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Resenha – Tudo O Que Nunca Contei

Por Thales Eduardo
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22 de agosto

Título: Tudo O Que Nunca Contei
Título original: Everything I Never Told You
Autor: Celeste NG
Tradução: Julia Sobral Campos
Editora: Intrínseca
Páginas: 304
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“Não sabia explicar o que havia ocorrido, como tudo mudara em apenas um dia, como alguém que ela tanto amava podia estar ali num minuto e no seguinte não estar.”

Lydia não contou muitas coisas. Nunca contou como se sentia pressionada a seguir um futuro imposto pelos pais, no qual ela nem sabia se era aquilo mesmo que queria. Nunca contou como constantemente colocava os desejos dos outros acima dos próprios. Muitas coisas não ditas que permanecerão para sempre assim, pois agora já é tarde demais. Lydia está morta.

Enquanto a polícia investiga o caso, os Lee descobrirão o pouco que conheciam sobre Lydia. Tudo que imaginavam saber era apenas uma fachada, uma personagem que Lydia manteve para agradar a família.

Os pais só queriam para a filha o que nunca tiveram. A mãe ansiando pela carreira brilhante, enquanto o pai esperava pela popularidade. Os irmãos que eram ignorados percebiam nitidamente quem era a filha preferida. O irmão não via a hora de fugir para sempre daquilo tudo, enquanto a outra irmã só queria passar despercebida e ver a família bem. O que nenhum deles se preocupou era com o que de fato Lydia queria, seus desejos, medos e ambições. 

Agora com a perda, será em meio a dor que repensarão cada caminho que os levaram até aquele momento fatídico. Todas as respostas estão lá, em um gesto, uma ação. A consequência de tudo isso já sabem, agora só precisam entender como chegaram naquela situação.

“As  pessoas formam uma opinião antes de conhecerem você. Elas acham que sabem tudo a seu respeito. Só que você nunca é quem elas pensam.”

Tudo O Que Nunca Contei superou todas as minhas expectativas. Com uma escrita envolvente, Celeste desenvolve uma história profunda e tocante.

De uma forma instantânea, assim que começa leitura o desejo em devorar a trama toma conta do leitor. A narração utilizada pela autora é de uma profundidade imensa, no qual nos presenteia com personagens e situações que fazem o leitor se sentir vivendo aquilo tudo com cada um deles.

A história é ótima, mas tenho certeza que o sucesso desse livro seja em sua maior parte devido a construção textual feito por Celeste. Eu realmente fui fisgado de uma forma muito intensa, no qual a cada capítulo era um misto de sensações e emoções.

Eu poderia continuar com os inúmeros elogios que esse livro merece, mas também sinto que nenhum deles conseguiria explicar o que de fato senti com a leitura. Então, peço simplesmente que você leia e entenderá do que estou falando. 

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Resenha – Meus Dias Com Você

Por Thales Eduardo
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18 de agosto
Título:  Meus Dias Com Você
Título original: Before You Go
Autora: Clare Swatman
Tradução: Simone Reisner
Editora: Arqueiro

Páginas: 288
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“O que você faz quando acorda em sua vida antiga? Existe algum manual, um conjunto de regras a seguir? E quanto tempo vai durar até eu voltar à vida real? Um dia, uma semana, um mês? Para sempre?”

O fim pode ser agora, amanhã ou depois. Não somos avisados com antecedência, ele chega de repente. Zoe não fazia ideia, mas naquela manhã de poucas palavras com o marido, ele sairia para nunca mais voltar. O fim chegou de forma abrupta para Ed e agora Zoe sente o peso de todas as palavras que um dia já disse e das muitas outras que gostaria de ter dito. Era para ser o fim, mas o que aconteceu foi um grande e inesperado recomeço.

Após um acesso de raiva e luto pela morte do marido, Zoe cai e batendo com a cabeça. Ao acordar, ela percebe que voltou no tempo, para o dia em que conheceu Ed. O que seria isso? Será que ganhou uma segunda chance?

Em meios as dúvidas, Zoe revive dias importantes e que marcaram de alguma forma o casal. Quanto mais o tempo vai passando, maior a urgência em entender o que está acontecendo e o que Zoe pode fazer para mudar o futuro trágico do marido.

E se ela alterasse alguns detalhes desses dias? Zoe não está disposta a perder novamente seu amor. Além de tentar salvá-lo, ela busca não repetir os erros do passado. Não importa se é apenas uma alucinação, uma segunda chance ou seja lá qual a outra explicação que possa ter, o tempo está passando e se algo não mudar, o final disso tudo Zoe já sabe muito bem.

“Eu sei que, aconteça o que acontecer, algo está prestes a mudar. Eu só gostaria de saber o quê.”

Muitas vezes imaginamos um cenário em que haja segundas chances, em que possamos corrigir o que não estava certo e ainda poder viver novamente aqueles momentos que nos marcaram ao longo da vida. Clare Swatman parte desse desejo universal e nos envolve com uma obra emocionante.

De uma forma muito bem apresentada, a autora cria uma trama que conquista o leitor desde o início. Sofremos nos capítulos iniciais com a personagem principal, até que surge toda a emoção em ter uma nova oportunidade e ainda há a tensão em saber qual será o impacto disso tudo no presente.

O casal tem um desenvolvimento interessante e realístico, retratando o caso de muitos que partem de uma grande paixão e acabam em um ponto de não reconhecerem mais a pessoa que está ao seu lado. A autora narra bons e maus momentos, os felizes e os tristes, tudo para trazer o máximo de realidade para a história.

Por mais que não haja grandes reviravoltas no decorrer da história, o leitor acompanha tenso junto com a personagem a troca dos capítulos. Assim como Zoe, que vai dormir sem saber como será o próximo dia, iniciamos um novo capítulo ansiosos para saber qual será o próximo rumo da trama.

Fique preparado para um misto de sentimentos, no qual você será fortemente arrebatado pela leitura. Ficar indiferente ao que está sendo narrado é inevitável, o leitor faz parte da jornada proposta pela autora. E é com isso tudo que vamos perceber que o final é apenas o inicio para algo diferente.

“Não posso deixar de alimentar a esperança de que, de alguma forma, isso signifique que tudo mudou.”

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Resenha – O Que Não Diz A Lenda

Por Thila Barto
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14 de agosto

Título: O Que Não Diz A Lenda
Autora: Christine M.
Editora: Underworld
Páginas: 320
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“Nadar te faz querer chegar a algum lugar e eu não conseguia nem tocar o fundo e nem voltar à tona. Perder-se te faz se afogar e eu já estava ficando sem ar”

 

Resenha:
Como lidar com essa escrevedora que acaba comigo toda vez que leio algo dela?…

O livro me fez pensar muito. Cheguei até a andar no sentido errado do metrô, quase indo até o final da linha, me questionando sobre o mundo, minhas escolhas e atitudes. O motivo?

O Que Não Diz a Lenda retrata um mundo pós-apocalíptico onde temos três grandes potências: Rússia, China e Estados Unidos. Vários desastres naturais em larga escala começam a acontecer e destruir cidades inteiras. Mas qual seria o motivo da Terra estar se voltando contra ela mesma? O próprio ego do ser humano.

Os desastres foram causados na tentativa de criar uma nova arma geofísica através de antenas que se estendiam por incontáveis metros em direção ao centro da Terra com o objetivo de repreender e controlar os demais. Realmente assustador!

Após uma série de acontecimentos que vai desde a China nomeando os Estados Unidos como autor de todos os ataques, o início da Terceira Guerra Mundial, até um certo acordo de ‘paz’, o mundo fica sob o controle das três potências que implantam um regime de ditadura cruel, com o poder nas mãos dos militares que supervisionam uma população que luta para sobreviver perante as inúmeras regras, miséria e sofrimento.

Nesse cenário caótico, temos Alice, filha de um casal totalmente inesperado: um militar americano e uma guerrilheira que fez história na tentativa de achar soluções para a destruição das antenas.

Com a morte de sua mãe poucos dias após seu nascimento, Alice e seu irmão, Henry, são mandados para o Brasil por seu pai para viverem com a família Martins com novas identidades para afastá-los, pelo menos em parte, da enorme confusão que se alastrava pelo mundo.

Anos se passam e, ao contrário de Henry que se juntou a guerrilha, Alice se torna uma professora de artes em uma Unidade Militar de Terapia Alternativa para soldados que sofreram traumas durante a guerra e logo depois se casa com um militar: o Coronel Hawk.

Tudo parecia bem, ou pelo menos tolerável e confortável, mas pessoas começam a aparecer na sua vida para observá-la ou para ajudá-la de alguma forma e, de uma hora pra outra, ela se vê numa enorme confusão quando seu próprio marido a entrega nas mãos de torturares que faziam perguntas que não sabia responder.

Quem era Coronel Hawk? No que ela tinha se metido? Tudo isso tinha relação com sua verdadeira identidade? Qual o legado que sua mãe deixou?… Essas são perguntas que serão respondidas somente durante a leitura 😉

 

A expressão ‘que loucura’ define muito minha experiência com O Que Não Diz A Lenda, primeiro porque eu já tinha lido todos os outros livros da autora, o Enquanto a Chuva Caía, Sob a Luz dos Seus Olhos, Sob Um Milhão de Estrelas e todos os outros. Então quando iniciei a leitura eu fiquei: O quêeee? Chris Melo, Christine M. ou como você preferir, escrevendo um livro onde o futuro da humanidade está em jogo, com tecnologias, guerras, esse caos todo e ainda com gostinho de que terá continuação? Fiquei chocadíssima! Não pelo lado negativo e sim trocentas mil vezes pelo positivo! É arrasadora demais essa escrevedora que consegue escrever de tudo com uma intensidade e maestria sem fim!!!!

Chris Melo, eu te idolatro!

O livro me surpreendeu gigantescamente. Sem falar que achei curioso demais o cenário que criei na minha cabeça que foi totalmente o contrário do de outros livros de distopia ou com ideias futurísticas que sempre são repletos de tecnologias sem fim, como celulares que fazem de tudo, onde chaves não existem já que tudo é liberado por digitais, prédios altíssimos, carros que voam e derivados. Imaginei um cenário quase igual ao nosso atual, mas anos antes, com arquitetura e vestuários dos anos 30 e 40. Louco né? E isso me deixou ainda mais apreensiva e pensativa pois tudo no livro poderia estar acontecendo agora!

Senti de tudo: desespero, ódio, amor, revolta, ri, chorei, entrei em estado de choque, minha gastrite nervosa atacou, me perdi no caminho que faço várias vezes por semana no metrô – como disse no início da resenha – e, mesmo terminando o livro encolhida na cama abraçando um enorme travesseiro, com o óculos jogado do meu lado, presa em uma série de pensamentos insanos sobre a loucura que está o mundo e destruída emocionalmente e psicologicamente, me recuperei depois de longos minutos, e disse: to pronta pra outra! (Entendeu o recado né, Chris? Rsrs)

Leiam, leiam E LEIAAAM

“A parte que eu escolho não dizer em voz alta é a parte mais importante do que eu sinto. Tudo o que não consegue virar palavra é porque é grande demais para ganhar um nome.”

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Resenha – Bem-vindo À Vida Real

Por Thales Eduardo
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11 de agosto
Título: Bem-vindo À Vida Real
Título original: Cure For The Common Universe
Autor: Christian McKay Heidicker
Tradução: Glenda D’Oliveira
Editora: Intrínseca

Páginas: 320
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“Queria sair do meu próprio corpo. Queria abandonar o personagem chamado Jaxon e recomeçar do zero com outro.”

Jaxon é completamente viciado em jogos eletrônicos, sendo que ele passa maior parte do seu tempo no quarto jogando. Apesar de a família não aceitar, Jaxon não vê o que há de errado nisso. Seria tão errado assim fugir para a realidade virtual, quando sua própria vida não fosse nada animadora?

No momento em  que ele é obrigado a levar o carro para lavar, Jaxon não imaginava que conheceria Serena, uma garota interessante e bonita, e que voltaria para casa com um encontro marcado. Mas todos os seus planos vão por água abaixo quando ele descobre que seu pai o internou em uma clínica para viciados em jogos.

A reabilitação na clínica é projetada como um jogo, no qual os jogadores (pacientes) precisam atingir determinada pontuação para ganharem liberdade. Jaxon não tem muito tempo, precisa conseguir pontos o quanto antes para que posso chegar a tempo do encontro.

Muita aventura o aguarda, sem falar que ele perceberá que a vida real pode não ser tão simples quanto um jogo qualquer, e que o seu maior desafio será encarar essa nova realidade.

“- Não sou um gamer; sou o protagonista do jogo da vida.
E, simples assim, passei a ser um deles.”

Cheguei até esse livro através de Excesso de Luz, um conto incrível do autor disponibilizado em formato e-book gratuito pela Editora Intrínseca (aqui). Um conto curto, mas que me conquistou de uma maneira instantânea. Com o livro não foi diferente.

A começar pela leitura, que flui de uma maneira rápida e envolvente. A habilidade do autor em sua narração é nítida, prendendo a atenção do leitor. Ele utiliza muito bem do humor e de inúmeras referências ao universo dos jogos que completam a obra de uma forma perfeita.

Apesar de não conhecer muitos dos jogos citados, em nenhum momento me senti perdido ou deslocado. Foi ainda mais interessante mesclar leitura com pesquisa e ir descobrindo coisas novas a cada capítulo.

Sobre a trama, não há o que reclamar. A construção e desenvolvimento de cada personagem foi bem sincronizada, tanto que muito dos personagens secundários são importantes para o amadurecimento do próprio protagonista. E por falar nele, Jaxon me deixou com raiva em muitos momentos, mas também revelou o quanto podemos ser egoístas e egocêntricos.

O meu problema é maior que o do outro. Eu sofro mais que o outro. EU, EU, EU. Cada vez está mais difícil ouvir, já que as pessoas acreditam que há muito mais para falar. Precisamos falar sobre o que estamos vivendo, passando, lutando, mas em poucos momentos nos solidarizamos com o ouvinte, com os demais seres ao nosso redor. O livro retrata muito bem essa ideia, além de muitas outras mensagens presentes ao longo dos capítulos.

Pode não ser um livro revelador que te marcará por anos, mas, ainda assim, Bem-vindo À Vida Real proporcionará momentos agradáveis e descontraídos de leitura, além de provocar uma série de reflexões no próprio leitor.

“Esse conforto conforto gerado digitalmente pode nos fazer negligenciar nossos relacionamentos reais, nos deixando ainda mais isolados. Hoje, eu quero saber: o que faz vocês se sentirem sozinhos?”

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Resenha – Destinos e Fúrias

Por Thales Eduardo
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7 de agosto

Título: Destinos e Fúrias
Título original: Fates And Furies
Autor: Lauren Groff
Tradução: Adalgisa Campos da Silva
Editora: Intrínseca
Páginas: 368
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“Narrar é construir uma paisagem, e tragédia é comédia é drama. Só depende de como a pessoa emoldura o que está vendo.”

Lotto e Mathilde. Dois jovens. Duas histórias. Um casamento.

Destinos. Lotto nasceu regado de regalias e muito dinheiro. Entretanto, as coisas perdem o sentido quando seu pai morre. Um grande choque para o garoto. Os anos passam e Lotto descobre a paixão pela arte e pelos palcos. Até que surge em sua vida Mathilde. É amor a primeira vista, logo estão juntos. Um casal explosivo, cheio de vida e com muitas oportunidades pela frente.

Fúrias. Mathilde é uma mulher de atitude, sabe e vai atrás do que quer. A vida não foi fácil para a jovem. Segredos cercam seu passado. Quando conhece Lotto, ela vê a possibilidade de um futuro melhor e de criar sua própria família.

Os anos passos, a realidade não é aquilo que ambos esperavam. Sonhos não se realizam fácil, muitas vezes nem se realizam. Lotto e Mathilde já não são mais os mesmo. A visão que cada um tem do outro é agora apenas uma sombra do que foi um dia. Como manter algo que vem desmoronando a cada dia?

Verdades, mentiras. Cada um lutando para manter as esperanças, e o casamento também.

“Casamento é feito de mentiras. Bondosas, em geral. Omissões. Se disséssemos em voz alta as coisas que pensamos todo dia sobre nosso cônjuge, acabaríamos esmagando a pessoa até virar pasta.”

Com uma profunda narrativa, Destinos e Fúrias nos leva através do anos mostrando como mudamos e somos mudados. Cada escolha molda o nosso destino.

Tudo começa repleto de amor e paixão. Um casal de dar inveja em qualquer um. Até que os problemas surgem e vão lentamente afetando o casamento. O que fazer quando você não reconhece mais a pessoa que está do seu lado?

Em sua obra, Lauren Groff divaga sobre os diversos dramas e dilemas que enfrentamos. Ela constrói muito bem cada personagem, desde a infância até a vida adulta. Essa progressão dos personagens é um grande ponto positivo do livro, pois assim podemos perceber nitidamente como mudamos ao longo dos anos, querendo ou não.

O livro é dividido em duas partes: Destinos e Fúrias. Em Destinos, a narração é segundo a percepção de Lotto dos fatos. Já em Fúrias conhecemos de fato Mathilde e todos os mistérios que cercam a personagem. A primeira parte do livro flui de uma maneira incrível. A vontade de querer saber mais é gigante. Lotto é um protagonista com presença muito forte e nos conquista. Já na segunda parte, que apesar de ser muito aguardada também, senti uma narrativa mais cansativa. Mas ainda assim, Mathilde surpreende o leitor.

Acredito que não se pode comparar Destinos e Fúrias a nenhum outro livro. É uma leitura única, densa e bem explorada. Reflexões durante a leitura são inevitáveis.

Mas não pense que o livro é apenas sobre casamento. Há tanto mistérios e histórias paralelas que o leitor fica ansioso por cada novo capítulo.

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Resenha – Baseado Em Fatos Reais

Por Thales Eduardo
|
3 de agosto

Título: Baseado Em Fatos Reais
Título original: D’après une histoire vraie
Autora: Delphine De Vigan
Tradução: Carolina Selvatici
Editora: Intrínseca
Páginas: 256
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“Hoje sei que L. foi o único motivo da minha impotência. E que os dois anos que nos ligaram quase me calaram para sempre.”

Só fui perceber como era difícil de falar sobre Baseado Em Fatos Reais quando parei para escrever essa resenha. Comecei, apaguei. Comecei, apaguei. E fiquei nesse ciclo por algum tempo. Cogitei até mesmo não fazer.

A razão de tudo isso? Esse não é um livro qualquer, com alguma história clichê que já estamos cheios. Muito pelo contrário. Delphine surpreende e conquista a cada página. Lentamente, ela nos cerca com sua narração, trazendo a sensação de que o leitor é um dos personagens e está acompanhando junto o desenrolar dos fatos.

Em Baseado Em Fatos Reais, Delphine faz uma análise de um fato passado. O seu encontro com a ghost writer L. e o seu quase fim de carreira.

Após o grande sucesso da sua auto biografia, a autora se vê presa no grande dilema de o que escrever em seguida. Como superar uma obra que agradou tanto assim os fãs. Delphine sente a pressão, de si própria, dos demais, todos esperando pelo próximo passo da autora.

E é durante esse período que ela conhece L.. Sempre disponível e prestativa, L. se mostra uma grande amiga para Delphine. A cada dia que passa, elas vão ganhando mais intimidade, a ponto da autora revelar todos seus medos e anseios para a amiga.

Mas não há reciprocidade. L. suga todas as informações de Delphine, mas quando é sobre si mesma, ela se cala, dá informações vagas.

Quando tudo isso estava acontecendo, Delphine não percebia os sinais suspeitos dessa relação. Mas agora que já passou por tudo e nos conta como foi, ela permite-se fazer comentários a cerca de determinados fatos.

Um relação de abuso, poder e influência. Relação essa que deixará marcas para sempre.

“Existe uma grande diferença entre o que você está sentindo, a maneira como se vê e a imagem que passa.”

Relativamente curto, Baseado Em Fatos Reais é composto por capítulos rápidos, que trazem dinâmica para o livro. Ainda assim, Delphine nos presenteia com uma narração profunda e rica.

A obra mescla o drama com suspense, deixando o leitor angustiado para saber até que ponto aquela “amizade” irá e quais serão as consequências disso.

Talvez muitos já suspeitavam do tal final, mas ainda assim Delphine surpreende na forma em que descreve e amarra tudo. As pistas estavam desde o primeiro capítulo e após o encerramento é que percebemos como tudo foi muito bem planejado pela autora.

Baseado Em Fatos Reais gera uma inquietação no leitor e não passará em branco. Você certamente irá repensar muitas coisas, chegando até questionar se não possui uma L. em sua vida.

“A escrita é muito mais poderosa do que você possa imaginar. A escrita é uma arma de defesa, de fogo, de sinalização, a escrita é uma granada, um míssil, um lança-chamas, uma arma de guerra. Ela pode devastar tudo, mas também pode reconstruir.”

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Resenha – O Duelo dos Imortais

Por Thila Barto
|
1 de agosto

Título: O Duelo dos Imortais
Título original: Reignited
Autor: Colleen Houck
Tradução: Ana Ban
Editora: Arqueiro
Páginas: 112
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“Aquilo que estavam fazendo era algo louco, impulsivo. Mas por acaso o amor não era uma forma de loucura?”

Resenha:

Como não amar Colleen Houck?

Gosto muito dos livros da autora não só pelo fato de sua escrita ser extremamente cativante mas também por estar sempre lidando com um assunto que me interessa muito: mitologia. Claro que há vários autores escrevendo sobre o tema e algumas vezes encontramos até algumas contradições se formos comparar o que é escrito por cada um, entretanto os livros de Colleen Houck sempre me surpreendem e, com ‘O Duelo Dos Imortais’, não foi diferente.

Confesso que tive um experiência um tanto bizarra com esse livro pois iniciei a leitura pensando que era o terceiro e último da série ‘Deuses do Egito’. Bem poser! Eu sei! Cheguei a estranhar o tamanho do livro, pois são apenas 112 páginas, então eu já estava mirabolando em como a Colleen iria conseguir finalizar a série com pouquíssimas páginas. Só depois de ler uns três capítulos fui perceber que era uma história a parte da série e foi aí que entrou a ‘experiência bizarra’ pois eu A D O R E I esse livro muito mais do que os da série em si, rsrs. Terminei com um desejo enorme de saber mais.

Então fica o alerta para pessoas aéreas como eu: Este não é o terceiro livro da série!

No decorrer dos dois primeiros livros da saga, ficamos a par de profecias, quais são os talentos e poderes de cada deus e como eles estão envolvidos com os personagens da história, mas raramente os motivos e como tudo surgiu é falado detalhadamente na narrativa. 

O Duelo Dos Imortais é sobre esses detalhes; do surgimento do amor proibido entre Ísis e Osíris; de como esse relacionamento intensificou o pior lado de Seth que, além de ter sido reprimido e desprezado pelos demais ao longo dos anos pela ausência de poderes significativos, sempre desejou Ísis, desenvolvendo assim um ciúme doentio e uma aversão profunda a Osíris; de como ele descobriu seu poder e decidiu usá-lo para vingar-se e mostrar a todos o quão poderoso era; é sobre Amon-Rá, Néftis, as Águas do Caos, a vida em Heliópolis e a relação entre mortais e deuses junto de seus sonhos, aspirações e inseguranças.

Depois da leitura, que no meu caso bastou uma única sentada, conseguimos compreender os motivos que levaram o aprisionamento de Seth e a profecia lançada sobre os três Filhos do Egito para manter o equilíbrio do Cosmos.

Mesmo amando o livro, admito que passei nervoso em algumas cenas pois Seth, cego para provar que era o mais poderoso entre todos e conseguir o que queria, tinha pensamentos tãaao machistas que hora ou outra precisei fechar o livro por alguns segundos e respirar fundo para continuar a leitura. Cheguei até ficar preocupada se Colleen não ia contestar de alguma forma esse tipo de pensamento… 

“Se nós, mortais, não tivéssemos nada a que aspirar, desistiríamos e ficaríamos deitados na cama. Não há razão para não ir atrás de sonhos. Todo mundo tem o direito de sonhar com algo mais.”

Só me resta dizer, para não me estender mais e correr o risco de soltar algum spoiler desnecessário: leiam, leiam e LEIAM 

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Resenha – Eu Sou A Lenda

Por Thales Eduardo
|
25 de julho

Título: Eu Sou a Lenda
Título original: I Am Legend
Autor: Richard Matheson
Tradução: Delfin
Editora: Aleph
Páginas: 384
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“O mundo se tornou louco, pensou. Os mortos andam por aí e eu acho isso normal.”

Em 1975 uma praga devastadora transformou para sempre a vida na Terra. Ninguém encontrou a razão nem mesmo uma cura para o que estava acontecendo e, assim, toda população terrestre acabou morta. Todos menos um.

Robert Neville, que não sabe exatamente o porquê de ser imune à praga é o último ser humano. Pelo menos é isso que ele acredita.

Entretanto as pessoas não apenas morreram, elas voltaram na forma de vampiros.

Após quase um ano sem nenhum contato humano, Neville continua resistindo. Ele organizou sua casa criando um sistema que permite sua sobrevivência mas também que repele todas as noites os vampiros que, ansiosamente, o cercam aguardando ter o prazer de lhe pegarem.

Neville passa seus dias buscando encontrar uma explicação lógica para tudo que aconteceu alguns meses atrás e também sente o isolamento constante da sua vida atual.

Mas as coisas nem sempre são tão ruins que não possam piorar, e Neville está prestes a descobrir que aquilo que ele tanto esperava poderá colocar tudo que ele construiu em risco, até mesmo sua própria vida!

“Em um mundo de terror monótono, não podia haver salvação, nem nos sonhos mais loucos.”

Richard Matheson lançou esse livro em 1954, se tornando um clássico que influenciou alguns escritores importantes, como por exemplo, Stephen King.

Mesmo com mais de 50 anos, esta obra não perde seu poder. A história criada por Matheson é um tanto quanto curiosa. Nada de zumbis, o fim do mundo aqui foi causado pelos vampiros, daqueles bem mortíferos que estão em falta na literatura atualmente.

O protagonista foi muito bem criado e mesmo com toda a solidão temos muitos diálogos engraçados que o personagem tem com ele próprio. Esse livro trata também da questão do isolamento. Como isso afeta a vida das pessoas, influenciando drasticamente seus atos.

As partes de suspense são muito bem criadas e prendem o leitor. O único fato que talvez possa incomodar os que buscam isso no livro é exatamente a falta de mais cenas assim. Por exemplo, todas as noites os vampiros cercam a casa de Neville, mas ainda assim você não sente a tensão que deveria sentir. Isso porque conforme é narrado, a casa aparentemente não corre o risco de ser invadida.

“Um homem pode se acostumar com qualquer coisa, se for obrigado a isso.”

Ao decorrer da história vamos descobrindo alguns fatos do inicio dessa praga e em como isso afetou a vida do protagonista. Essa é uma forma de entender todo o sofrimento e crise existencial que o personagem sofre. A solidão absoluta não é algo fácil de ser lidada.

Outro fato que surpreende são as explicações para a praga que assolou o mundo. O protagonista ao fazer uma análise do que aconteceu, acaba desenvolvendo uma teoria que explica tudo. Então, diferente do que ocorre em muitas outras obras, nessa ao terminar você saberá o que de fato causou tudo. Claro que superficialmente, mas ainda assim já é satisfatório.

Está edição da editora Aleph está primorosa, com capa dura e uma diagramação incrível rendendo longos momentos de apreciação. Há também alguns materiais extras interessantes e que tornam a obra ainda mais valiosa.

Matheson conduz a história de uma forma impressionante com um final que supera todas as expectativas. Leia e surpreenda-se!

“Um novo terror nascido na morte, uma nova superstição entrando na fortaleza inexpugnável da eternidade. Eu sou a lenda.”

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Resenha – Tigres Em Dia Vermelho

Por Thila Barto
|
20 de julho
Título: Tigres Em Dia Vermelho
Título Original: Tigers In Red Weather 
Autor(a): Liza Klaussmann
Tradutor(a): Adalgisa Campos da Silva
Editora: Intrínseca
Ano: 2013
Páginas: 320
Perfil no Skoob: aqui

 

“Às vezes, pessoas assim precisam ser obrigadas a ver como pode ser perigoso o próprio comportamento. Entende o que eu quero dizer?”

 

Gente! Deixa eu falar uma coisa pra vocês, ou melhor, algumas:

Primeiro: Muito drama de minha parte rolará nessa resenha que mal começou mas que já tenho certeza que será esquisita. Desculpa. Pode abandoná-la sem problema algum.

Segundo: São mais de 3 horas da manhã e já faz duas horas e meia que terminei esse livro e precisei ligar meu computador pra falar/digitar sobre a terceira coisa que estou prestes a dizer pois EU NÃO ESTOU SABENDO LIDAR!….

QUE FINAL É ESSE, SRA KLAUSSMANN?

Não estou aqui para dar spoilers. Eu O-D-E-I-O spoilers, mas estou aqui pra dizer que estou me sentido a pessoa mais estúpida deste Universo inteiro pois – eu confesso sem vergonha alguma…aaa, quem eu estou querendo enganar…- EU NÃO ENTENDI O FINAL! Ou entendi e não quero aceitar… To confusa! REAL! Alguém me socoooorrreee!

Cheguei a fazer o que uma pessoa normal tem o costume de fazer em um momento como esse: Gogglei! E, caros, não me ajudou! Só me deixou um tanto mais louca por ler várias opiniões diversas… Eu, sinceramente, não sei se gostei ou não, entretanto uma coisa é fato: o livro me deixou maluuuuca!

Ele começa com duas primas, Nick e Helena, que são totalmente opostas mas inseparáveis em pleno período de guerra. As duas sonham com uma vida melhor. Em serem muito felizes.

Com o fim da guerra, Nick parte para Flórida com o marido, Hughes, um oficial da marinha, e Helena para Califórnia com o novo marido. Tudo parecia bem, mas a vida que esperavam levar estava longe de ser como em seus sonhos. O brilho se perdeu e, mesmo com diversas decepções, ambas continuam tentando levar a vida da melhor maneira possível. Uma recorre à cozinha e ao discos de jazz e a outra ao uísque e remédios para dormir. 

Anos se passam e todos começam a se reunir durante o verão na tão amada casa de família localizada na ilha Martha’s Vineyard, a Tiger House, em busca de conforto e felicidade; como uma fuga da vida de aparências e monótona que levavam. A estrutura da família é abalada mais ainda quando os filhos de Nick e Helena, Daisy e Ed, se deparam com o corpo de uma mulher cruelmente assassinada em uma das idas à Tiger House. Quem é o assassino?…

A partir daí, o livro foca nos próximos verões que todos passam juntos na casa, como o assassinato e, claro, mais alguns outros acontecimentos, influenciaram na vida de cada um. Relacionamentos começam ruir, inclusive a forte amizade de Nick e Helena, indo do amor ao ódio.

Para entender o lado de todos os personagens, o livro é separado em cinco partes, começando com a visão de Nick , depois Daisy, Helena, Hughes e, por fim, Ed. Somente a parte de Ed é narrada em primeira pessoa. 

Além da alternação de personagens, os capítulos não são lineares. Em alguns momentos somos levados ao passado para que um segredo que alguém carrega seja revelado, ou porque um mesmo acontecimento precisa ser narrado na visão de outro personagem.

Comecei o livro empolgadíssima. Não conseguia largar de jeito nenhum. Porém, do meio para o final , eu já não me sentia muito interessada. É legal ver a mesma cena na visão de várias pessoas, mas chegou uma hora que eu ficava: ‘Nossa, isso de novo’. Além da repetição, as decisões dos personagens me irritavam tanto, principalmente as de Helena. Eram tantas contradições que eu tinha vontade de tacar o livro na parede.

O interesse voltou no início da quinta parte e, quando percebi que faltavam apenas 30 páginas pra acabar o livro, bateu o desespero, porque muita coisa ainda não tinha sido revelada… praticamente nada. É claro que no decorrer da leitura imaginamos, deduzimos coisas e ficamos no aguardo das grandes revelações para sabermos se estávamos certos ou para termos surpresas, mas a história não parou de se estender nessas últimas páginas até que, do nada, tudo é ‘cuspido’ de uma vez só e com um fechamento que ODIEI com todas as minhas forças!

Como eu já comentei no início da resenha, eu não sei se entendi o final… e do jeito que entendi, achei que não houve justiça alguma e que a situação da família foi piorada e não melhorada. Não que um livro tenha que ter um final feliz… Eu só queria bons motivos para terminar assim, e se teve, eu não soube enxergar! 

AAAAAAAH, que frustração.

Resumindo: Acho que não gostei. Achei esquisito. Mas eu gostei! Kkkkkk, desculpa ser tão confusa em dar minha opinião, mas é exatamente como estou me sentindo.

 

Leiam, POR FAVOR, e dividam comigo suas opiniões pois preciso de uma luz!

🙂

tigesemdiavermelho

Resenha – Mestre das Chamas

Por Thales Eduardo
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17 de julho

Título: Mestre das Chamas
Título original:  The Fireman
Autor: Joe Hill
Tradução: Fernanda Abreu
Editora: Arqueiro
Páginas: 592
Página no Skoob: Clique Aqui!

“Num mundo cheio de coisas que pegam fogo, ninguém desconfia de um bombeiro.”

Em Mestre das Chamas, Joe Hill nos apresenta uma pandemia que coloca em risco toda a existência humana. Escama de dragão, como é conhecida, causa a combustão espontânea do infectado. Isso mesmo, a pessoa portadora da doença, ao atingir certo nível de infecção, pega fogo, queimando a si mesma e a tudo que está ao seu redor. Não há respostas, ajuda ou solução. Não há cura.

Quando Harper apresenta marcas pelo corpo, um dos sinais da doença, ela sabe que é o seu fim. Mas ela tem ainda uma outra grande descoberta, está esperando um bebê. Grávida e infectada, ela só quer salvar seu filho. Entretanto não poderá contar com a ajuda do marido, que a abandonou (por assim dizer, mais detalhes no livro).

Tudo que ela sabe sobre a doença é colocado em cheque quando ela encontra o bombeiro, um indivíduo que consegue controlar as chamas e usá-las para salvar aqueles que precisam. Mesmo sendo portador, ele de alguma forma encontrou uma maneira de comandar a doença transformando ela em uma arma.

É através dele que Harper encontra um grupo de pessoas, todas infectadas, que apesar de não terem as mesmas habilidades do bombeiro, conseguiram também sobreviver ao que era pra ser fatal.

Só que o caos já espalhou pelo mundo e ninguém sabe nada sobre a doença, então grupos de extermínio se formam e saem em busca dos infectados. Além do perigo externo, Harper nota que a própria comunidade não vive tão em harmonia como aparenta. É um efeito dominó, no qual tudo está ruindo. Só resta saber qual será a peça que definirá o fim de todos.

“É preciso cuidar uns dos outros, caso contrário viver é andar sobre cinzas, um fósforo pronto para ser aceso.”

Quando comecei a leitura de Mestre das Chamas não esperava que leitura fosse se tornar tão complicada, enfadonha. Apesar da ótima premissa, Joe Hill não conseguiu me conquistar com sua narrativa, muito menos com os personagens.

Esperava um suspense, um livro que empolgasse. Mas o suspense é contido, no qual leitura segue sem causar muita tensão no leitor. Na capa tem uma citação que diz o seguinte: “Original e envolvente. As páginas viram sozinhas.”. Gostaria de saber se o Martin realmente estava falando desse livro, pois sinceramente, para mim foi totalmente o contrário. A começar pela originalidade, que se conteve apenas na ideia central da trama. Impressão que fiquei foi que Hill utilizou de clichês para moldar sua trama.

Envolvente? Talvez só os primeiros capítulos, mas quando passam cem páginas, cento e cinquenta, e você percebe que nada está acontecendo de fato é difícil manter animação.

Alguns pontos funcionaram, muitos outros não. Terminei leitura frustrado, tentando entender em que ponto da trama minha empolgação se transformou em tédio.

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