias sobre quando estudava na universidade de Coimbra – uma das primeiras universidades do mundo com aproximadamente 700 anos de história – eu pensei: “Eu necessito conhecer esse lugar!” 
 
Escolhi um final de semana, comprei as passagens e parti rumo à Coimbra com as mais altas expectativas. Se elas foram atendidas? Foi muito mais do que isso. 
Ps: A imagem acima não é minha, o resto é ;). Créditos: PASSOS COELHO EM CHAVES
Não sei se vocês sabem, mas os alunos das universidades em Portugal usam como uniforme aquela capa preta sob uma roupa social e determinados alunos em Coimbra, conforme o seu status, usam aqueles chapéus pontudos como os bruxos de Harry Potter. Então imaginem a minha reação quando cheguei na Universidade e vi os alunos andando nas ruas com essas vestimentas! Liguei pra minha mãe e a primeira coisa que disse não foi “Oi mãe”, “Estou com saudades”, “Está tudo bem?”, foi: “Mãe, eu estou em Hogwarts!” 
Vários portugueses pontuam diversas semelhanças entre o mundo mágico criado por JK Rowling e Portugal, mas não posso afirmar que tudo é verdade, pois afinal de contas, JK nunca confirmou nenhum dos boatos, mas estar nesse lugar e relembrar todas as histórias observando a paisagem… Fica impossível não associar uma coisa a outra.  
Catedral Sé Velha 
 
Um exemplo? O nome do fundador da casa Sonserina, chama-se Salazar, o último nome do ditador português que se manteve no poder por mais de 40 anos. 
A pergunta agora é: Será mesmo que J.K. Rowling se inspirou nos trajes, cidades e história de Portugal para escrever Harry Potter? Eis a questão. 
Além da Universidade, visitei lugares incríveis! Andei em ruínas do império romano – foi UAU – visitei mosteiros – chorei em um deles -, igrejas, praças e parques. Foi bem fácil achar todos os pontos turísticos já que existe um aplicativo de celular que indica todos eles e há mapas por toda a cidade, entretanto foi uma verdadeira ginástica subir e descer as ruas dessa cidade tão montanhosa. Sério, minhas pernas ficaram doloridas o dia seguinte inteiro. 
O que me resta agora é uma enorme saudade e um desejo imenso de voltar para essa cidade que tanto me tocou. 
Espero que gostem das fotos e qualquer semelhança, talvez não seja mera coincidência. 

destaque

Coluna – Progressão Geométrica Literária.

Por Thila Barto
|
11 de março

Sabe o que eu acho engraçado? Nós amantes, impulsivos, apaixonados, doentes, loucos, aficionados – okay, exagerei um pouco – pela literatura, temos uma mania em particular, entre milhares, que é sempre pensar a seguinte frase:

Queria que eu tivesse tempo suficiente para ler todos os livros da minha pilha, lista, indicados por alguém e os parados na estante.”  

Quem nunca pensou isso?  

Sempre achei que essa missão seria de alguma forma possível mas depois de entrar em uma conversa quase sem fim com uma amiga, percebi que vivemos uma doce ilusão. 

Viver mais anos, ou até ficar preso no tempo de alguma forma, só ocasionaria listas cada vez maiores! Quando abrimos sites como submarino e americanas para comprar apenas aquele livro mega desejado, finalizamos a compra com uns 5 no carrinho. Quando entramos em alguma livraria só pra dar aquela olhadinha, saímos com 3. Ao entrar no skoob para marcar o livro que leu, a sua lista de desejados ganha mais uns 10 livros pelo menos. E quando lemos um livro simplesmente espetacular, lá vamos nós atrás de todos os livros do autor. 

Então imaginem… Nossas listas cresceriam como uma progressão geométrica sem expectativas de um dia ter fim. 

Mas fala sério, que deliciosa aventura é viver essa Missão impossível que nem o infalível James Bond seria capaz de cumpri-la. 

Prometo falhar imensamente nessa tarefa. Já estou falhando há tempos mesmo, rsrs.


<3 

tumblr_static_e5sldbu1gg00wg00scg0gocc0

Por que a leitura aumenta a empatia das pessoas?

Por Lucas Florentino
|
16 de fevereiro

Há alguns dias, enquanto estava lendo o livro Diga aos lobos que estou em casa, da autora Carol Rifka Brunt (resenha aqui), me deparei com a seguinte situação: um dos personagens estava passando por um grande problema, um daqueles que a gente nunca espera que vai passar na vida. Eu jamais havia me imaginado naquela situação, mas naquele exato momento, comecei a sofrer como se aquela realmente fosse a minha história. E isso durou por muitos dias mesmo depois de a leitura ter terminado. Comecei a imaginar como seria a minha vida se eu tivesse passado por situação semelhante, quais seriam as atitudes que eu tomaria, como lidaria com aquela situação. Foi aí que eu percebi o que estava acontecendo comigo: eu estava praticando a empatia

De acordo com o dicionário Aurélio, empatia significa “forma de identificação intelectual ou afetiva de um sujeito com uma pessoa, uma ideia ou uma coisa”. Em outras palavras, empatia pode ser definida como a habilidade de se colocar no lugar do outro. 

“Para conseguir desenvolver uma compreensão empática, é necessário estar aberto e disposto a compreender o outro sem colocar suas próprias ideias e opiniões por cima da interação.”
 

A empatia não é um dom, sendo assim, é normal que algumas pessoas tenham mais facilidade de se conectar às outras e de se envolver de forma mais natural, porém há diversas maneiras de se trabalhar a empatia em um indivíduo, e a leitura é uma delas. 

Que atire a primeira pedra aquele que nunca se emocionou lendo alguma cena triste de algum livro. Ou então que deu boas risadas quando determinado personagem viveu uma situação engraçada durante a história. Eu mesmo faço isso o tempo todo. Se você já viveu algo assim durante sua experiência de leitura, sabe o que isso significa? (que rufem os tambores…): você é uma pessoa empática. 

O ato de você pegar um livro para ler e conseguir mergulhar naquela história, é uma grande prova de que a empatia existe em você. Quando lemos algum livro, nós vivemos aquela história. Naquele momento, nós somos os personagens, mesmo que tudo aconteça dentro de nossa cabeça, aquele momento é nosso, nós sentimos as mesmas emoções que eles estão sentindo, nós vivemos aqueles situações que o autor criou. Ao ler um livro, nós vestimos as peles dos personagens. E isso, meu caro, é empatia.

A empatia tem total influência na hora em que vamos escolher qual será nossa próxima leitura. Nós temos a tendência de escolher livros em que os personagens sejam mais parecidos com o que somos, ou com aquilo que queremos ser. Também escolhemos através de nossas emoções. Por exemplo: se uma pessoa está triste e quer se sentir feliz, ela vai buscar um livro divertido, porque sabe que ao ler aquelas páginas, vai se colocar no lugar da personagem e sentir aquela felicidade que ela sentiu (a não ser que você seja uma pessoa como eu, que quando está triste, procura um livro mais triste ainda, para já ir parar direto no fundo do poço, mas ainda assim estamos praticando a empatia, rs)

Ser uma pessoa empática trás muitos benefícios para um indivíduo. Quando praticamos empatia, conseguimos ter um melhor relacionamento com nós mesmos e com as outras pessoas, conseguimos ser mais justos e menos preconceituosos, pois é muito mais fácil aceitar o outro quando nos vemos na mesma situação. 

Existem alguns exercícios para quem deseja praticar mais a empatia, saber trabalhar melhor isso dentro de si. A primeira dica é prestar mais atenção a sua volta. Observe as pessoas que o cerca, entenda o contexto, o momento em que está vivenciando. Quando temos essa visão mais expandida da situação, sabemos entender melhor o que está acontecendo.  A segunda dica é ouvir atentamente. Conversar com algum desconhecido pode ser uma experiência muito enriquecedora, pois temos conhecimento de novas histórias, novos pontos de vista, isso nos faz analisar melhor qualquer que seja a situação, por diversos ângulos. E por fim, coloque-se no lugar de outra pessoa. Praticar isso no dia-a-dia pode às vezes não ser tão fácil, mas quando temos a humildade de nos livrarmos dos nossos próprios conceitos e aceitar os do outro, nos abrimos para o novo, e isso sempre gera ganho.  

Dica de leitura: Para estudar mais a fundo e conhecer mais sobre o tema, leia o livro O Poder da Empatia, do autor/filósofo Roman Krznaric.

Nota: Algumas informações desse texto foram inspiradas na Revista Você S/A, Edição 203, de abril de 2016 – O Poder da Empatia. 
destaque

A ressaca literária me pegou, e agora?

Por Lucas Florentino
|
19 de novembro

Não adianta negar, todo mundo que é apaixonado por livros já passou ou ainda vai passar pela tão temida “ressaca literária”. Aquele período da sua vida em que você começa a procrastinar com a leitura, dá início a vários livros, mas não consegue chegar ao fim de nenhum deles, passa a dar mais atenção para as séries, filmes, redes sociais, para aquela nuvenzinha branca que está passando pela sua janela… enfim, tudo acaba sendo mais importante e chamando mais a atenção do que as páginas amareladas. Mas será que estou perdendo o meu amor pelos livros?

Sem orgulho nenhum, venho dizer que estou há mais de duas semanas sem ler absolutamente nada. Quer dizer, eu até tentei ler uma coisa ou outra, mas se cheguei a passar de dez páginas lidas de algum livro nesse período, olha meu amigo, foi muito. E o pior é que dessa vez eu nem posso dar desculpa alguma. Qualquer coisa que eu disser soaria como uma grande mentira, porque a verdade é essa: eu não li nada porque eu não quis!

Essa não é não é a primeira e, provavelmente, não será a última ressaca literária da minha vida, mas sempre que estou passando por esses momentos, começo a me sentir culpado por negligenciar os livros. Sinto como se eu estivesse deixando os personagens de lado, sozinhos, esperando por mim, enquanto eu fico aqui aproveitando (ou não) a minha vida. Eu começo a reclamar de mim mesmo e soltar frases aleatórias durante o meu dia, coisas do tipo “que vergonha de mim, estou sem ler nada há dias” ou “prometi que ia passar a tarde de ontem lendo e falhei lindamente”, mas como ficar reclamando não resolve problema nenhum nesse mundo, resolvi fazer uma lista de coisas que me tiraram de ressacas literárias anteriores para que assim, quem sabe, eu consiga encontrar forças para superar essa, e claro, ajudar quem também está passando por isso.

Primeira dica, NÃO SE FORCE A LER NADA. Não é porque você gosta de livros que você precisa estar lendo o tempo todo, e geralmente quando nos forçamos a alguma coisa, acabamos nos irritando e perdendo ainda mais a vontade de ler. Vai me dizer que você gostava daqueles livros obrigatórios da época da escola/faculdade? Talvez se você os tivesse lido em outra época da vida, por livre e espontânea vontade, você os teria aproveitado muito mais.

PROCURE LER SOBRE UM TEMA QUE VOCÊ GOSTE MUITO. Vá até sua estante no Skoob ou Goodreads e comece a analisar os seus livros favoritos, veja o que há em comum entre eles, quais foram os pontos que mais gostou, depois disso, comece a pesquisar. Nessas próprias redes sociais você consegue encontrar outros livros que sejam relacionados a esses mesmos temas. Sem falar que essa é uma grande oportunidade de conhecer livros novos que também podem vir a se tornar favoritos no futuro.

Talvez a ressaca literária pode criar uma barreira que fará com que você não se sinta confortável ao ler um livro mais denso, então que tal ler algo mais leve? LER REVISTAS OU HQs podem ser uma boa saída, pois geralmente são leituras mais rápidas que não exigem muito tempo e dedicação. Outra coisa que costuma funcionar comigo é RELER TRECHOS DE LIVROS FAVORITOS. Você não precisa ler o livro todo, pode ser só um capítulo, aquele que mais lhe marcou, ou então aquele que você quase não lembra o que aconteceu. Além de sentir aquela de nostalgia gostosa, você pode acabar tendo uma outra visão da história e perceber coisas que não tinha percebido quando leu da primeira vez.

CONVERSE COM SEUS AMIGOS SOBRE LIVROS QUE QUE ELES JÁ LERAM. Quem gosta muito de ler tende a fazer amizades com pessoas que também gostam, e eu tenho certeza que esses amigos vivem fazendo indicações literárias. Particularmente, eu gosto muito quando meus amigos me indicam livros, porque geralmente eles conhecem bem as minhas preferências e vão me indicar coisas que provavelmente eu vou gostar. E é melhor ainda se esse amigo tem um alto poder de persuasão, porque assim que a conversa termina, sua vontade é sair correndo e começar a ler o livro indicado, rs.

E para finalizar, ESCREVA. Talvez a sua necessidade no momento não seja absorver novas histórias, e sim colocar para fora todas aquelas que você tem guardadas dentro de si. Crie seu próprio mundo, seus personagens, seus detalhes. Pode ser um livro completo ou só um conto. Mesmo que não queira mostrar para ninguém o que escreveu, garanto que será uma experiência diferente e você pode acabar descobrindo um dom que você mesmo não sabia que tinha.

Bom, depois de todas essas dicas e respondendo à pergunta lá de cima, NÃO, você não está perdendo seu amor pela leitura. A ressaca literária não vai durar para sempre. Dê tempo ao tempo e aproveite esta fase, para quando seu momento “louco dos livros” voltar, você poder mergulhar de cabeça nas páginas amareladas sem arrependimento.

Espero que eu tenha lhe ajudado (e me ajudado também, por que não?) e que essa ressaca passe logo ^^

A ressaca literária me pegou, e agora