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Resenha – Estamos bem

Por Lucas Florentino
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12 de Fevereiro

“Se quem éramos no passado tivesse um vislumbre de nós agora, o que achariam?”

Existem livros que são simplesmente um soco no estomago e você tem que aprender a lidar com eles caso queira chegar até a última página. Ao contrário do que o título propõe, ‘Estamos bem’ foi como cair na toca do coelho, uma solitária queda livre onde os sentimentos mais profundos, aqueles que mais lutamos para esconder, surgem a flor da pele e nos fazem refletir sobre como devemos lidar com os problemas que encontramos durante essa longa caminhada chamada vida.

Nina LaCour nos apresenta Marin, uma misteriosa garota que está prestes a passar o natal sozinha em seu dormitório da universidade. Tudo o que sabemos até aqui é que ela deixou para trás o sol e o calor da Califórnia, assim como alguns fantasmas do passado, e está agora vivendo em meio a fria cidade de Nova York.

Em pouco mais de duzentas páginas e uma narrativa que alterna entre passado e presente, vamos conhecendo mais de Marin e todas as motivações que a levaram a fugir de tudo e todos que conhecia. Não é tanto um livro sobre fatos, mas sim sobre sentimentos.

“Relembrar é a única forma de superar o passado.”

Solidão é um tema recorrente durante toda a história. O clima criado pela autora para mostrar o quanto Marin está sozinha acaba transbordando das páginas e fazendo com que o leitor se sinta da mesma forma. Além disso, perda, luto e dor também tem seus momentos ao decorrer do livro.

Durante toda a leitura conseguimos encontrar alguns diálogos muito poderosos, mas é no silencio das personagens que Nina LaCour consegue colocar para fora tudo aquilo que está impregnado no coração de Marin.

“Eu me pergunto se tem uma corrente secreta que une as pessoas que perderam alguma coisa. Não da forma que todo mundo perde alguma coisa, mas da forma que destrói sua vida, te destrói, e quando você olha para o próprio rosto, não parece mais seu.”

Existe um momento em particular (que é óbvio que não irei contar para não dar spoiler), em que um dos segredos é revelado, que simplesmente me destruiu. Fiquei com um nó na garganta durante dias, mesmo depois de já ter finalizado a leitura. É aquele tipo de situação na qual você tem até medo de se imaginar, mas que muitas vezes acaba não tendo controle, o que torna tudo ainda mais difícil.

Mas não pense que ‘Estamos bem’ é uma montanha-russa que só vai para baixo, existem sim alguns momentos felizes, ou pelo menos uma busca por felicidade e redenção, que faz com que torçamos para que Marin saia desse buraco escuro em que ela se encontra.

Fazia tempo que eu não lia um YA tão bom e que me fizesse trabalhar tanto a minha empatia. Não foi uma leitura fácil, não foi algo que consegui ler de forma rápida, mas com certeza me trouxe muitas reflexões que dificilmente irei esquecer um dia. Nina LaCour conseguiu cumprir o que se propôs a fazer e eu só tenho elogios à ‘Estamos bem’.