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Resenha – Tudo O Que Nunca Contei

Por Thales Eduardo
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22 de agosto

Título: Tudo O Que Nunca Contei
Título original: Everything I Never Told You
Autor: Celeste NG
Tradução: Julia Sobral Campos
Editora: Intrínseca
Páginas: 304
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“Não sabia explicar o que havia ocorrido, como tudo mudara em apenas um dia, como alguém que ela tanto amava podia estar ali num minuto e no seguinte não estar.”

Lydia não contou muitas coisas. Nunca contou como se sentia pressionada a seguir um futuro imposto pelos pais, no qual ela nem sabia se era aquilo mesmo que queria. Nunca contou como constantemente colocava os desejos dos outros acima dos próprios. Muitas coisas não ditas que permanecerão para sempre assim, pois agora já é tarde demais. Lydia está morta.

Enquanto a polícia investiga o caso, os Lee descobrirão o pouco que conheciam sobre Lydia. Tudo que imaginavam saber era apenas uma fachada, uma personagem que Lydia manteve para agradar a família.

Os pais só queriam para a filha o que nunca tiveram. A mãe ansiando pela carreira brilhante, enquanto o pai esperava pela popularidade. Os irmãos que eram ignorados percebiam nitidamente quem era a filha preferida. O irmão não via a hora de fugir para sempre daquilo tudo, enquanto a outra irmã só queria passar despercebida e ver a família bem. O que nenhum deles se preocupou era com o que de fato Lydia queria, seus desejos, medos e ambições. 

Agora com a perda, será em meio a dor que repensarão cada caminho que os levaram até aquele momento fatídico. Todas as respostas estão lá, em um gesto, uma ação. A consequência de tudo isso já sabem, agora só precisam entender como chegaram naquela situação.

“As  pessoas formam uma opinião antes de conhecerem você. Elas acham que sabem tudo a seu respeito. Só que você nunca é quem elas pensam.”

Tudo O Que Nunca Contei superou todas as minhas expectativas. Com uma escrita envolvente, Celeste desenvolve uma história profunda e tocante.

De uma forma instantânea, assim que começa leitura o desejo em devorar a trama toma conta do leitor. A narração utilizada pela autora é de uma profundidade imensa, no qual nos presenteia com personagens e situações que fazem o leitor se sentir vivendo aquilo tudo com cada um deles.

A história é ótima, mas tenho certeza que o sucesso desse livro seja em sua maior parte devido a construção textual feito por Celeste. Eu realmente fui fisgado de uma forma muito intensa, no qual a cada capítulo era um misto de sensações e emoções.

Eu poderia continuar com os inúmeros elogios que esse livro merece, mas também sinto que nenhum deles conseguiria explicar o que de fato senti com a leitura. Então, peço simplesmente que você leia e entenderá do que estou falando. 

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Resenha – Meus Dias Com Você

Por Thales Eduardo
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18 de agosto
Título:  Meus Dias Com Você
Título original: Before You Go
Autora: Clare Swatman
Tradução: Simone Reisner
Editora: Arqueiro

Páginas: 288
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“O que você faz quando acorda em sua vida antiga? Existe algum manual, um conjunto de regras a seguir? E quanto tempo vai durar até eu voltar à vida real? Um dia, uma semana, um mês? Para sempre?”

O fim pode ser agora, amanhã ou depois. Não somos avisados com antecedência, ele chega de repente. Zoe não fazia ideia, mas naquela manhã de poucas palavras com o marido, ele sairia para nunca mais voltar. O fim chegou de forma abrupta para Ed e agora Zoe sente o peso de todas as palavras que um dia já disse e das muitas outras que gostaria de ter dito. Era para ser o fim, mas o que aconteceu foi um grande e inesperado recomeço.

Após um acesso de raiva e luto pela morte do marido, Zoe cai e batendo com a cabeça. Ao acordar, ela percebe que voltou no tempo, para o dia em que conheceu Ed. O que seria isso? Será que ganhou uma segunda chance?

Em meios as dúvidas, Zoe revive dias importantes e que marcaram de alguma forma o casal. Quanto mais o tempo vai passando, maior a urgência em entender o que está acontecendo e o que Zoe pode fazer para mudar o futuro trágico do marido.

E se ela alterasse alguns detalhes desses dias? Zoe não está disposta a perder novamente seu amor. Além de tentar salvá-lo, ela busca não repetir os erros do passado. Não importa se é apenas uma alucinação, uma segunda chance ou seja lá qual a outra explicação que possa ter, o tempo está passando e se algo não mudar, o final disso tudo Zoe já sabe muito bem.

“Eu sei que, aconteça o que acontecer, algo está prestes a mudar. Eu só gostaria de saber o quê.”

Muitas vezes imaginamos um cenário em que haja segundas chances, em que possamos corrigir o que não estava certo e ainda poder viver novamente aqueles momentos que nos marcaram ao longo da vida. Clare Swatman parte desse desejo universal e nos envolve com uma obra emocionante.

De uma forma muito bem apresentada, a autora cria uma trama que conquista o leitor desde o início. Sofremos nos capítulos iniciais com a personagem principal, até que surge toda a emoção em ter uma nova oportunidade e ainda há a tensão em saber qual será o impacto disso tudo no presente.

O casal tem um desenvolvimento interessante e realístico, retratando o caso de muitos que partem de uma grande paixão e acabam em um ponto de não reconhecerem mais a pessoa que está ao seu lado. A autora narra bons e maus momentos, os felizes e os tristes, tudo para trazer o máximo de realidade para a história.

Por mais que não haja grandes reviravoltas no decorrer da história, o leitor acompanha tenso junto com a personagem a troca dos capítulos. Assim como Zoe, que vai dormir sem saber como será o próximo dia, iniciamos um novo capítulo ansiosos para saber qual será o próximo rumo da trama.

Fique preparado para um misto de sentimentos, no qual você será fortemente arrebatado pela leitura. Ficar indiferente ao que está sendo narrado é inevitável, o leitor faz parte da jornada proposta pela autora. E é com isso tudo que vamos perceber que o final é apenas o inicio para algo diferente.

“Não posso deixar de alimentar a esperança de que, de alguma forma, isso signifique que tudo mudou.”

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Resenha – O Que Não Diz A Lenda

Por Thila Barto
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14 de agosto

Título: O Que Não Diz A Lenda
Autora: Christine M.
Editora: Underworld
Páginas: 320
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“Nadar te faz querer chegar a algum lugar e eu não conseguia nem tocar o fundo e nem voltar à tona. Perder-se te faz se afogar e eu já estava ficando sem ar”

 

Resenha:
Como lidar com essa escrevedora que acaba comigo toda vez que leio algo dela?…

O livro me fez pensar muito. Cheguei até a andar no sentido errado do metrô, quase indo até o final da linha, me questionando sobre o mundo, minhas escolhas e atitudes. O motivo?

O Que Não Diz a Lenda retrata um mundo pós-apocalíptico onde temos três grandes potências: Rússia, China e Estados Unidos. Vários desastres naturais em larga escala começam a acontecer e destruir cidades inteiras. Mas qual seria o motivo da Terra estar se voltando contra ela mesma? O próprio ego do ser humano.

Os desastres foram causados na tentativa de criar uma nova arma geofísica através de antenas que se estendiam por incontáveis metros em direção ao centro da Terra com o objetivo de repreender e controlar os demais. Realmente assustador!

Após uma série de acontecimentos que vai desde a China nomeando os Estados Unidos como autor de todos os ataques, o início da Terceira Guerra Mundial, até um certo acordo de ‘paz’, o mundo fica sob o controle das três potências que implantam um regime de ditadura cruel, com o poder nas mãos dos militares que supervisionam uma população que luta para sobreviver perante as inúmeras regras, miséria e sofrimento.

Nesse cenário caótico, temos Alice, filha de um casal totalmente inesperado: um militar americano e uma guerrilheira que fez história na tentativa de achar soluções para a destruição das antenas.

Com a morte de sua mãe poucos dias após seu nascimento, Alice e seu irmão, Henry, são mandados para o Brasil por seu pai para viverem com a família Martins com novas identidades para afastá-los, pelo menos em parte, da enorme confusão que se alastrava pelo mundo.

Anos se passam e, ao contrário de Henry que se juntou a guerrilha, Alice se torna uma professora de artes em uma Unidade Militar de Terapia Alternativa para soldados que sofreram traumas durante a guerra e logo depois se casa com um militar: o Coronel Hawk.

Tudo parecia bem, ou pelo menos tolerável e confortável, mas pessoas começam a aparecer na sua vida para observá-la ou para ajudá-la de alguma forma e, de uma hora pra outra, ela se vê numa enorme confusão quando seu próprio marido a entrega nas mãos de torturares que faziam perguntas que não sabia responder.

Quem era Coronel Hawk? No que ela tinha se metido? Tudo isso tinha relação com sua verdadeira identidade? Qual o legado que sua mãe deixou?… Essas são perguntas que serão respondidas somente durante a leitura 😉

 

A expressão ‘que loucura’ define muito minha experiência com O Que Não Diz A Lenda, primeiro porque eu já tinha lido todos os outros livros da autora, o Enquanto a Chuva Caía, Sob a Luz dos Seus Olhos, Sob Um Milhão de Estrelas e todos os outros. Então quando iniciei a leitura eu fiquei: O quêeee? Chris Melo, Christine M. ou como você preferir, escrevendo um livro onde o futuro da humanidade está em jogo, com tecnologias, guerras, esse caos todo e ainda com gostinho de que terá continuação? Fiquei chocadíssima! Não pelo lado negativo e sim trocentas mil vezes pelo positivo! É arrasadora demais essa escrevedora que consegue escrever de tudo com uma intensidade e maestria sem fim!!!!

Chris Melo, eu te idolatro!

O livro me surpreendeu gigantescamente. Sem falar que achei curioso demais o cenário que criei na minha cabeça que foi totalmente o contrário do de outros livros de distopia ou com ideias futurísticas que sempre são repletos de tecnologias sem fim, como celulares que fazem de tudo, onde chaves não existem já que tudo é liberado por digitais, prédios altíssimos, carros que voam e derivados. Imaginei um cenário quase igual ao nosso atual, mas anos antes, com arquitetura e vestuários dos anos 30 e 40. Louco né? E isso me deixou ainda mais apreensiva e pensativa pois tudo no livro poderia estar acontecendo agora!

Senti de tudo: desespero, ódio, amor, revolta, ri, chorei, entrei em estado de choque, minha gastrite nervosa atacou, me perdi no caminho que faço várias vezes por semana no metrô – como disse no início da resenha – e, mesmo terminando o livro encolhida na cama abraçando um enorme travesseiro, com o óculos jogado do meu lado, presa em uma série de pensamentos insanos sobre a loucura que está o mundo e destruída emocionalmente e psicologicamente, me recuperei depois de longos minutos, e disse: to pronta pra outra! (Entendeu o recado né, Chris? Rsrs)

Leiam, leiam E LEIAAAM

“A parte que eu escolho não dizer em voz alta é a parte mais importante do que eu sinto. Tudo o que não consegue virar palavra é porque é grande demais para ganhar um nome.”

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Resenha – Bem-vindo À Vida Real

Por Thales Eduardo
|
11 de agosto
Título: Bem-vindo À Vida Real
Título original: Cure For The Common Universe
Autor: Christian McKay Heidicker
Tradução: Glenda D’Oliveira
Editora: Intrínseca

Páginas: 320
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“Queria sair do meu próprio corpo. Queria abandonar o personagem chamado Jaxon e recomeçar do zero com outro.”

Jaxon é completamente viciado em jogos eletrônicos, sendo que ele passa maior parte do seu tempo no quarto jogando. Apesar de a família não aceitar, Jaxon não vê o que há de errado nisso. Seria tão errado assim fugir para a realidade virtual, quando sua própria vida não fosse nada animadora?

No momento em  que ele é obrigado a levar o carro para lavar, Jaxon não imaginava que conheceria Serena, uma garota interessante e bonita, e que voltaria para casa com um encontro marcado. Mas todos os seus planos vão por água abaixo quando ele descobre que seu pai o internou em uma clínica para viciados em jogos.

A reabilitação na clínica é projetada como um jogo, no qual os jogadores (pacientes) precisam atingir determinada pontuação para ganharem liberdade. Jaxon não tem muito tempo, precisa conseguir pontos o quanto antes para que posso chegar a tempo do encontro.

Muita aventura o aguarda, sem falar que ele perceberá que a vida real pode não ser tão simples quanto um jogo qualquer, e que o seu maior desafio será encarar essa nova realidade.

“- Não sou um gamer; sou o protagonista do jogo da vida.
E, simples assim, passei a ser um deles.”

Cheguei até esse livro através de Excesso de Luz, um conto incrível do autor disponibilizado em formato e-book gratuito pela Editora Intrínseca (aqui). Um conto curto, mas que me conquistou de uma maneira instantânea. Com o livro não foi diferente.

A começar pela leitura, que flui de uma maneira rápida e envolvente. A habilidade do autor em sua narração é nítida, prendendo a atenção do leitor. Ele utiliza muito bem do humor e de inúmeras referências ao universo dos jogos que completam a obra de uma forma perfeita.

Apesar de não conhecer muitos dos jogos citados, em nenhum momento me senti perdido ou deslocado. Foi ainda mais interessante mesclar leitura com pesquisa e ir descobrindo coisas novas a cada capítulo.

Sobre a trama, não há o que reclamar. A construção e desenvolvimento de cada personagem foi bem sincronizada, tanto que muito dos personagens secundários são importantes para o amadurecimento do próprio protagonista. E por falar nele, Jaxon me deixou com raiva em muitos momentos, mas também revelou o quanto podemos ser egoístas e egocêntricos.

O meu problema é maior que o do outro. Eu sofro mais que o outro. EU, EU, EU. Cada vez está mais difícil ouvir, já que as pessoas acreditam que há muito mais para falar. Precisamos falar sobre o que estamos vivendo, passando, lutando, mas em poucos momentos nos solidarizamos com o ouvinte, com os demais seres ao nosso redor. O livro retrata muito bem essa ideia, além de muitas outras mensagens presentes ao longo dos capítulos.

Pode não ser um livro revelador que te marcará por anos, mas, ainda assim, Bem-vindo À Vida Real proporcionará momentos agradáveis e descontraídos de leitura, além de provocar uma série de reflexões no próprio leitor.

“Esse conforto conforto gerado digitalmente pode nos fazer negligenciar nossos relacionamentos reais, nos deixando ainda mais isolados. Hoje, eu quero saber: o que faz vocês se sentirem sozinhos?”

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Resenha – Tigres Em Dia Vermelho

Por Thila Barto
|
20 de julho
Título: Tigres Em Dia Vermelho
Título Original: Tigers In Red Weather 
Autor(a): Liza Klaussmann
Tradutor(a): Adalgisa Campos da Silva
Editora: Intrínseca
Ano: 2013
Páginas: 320
Perfil no Skoob: aqui

 

“Às vezes, pessoas assim precisam ser obrigadas a ver como pode ser perigoso o próprio comportamento. Entende o que eu quero dizer?”

 

Gente! Deixa eu falar uma coisa pra vocês, ou melhor, algumas:

Primeiro: Muito drama de minha parte rolará nessa resenha que mal começou mas que já tenho certeza que será esquisita. Desculpa. Pode abandoná-la sem problema algum.

Segundo: São mais de 3 horas da manhã e já faz duas horas e meia que terminei esse livro e precisei ligar meu computador pra falar/digitar sobre a terceira coisa que estou prestes a dizer pois EU NÃO ESTOU SABENDO LIDAR!….

QUE FINAL É ESSE, SRA KLAUSSMANN?

Não estou aqui para dar spoilers. Eu O-D-E-I-O spoilers, mas estou aqui pra dizer que estou me sentido a pessoa mais estúpida deste Universo inteiro pois – eu confesso sem vergonha alguma…aaa, quem eu estou querendo enganar…- EU NÃO ENTENDI O FINAL! Ou entendi e não quero aceitar… To confusa! REAL! Alguém me socoooorrreee!

Cheguei a fazer o que uma pessoa normal tem o costume de fazer em um momento como esse: Gogglei! E, caros, não me ajudou! Só me deixou um tanto mais louca por ler várias opiniões diversas… Eu, sinceramente, não sei se gostei ou não, entretanto uma coisa é fato: o livro me deixou maluuuuca!

Ele começa com duas primas, Nick e Helena, que são totalmente opostas mas inseparáveis em pleno período de guerra. As duas sonham com uma vida melhor. Em serem muito felizes.

Com o fim da guerra, Nick parte para Flórida com o marido, Hughes, um oficial da marinha, e Helena para Califórnia com o novo marido. Tudo parecia bem, mas a vida que esperavam levar estava longe de ser como em seus sonhos. O brilho se perdeu e, mesmo com diversas decepções, ambas continuam tentando levar a vida da melhor maneira possível. Uma recorre à cozinha e ao discos de jazz e a outra ao uísque e remédios para dormir. 

Anos se passam e todos começam a se reunir durante o verão na tão amada casa de família localizada na ilha Martha’s Vineyard, a Tiger House, em busca de conforto e felicidade; como uma fuga da vida de aparências e monótona que levavam. A estrutura da família é abalada mais ainda quando os filhos de Nick e Helena, Daisy e Ed, se deparam com o corpo de uma mulher cruelmente assassinada em uma das idas à Tiger House. Quem é o assassino?…

A partir daí, o livro foca nos próximos verões que todos passam juntos na casa, como o assassinato e, claro, mais alguns outros acontecimentos, influenciaram na vida de cada um. Relacionamentos começam ruir, inclusive a forte amizade de Nick e Helena, indo do amor ao ódio.

Para entender o lado de todos os personagens, o livro é separado em cinco partes, começando com a visão de Nick , depois Daisy, Helena, Hughes e, por fim, Ed. Somente a parte de Ed é narrada em primeira pessoa. 

Além da alternação de personagens, os capítulos não são lineares. Em alguns momentos somos levados ao passado para que um segredo que alguém carrega seja revelado, ou porque um mesmo acontecimento precisa ser narrado na visão de outro personagem.

Comecei o livro empolgadíssima. Não conseguia largar de jeito nenhum. Porém, do meio para o final , eu já não me sentia muito interessada. É legal ver a mesma cena na visão de várias pessoas, mas chegou uma hora que eu ficava: ‘Nossa, isso de novo’. Além da repetição, as decisões dos personagens me irritavam tanto, principalmente as de Helena. Eram tantas contradições que eu tinha vontade de tacar o livro na parede.

O interesse voltou no início da quinta parte e, quando percebi que faltavam apenas 30 páginas pra acabar o livro, bateu o desespero, porque muita coisa ainda não tinha sido revelada… praticamente nada. É claro que no decorrer da leitura imaginamos, deduzimos coisas e ficamos no aguardo das grandes revelações para sabermos se estávamos certos ou para termos surpresas, mas a história não parou de se estender nessas últimas páginas até que, do nada, tudo é ‘cuspido’ de uma vez só e com um fechamento que ODIEI com todas as minhas forças!

Como eu já comentei no início da resenha, eu não sei se entendi o final… e do jeito que entendi, achei que não houve justiça alguma e que a situação da família foi piorada e não melhorada. Não que um livro tenha que ter um final feliz… Eu só queria bons motivos para terminar assim, e se teve, eu não soube enxergar! 

AAAAAAAH, que frustração.

Resumindo: Acho que não gostei. Achei esquisito. Mas eu gostei! Kkkkkk, desculpa ser tão confusa em dar minha opinião, mas é exatamente como estou me sentindo.

 

Leiam, POR FAVOR, e dividam comigo suas opiniões pois preciso de uma luz!

🙂

tigesemdiavermelho

Resenha – Mestre das Chamas

Por Thales Eduardo
|
17 de julho

Título: Mestre das Chamas
Título original:  The Fireman
Autor: Joe Hill
Tradução: Fernanda Abreu
Editora: Arqueiro
Páginas: 592
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“Num mundo cheio de coisas que pegam fogo, ninguém desconfia de um bombeiro.”

Em Mestre das Chamas, Joe Hill nos apresenta uma pandemia que coloca em risco toda a existência humana. Escama de dragão, como é conhecida, causa a combustão espontânea do infectado. Isso mesmo, a pessoa portadora da doença, ao atingir certo nível de infecção, pega fogo, queimando a si mesma e a tudo que está ao seu redor. Não há respostas, ajuda ou solução. Não há cura.

Quando Harper apresenta marcas pelo corpo, um dos sinais da doença, ela sabe que é o seu fim. Mas ela tem ainda uma outra grande descoberta, está esperando um bebê. Grávida e infectada, ela só quer salvar seu filho. Entretanto não poderá contar com a ajuda do marido, que a abandonou (por assim dizer, mais detalhes no livro).

Tudo que ela sabe sobre a doença é colocado em cheque quando ela encontra o bombeiro, um indivíduo que consegue controlar as chamas e usá-las para salvar aqueles que precisam. Mesmo sendo portador, ele de alguma forma encontrou uma maneira de comandar a doença transformando ela em uma arma.

É através dele que Harper encontra um grupo de pessoas, todas infectadas, que apesar de não terem as mesmas habilidades do bombeiro, conseguiram também sobreviver ao que era pra ser fatal.

Só que o caos já espalhou pelo mundo e ninguém sabe nada sobre a doença, então grupos de extermínio se formam e saem em busca dos infectados. Além do perigo externo, Harper nota que a própria comunidade não vive tão em harmonia como aparenta. É um efeito dominó, no qual tudo está ruindo. Só resta saber qual será a peça que definirá o fim de todos.

“É preciso cuidar uns dos outros, caso contrário viver é andar sobre cinzas, um fósforo pronto para ser aceso.”

Quando comecei a leitura de Mestre das Chamas não esperava que leitura fosse se tornar tão complicada, enfadonha. Apesar da ótima premissa, Joe Hill não conseguiu me conquistar com sua narrativa, muito menos com os personagens.

Esperava um suspense, um livro que empolgasse. Mas o suspense é contido, no qual leitura segue sem causar muita tensão no leitor. Na capa tem uma citação que diz o seguinte: “Original e envolvente. As páginas viram sozinhas.”. Gostaria de saber se o Martin realmente estava falando desse livro, pois sinceramente, para mim foi totalmente o contrário. A começar pela originalidade, que se conteve apenas na ideia central da trama. Impressão que fiquei foi que Hill utilizou de clichês para moldar sua trama.

Envolvente? Talvez só os primeiros capítulos, mas quando passam cem páginas, cento e cinquenta, e você percebe que nada está acontecendo de fato é difícil manter animação.

Alguns pontos funcionaram, muitos outros não. Terminei leitura frustrado, tentando entender em que ponto da trama minha empolgação se transformou em tédio.

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Resenha – Um Menino Em Um Milhão

Por Thales Eduardo
|
4 de julho

Título: Um Menino Em Um Milhão
Título original:  The One-in-a-Million Boy
Autora: Monica Wood
Tradução: Marcelo Mendes
Editora: Arqueiro
Páginas: 352
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“Eu tinha um vazio em mim, e quando você é do tipo que tem um vazio, faz o quê? Procura alguém que o preencha.”

Um Menino Em Um Milhão tinha tudo para ser uma das leituras mais emocionantes do ano. Só que, infelizmente, não foi bem assim que o livro acabou se revelando.

A obra desperta instantaneamente o interesse do leitor através da sua interessante sinopse. Um menino escoteiro que se torna amigo de uma centenária, despertando nela uma vontade pela vida que a muito tempo não sentia.

O tempo sempre pareceu mais urgente para ela, ninguém esperava que uma criança morreria tão cedo assim. Mas aconteceu e o impacto disso afetará cada um deles.

Quinn, o pai ausente que nunca conseguiu perceber no filho semelhanças que os aproximassem, agora resolve cumprir o trabalho que falta do filho. Ele ficará encarregado de semanalmente visitar Ona, a centenária, e ajudá-la nas atividades que precisar

Essa relação entre os dois somado a morte do menino farão ambos repensarem a própria vida e os caminhos que os levaram até o presente momento. Será uma grande aventura interior, uma forma de superar a perda e enfrentar o futuro.

É praticamente impossível não criar expectativas com uma premissa assim. Quando peguei o livro em mãos já estava me preparando psicologicamente para o que estava por vim. Só que os capítulos foram passando e quando percebi havia acabado o livro e praticamente não tive nenhuma ligação forte com história.

Talvez a escolha por uma narração em terceira pessoa não tenha colaborado, não consegui simpatizar com os personagens de uma forma que aquilo que estava sendo narrado me tocasse de fato. E isso simplesmente acabou comigo, pois eu queria muito aproveitar cada página da melhor forma possível.

Não podemos negar o imenso potencial de Um Menino Em Um Milhão e talvez saber disso foi o que me deixou tão chateado em não ter gostado tanto assim do livro. Há tantas promessas, caminhos que a autora poderia ter conduzido a história, tantos modos diferente de surpreender lindamente o leitor. A lição que fica é que nem sempre a escolha mais fácil é a melhor, simples assim.

Gostaria tanto de conhecer mais detalhes da relação entre o menino e a senhora, de ver algum sentimento do pai, que na minha opinião passou todo livro olhando apenas para si mesmo e na busca de ter a mulher de volta. Uma mulher que perdeu o filho, que está perdida e que definitivamente não é o que um dia já foi. O que Quinn vê como amor percebo como querer ter de volta algo que um dia já teve e foi bom.

Esse menino tão importante que foi destacado entre um milhão passa o livro nas sombras, sendo pouco lembrado e utilizado. Na minha opinião, os melhores capítulos do livro foram os que o menino estava interagindo, principalmente o último capítulo (não vou soltar spoilers, mas é o melhor capítulo do livro e emociona mais que a obra toda!).

Sinceramente, não gostaria de estar escrevendo uma resenha negativa assim. Mas o que sempre friso é que a leitura é diferente para cada um. Tanto que já li inúmeras resenhas contendo vários elogios desse livro. Então meu pedido é que não deixe de maneira nenhuma que essa resenha interfira na sua leitura. Leia sem julgamentos e compartilhe comigo sua experiência. Espero descobrir que encontraram no livro aquilo tudo que eu procurava!

“Ninguém vai amar você mais do que ama a si mesmo.”

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Resenha – Mais Do Que Isso

Por Thales Eduardo
|
1 de julho
Título: Mais Do Que Isso
Título original: More Than This
Autor: Patrick Ness
Tradução: Ana Paula Doherty
Editora: Novo Conceito

Páginas: 432
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“Você nunca sentiu que deve haver mais? Como se houvesse mais em algum lugar distante, pouco além do seu alcance, se ao menos você pudesse chegar lá?”

Seth está se afogando. Isso foi uma escolha dele. Ele entrou no mar com esse propósito, colocar um fim em uma vida que para ele não tinha mais sentido. Ainda assim seu corpo luta para se manter vivo, mas essa batalha já está  perdida. O fim chega para o garoto.

Mas talvez há um algo mais nisso tudo. Seth acorda em um mundo completamente devastado e deserto. As perguntas explodem em sua cabeça. O que é aquilo tudo? Onde ele está? Seria o inferno? Um sonho?

Em meio as lembranças da sua vida anterior, Seth busca entender o que está acontecendo. Uma viagem pelo passado e através do desconhecido está apenas começando e ele precisa estar preparado para tudo que está prestes a acontecer.

“Nessa exaustão contínua, a solidão terrível deste lugar o engole, assim como as ondas das quais se afogara.”

Amor e ódio. Como é possível sentir dois sentimentos tão distintos pela mesma coisa? É assim que me sinto em relação a Mais Do Que Isso.

Por mais que eu tente definir o que de fato este livro me causou, não consigo chegar a algo específico. Esse foi um livro que me tirou o fôlego, que me emocionou, que me deixou com muita raiva. A cada capítulo Patrick incitava algo diferente em mim.

Em sua obra, o autor não deixa só seu personagem perdido, mas também causa essa sensação no leitor. Você simplesmente não faz ideia do que está acontecendo e vai aos poucos formando teorias de acordo com o desenrolar da trama.

O livro então varia entre alguns flashes do passado e as descobertas do jovem nesse ambiente desconhecido. Confesso que gostaria muito de ter conhecido mais sobre a vida do Seth. Ansiava por esses momentos em que ele relembrava as coisas que aconteceram com ele antes e sobre os demais personagens que o cercavam. Sobre o presente, tive uma certa resistência. E foram esses trechos que mais me dividiram.

Ao mesmo tempo que eu surtava querendo saber de fato o que estava acontecendo, sentia um medo muito grande de me decepcionar com a escolha do autor. Alguns momentos me irritavam, mas na maioria das vezes a empolgação reinou.

“Temos que mentir para nós mesmos para viver. Senão, ficaríamos loucos.”

Não posso e nem quero comentar muito sobre rumos dessa trama, mas o final me fez soltar um grande palavrão. Sinceramente ainda estou tentando lidar com esse livro. Minha vontade mesmo era ter uma conversa bem séria com o Patrick e cobrar algumas explicações!

Mais Do Que Isso me deixou atônito e certamente não esquecerei dessa história tão cedo. A vontade que tenho é de obrigar cada um ler para que eu tenha com quem conversar sobre tudo isso que está martelando na minha cabeça. Então eu peço humildemente que além de ler, voltem aqui comentar qual foi a reação de vocês em relação a tudo isso que está nesse livro. Vamos surtar juntos!

“Sente como se estivesse no fundo de um poço, com o brilho do sol, a vida e a fuga a quilômetros de distância, sem ninguém para ouvi-lo,mesmo se pudesse pedir ajuda.”

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Resenha – A Verdade Sobre Nós

Por Thales Eduardo
|
20 de junho

Título: A Verdade Sobre Nós
Título original:  The Truth About You And Me
Autora: Amanda Grace
Tradução: Regiane Winarski
Editora: Intrínseca
Páginas: 208
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“Então, para você, para mim, para eles, aqui está: A verdade sobre nós.”

O futuro de Madelyn Hawkins já foi traçado. Seus pais definiram todos os passos que a filha precisa dar para alcançar um futuro que para eles é o melhor possível. Como boa filha que é, Madelyn se tornou aquilo que seus pais esperavam. Boas notas, comportada, a filha perfeita.

Quando a garota consegue uma vaga num programa para jovens talentos, que lhe permite pular os anos que faltam do ensino médio e ir direto para a faculdade, ela vê nisso uma oportunidade para algo novo. Madelyn está cansada de correr atrás de um futuro do qual nem ter certeza se lhe agrada. Talvez a faculdade traga a mudança que ela tanto clama.

Quando ela encontra Bennet Cartwright sente algo diferente. A conexão entre os dois é praticamente instantânea. Há uma química, um entendimento. Mas há um grande porém que traz complicações para essa relação, além de ser seu professor, Bennet é quase 10 anos mais velho que Maddie, sendo que ela tem apenas 16.

Por estar na faculdade, Bennet calcula que Maddie seja mais velha do que realmente é. Ela, para não perder essa relação tão forte, decide omitir esse detalhe. A relação entre professor e aluna não é permitida, então tudo que eles precisam fazer é aguardar até o final do período letivo.

O envolvimento entre os dois a cada dia vai ficando mais forte, mais intenso. A contagem regressiva segue, ambos ansiosos. Mas não só a relação de professor x aluno está em jogo, ainda há a questão da idade. Madelyn sabe que revelar para Bennet a idade real que tem pode por fim de uma vez por todas no relacionamento. As mentiras se tornam uma bola de neve cada vez ganhando mais força e tamanho.

Só que a verdade uma hora aparece e as consequências podem ser devastadores. Madelyn está prestes a descobrir isso.

“Em algum momento da vida, percebi que havia subido em um avião e o observara decolar, e tudo que podia fazer era permanecer sentada com o cinto de segurança apertado, esperando pousar em um destino predeterminado. Um destino que eu não tinha mais certeza de desejar.”

A Verdade Sobre Nós é um livro que te surpreende. Não esperava uma grande história, mas Amanda Grace conseguiu prender o leitor em sua narração.

Narrado em primeira pessoa, Madelyn relata os fatos que viveu com Bennet. Conhecemos aos poucos como foi surgindo esse amor proibido, o passar do tempo e o amadurecimento do casal, até o trágico momento em que a verdade veio a tona e nada mais foi o mesmo.

A base central do livro, sem dúvidas, é a idade da personagem principal. Este detalhe estará sempre presente, consciente ou inconsciente, nas ações dos personagens. A reflexão entre o que é certo ou errado é inevitável. Até que ponto um jovem de 16 anos tem consciência das suas ações e das demais pessoas? Amar outra pessoa pode ser considerado algo tão bizarro assim?

É uma leitura dinâmica, que desperta o interesse no leitor. Você anseia para saber cada vez mais do que está por vir, mas sofre fortemente quando o livro chega ao fim.

Relativamente pequeno, A Verdade Sobre Nós pode ser lido em poucos dias, quem sabe algumas horas. Mas ainda assim há uma grande trama nessas duzentas páginas que conquistará o leitor facilmente!

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Resenha – O Sorriso da Hiena

Por Thales Eduardo
|
14 de junho

Título: O Sorriso da Hiena
Autor: Gustavo Ávila
Editora: Verus
Páginas: 266
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“Como podemos medir a punição adequada para um ato contra outra pessoa? Haveria alguma justificativa para a realização de um ato de crueldade?”

Quando procuramos um bom livro, muitas vezes partimos direto para literatura estrangeira. Esquecemos dos inúmeros escritores brasileiros talentosos que existem e que apenas não receberam ainda a devida atenção. Confesso que fui conhecer O Sorriso da Hiena e o próprio Gustavo Ávila a pouco tempo atrás. Mas hoje, após concluir leitura, afirmo que eles provavelmente não sairão da minha cabeça tão cedo!

Em O Sorriso da Hiena nos deparamos no meio de uma onda de assassinatos e num grande dilema. William é um psicólogo infantil que recebe uma proposta que mudará para sempre sua vida (e a de muitos outros). Quando tinha 8 anos, David presenciou a morte brutal de seus pais. Agora, muitos anos depois, ele quer saber o impacto disso na vida de uma criança. Para isso, ele está disposto a repetir com outras famílias a crueldade que sofreu, cabendo a William fazer o acompanhamento de cada uma das crianças.

William sabe que é absurdo sequer cogitar tamanha barbárie, mas ainda assim, ele também sabe que um estudo dessa forma poderia mudar para sempre o que sabem sobre a maldade humana. As consequências dessa escolha assombrarão para sempre William, seja qual for ela.

“A vida simplesmente acertou o martelo no nervo certo, e o chute pegou o que estava pela frente.”

Em O Sorriso da Hiena todas as minhas expectativas foram superadas. Há muito tempo não lia algo que mexesse tanto comigo. Quando você começa leitura, percebe a grandeza do livro e simplesmente não quer mais largar. Essa necessidade em devorar a trama me consumiu, de modo que passava o dia esperando pelo momento em que retornaria leitura.

Gustavo Ávila criou uma trama que é digna de todos os elogios possíveis. Com personagens tão bem construídos e uma trama estruturada, o fascínio pela obra é inevitável. Com a narrativa certa, Gustavo nos conduz por uma história impactante.

O autor traz o leitor para o trama e o faz refletir sobre tudo que está acontecendo, sobre os dramas de cada personagem. O dilema de William se estenderá a você, pode ter certeza disso!

Narrado em terceira pessoa, a narração alterna entre os personagens dando o toque certo ao livro. É através de cada um deles que vamos acompanhando o desenrolar dos fatos e suas consequências. A cada capítulo somos surpreendidos por um fato novo ou por uma consequência que não prevíamos.

“Superar é poder estar perto de algo que você decidiu largar.”

O Sorriso da Hiena já se tornou uma das melhores leituras desse ano e com certeza um dos favoritos. Vale a pena a leitura!

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