Tag: Resenha de Livros

Resenha – Destinos e Fúrias

Por Thales Eduardo
|
7 de agosto

Título: Destinos e Fúrias
Título original: Fates And Furies
Autor: Lauren Groff
Tradução: Adalgisa Campos da Silva
Editora: Intrínseca
Páginas: 368
Página no Skoob: Clique aqui

“Narrar é construir uma paisagem, e tragédia é comédia é drama. Só depende de como a pessoa emoldura o que está vendo.”

Lotto e Mathilde. Dois jovens. Duas histórias. Um casamento.

Destinos. Lotto nasceu regado de regalias e muito dinheiro. Entretanto, as coisas perdem o sentido quando seu pai morre. Um grande choque para o garoto. Os anos passam e Lotto descobre a paixão pela arte e pelos palcos. Até que surge em sua vida Mathilde. É amor a primeira vista, logo estão juntos. Um casal explosivo, cheio de vida e com muitas oportunidades pela frente.

Fúrias. Mathilde é uma mulher de atitude, sabe e vai atrás do que quer. A vida não foi fácil para a jovem. Segredos cercam seu passado. Quando conhece Lotto, ela vê a possibilidade de um futuro melhor e de criar sua própria família.

Os anos passos, a realidade não é aquilo que ambos esperavam. Sonhos não se realizam fácil, muitas vezes nem se realizam. Lotto e Mathilde já não são mais os mesmo. A visão que cada um tem do outro é agora apenas uma sombra do que foi um dia. Como manter algo que vem desmoronando a cada dia?

Verdades, mentiras. Cada um lutando para manter as esperanças, e o casamento também.

“Casamento é feito de mentiras. Bondosas, em geral. Omissões. Se disséssemos em voz alta as coisas que pensamos todo dia sobre nosso cônjuge, acabaríamos esmagando a pessoa até virar pasta.”

Com uma profunda narrativa, Destinos e Fúrias nos leva através do anos mostrando como mudamos e somos mudados. Cada escolha molda o nosso destino.

Tudo começa repleto de amor e paixão. Um casal de dar inveja em qualquer um. Até que os problemas surgem e vão lentamente afetando o casamento. O que fazer quando você não reconhece mais a pessoa que está do seu lado?

Em sua obra, Lauren Groff divaga sobre os diversos dramas e dilemas que enfrentamos. Ela constrói muito bem cada personagem, desde a infância até a vida adulta. Essa progressão dos personagens é um grande ponto positivo do livro, pois assim podemos perceber nitidamente como mudamos ao longo dos anos, querendo ou não.

O livro é dividido em duas partes: Destinos e Fúrias. Em Destinos, a narração é segundo a percepção de Lotto dos fatos. Já em Fúrias conhecemos de fato Mathilde e todos os mistérios que cercam a personagem. A primeira parte do livro flui de uma maneira incrível. A vontade de querer saber mais é gigante. Lotto é um protagonista com presença muito forte e nos conquista. Já na segunda parte, que apesar de ser muito aguardada também, senti uma narrativa mais cansativa. Mas ainda assim, Mathilde surpreende o leitor.

Acredito que não se pode comparar Destinos e Fúrias a nenhum outro livro. É uma leitura única, densa e bem explorada. Reflexões durante a leitura são inevitáveis.

Mas não pense que o livro é apenas sobre casamento. Há tanto mistérios e histórias paralelas que o leitor fica ansioso por cada novo capítulo.

4a65519460113168a4e3b37a33a32c14

Resenha – Baseado Em Fatos Reais

Por Thales Eduardo
|
3 de agosto

Título: Baseado Em Fatos Reais
Título original: D’après une histoire vraie
Autora: Delphine De Vigan
Tradução: Carolina Selvatici
Editora: Intrínseca
Páginas: 256
Página no Skoob: Clique aqui

“Hoje sei que L. foi o único motivo da minha impotência. E que os dois anos que nos ligaram quase me calaram para sempre.”

Só fui perceber como era difícil de falar sobre Baseado Em Fatos Reais quando parei para escrever essa resenha. Comecei, apaguei. Comecei, apaguei. E fiquei nesse ciclo por algum tempo. Cogitei até mesmo não fazer.

A razão de tudo isso? Esse não é um livro qualquer, com alguma história clichê que já estamos cheios. Muito pelo contrário. Delphine surpreende e conquista a cada página. Lentamente, ela nos cerca com sua narração, trazendo a sensação de que o leitor é um dos personagens e está acompanhando junto o desenrolar dos fatos.

Em Baseado Em Fatos Reais, Delphine faz uma análise de um fato passado. O seu encontro com a ghost writer L. e o seu quase fim de carreira.

Após o grande sucesso da sua auto biografia, a autora se vê presa no grande dilema de o que escrever em seguida. Como superar uma obra que agradou tanto assim os fãs. Delphine sente a pressão, de si própria, dos demais, todos esperando pelo próximo passo da autora.

E é durante esse período que ela conhece L.. Sempre disponível e prestativa, L. se mostra uma grande amiga para Delphine. A cada dia que passa, elas vão ganhando mais intimidade, a ponto da autora revelar todos seus medos e anseios para a amiga.

Mas não há reciprocidade. L. suga todas as informações de Delphine, mas quando é sobre si mesma, ela se cala, dá informações vagas.

Quando tudo isso estava acontecendo, Delphine não percebia os sinais suspeitos dessa relação. Mas agora que já passou por tudo e nos conta como foi, ela permite-se fazer comentários a cerca de determinados fatos.

Um relação de abuso, poder e influência. Relação essa que deixará marcas para sempre.

“Existe uma grande diferença entre o que você está sentindo, a maneira como se vê e a imagem que passa.”

Relativamente curto, Baseado Em Fatos Reais é composto por capítulos rápidos, que trazem dinâmica para o livro. Ainda assim, Delphine nos presenteia com uma narração profunda e rica.

A obra mescla o drama com suspense, deixando o leitor angustiado para saber até que ponto aquela “amizade” irá e quais serão as consequências disso.

Talvez muitos já suspeitavam do tal final, mas ainda assim Delphine surpreende na forma em que descreve e amarra tudo. As pistas estavam desde o primeiro capítulo e após o encerramento é que percebemos como tudo foi muito bem planejado pela autora.

Baseado Em Fatos Reais gera uma inquietação no leitor e não passará em branco. Você certamente irá repensar muitas coisas, chegando até questionar se não possui uma L. em sua vida.

“A escrita é muito mais poderosa do que você possa imaginar. A escrita é uma arma de defesa, de fogo, de sinalização, a escrita é uma granada, um míssil, um lança-chamas, uma arma de guerra. Ela pode devastar tudo, mas também pode reconstruir.”

images

Resenha – O Duelo dos Imortais

Por Thila Barto
|
1 de agosto

Título: O Duelo dos Imortais
Título original: Reignited
Autor: Colleen Houck
Tradução: Ana Ban
Editora: Arqueiro
Páginas: 112
Página no Skoob: Clique Aqui!

“Aquilo que estavam fazendo era algo louco, impulsivo. Mas por acaso o amor não era uma forma de loucura?”

Resenha:

Como não amar Colleen Houck?

Gosto muito dos livros da autora não só pelo fato de sua escrita ser extremamente cativante mas também por estar sempre lidando com um assunto que me interessa muito: mitologia. Claro que há vários autores escrevendo sobre o tema e algumas vezes encontramos até algumas contradições se formos comparar o que é escrito por cada um, entretanto os livros de Colleen Houck sempre me surpreendem e, com ‘O Duelo Dos Imortais’, não foi diferente.

Confesso que tive um experiência um tanto bizarra com esse livro pois iniciei a leitura pensando que era o terceiro e último da série ‘Deuses do Egito’. Bem poser! Eu sei! Cheguei a estranhar o tamanho do livro, pois são apenas 112 páginas, então eu já estava mirabolando em como a Colleen iria conseguir finalizar a série com pouquíssimas páginas. Só depois de ler uns três capítulos fui perceber que era uma história a parte da série e foi aí que entrou a ‘experiência bizarra’ pois eu A D O R E I esse livro muito mais do que os da série em si, rsrs. Terminei com um desejo enorme de saber mais.

Então fica o alerta para pessoas aéreas como eu: Este não é o terceiro livro da série!

No decorrer dos dois primeiros livros da saga, ficamos a par de profecias, quais são os talentos e poderes de cada deus e como eles estão envolvidos com os personagens da história, mas raramente os motivos e como tudo surgiu é falado detalhadamente na narrativa. 

O Duelo Dos Imortais é sobre esses detalhes; do surgimento do amor proibido entre Ísis e Osíris; de como esse relacionamento intensificou o pior lado de Seth que, além de ter sido reprimido e desprezado pelos demais ao longo dos anos pela ausência de poderes significativos, sempre desejou Ísis, desenvolvendo assim um ciúme doentio e uma aversão profunda a Osíris; de como ele descobriu seu poder e decidiu usá-lo para vingar-se e mostrar a todos o quão poderoso era; é sobre Amon-Rá, Néftis, as Águas do Caos, a vida em Heliópolis e a relação entre mortais e deuses junto de seus sonhos, aspirações e inseguranças.

Depois da leitura, que no meu caso bastou uma única sentada, conseguimos compreender os motivos que levaram o aprisionamento de Seth e a profecia lançada sobre os três Filhos do Egito para manter o equilíbrio do Cosmos.

Mesmo amando o livro, admito que passei nervoso em algumas cenas pois Seth, cego para provar que era o mais poderoso entre todos e conseguir o que queria, tinha pensamentos tãaao machistas que hora ou outra precisei fechar o livro por alguns segundos e respirar fundo para continuar a leitura. Cheguei até ficar preocupada se Colleen não ia contestar de alguma forma esse tipo de pensamento… 

“Se nós, mortais, não tivéssemos nada a que aspirar, desistiríamos e ficaríamos deitados na cama. Não há razão para não ir atrás de sonhos. Todo mundo tem o direito de sonhar com algo mais.”

Só me resta dizer, para não me estender mais e correr o risco de soltar algum spoiler desnecessário: leiam, leiam e LEIAM 

9788580417210

Resenha – Fábrica de Vespas

Por Thales Eduardo
|
22 de junho

Título: Fábrica de Vespas
Título original: The Wasp Factory
Autor: Ian Banks
Tradução: Leandro Durazzo
Editora: Darkside
Páginas: 240
Ano: 2016

Página no Skoob: Clique Aqui

“Às vezes, os pensamentos e as sensações que tenho não concordam uns com os outros, então acho que devo ter um monte de gente diferente no meu cérebro.”

Falar sobre Fábrica de Vespas não é uma tarefa fácil. Um livro tão forte e com tantas caminhos diferentes na sua história não pode ser facilmente resumido em algumas poucas palavras.

Publicado originalmente em 1984, a obra de Ian Banks chocou e gereu críticas controversas. Entretanto, foi considerado um dos romances mais importantes do século XX.

Três décadas já se passaram desde então, mas o impacto do livro ainda é gigantesco.

“Nosso destino é o mesmo, no final, mas a viagem – em parte escolhida por nós, em parte não – é diferente para cada um, e se altera enquanto crescemos.”

Muita coisa só precisa ser descoberta durante a leitura,  mas o que você precisa saber é que Frank é um psicopata. Ao longo dos anos,o jovem garoto desenvolveu práticas perturbadoras e chocantes contra animais e até mesmo humanos.

Mesmo tendo consciência dos atos que comete, Frank cria, de uma maneira fria, explicações que para ele próprio  servem como uma  aprovação para tudo que fez e está fazendo.

Praticamente isolado do mundo, ele passa os dias envolvido nas suas atividades nada ortodoxas, se é que podemos definir assim. O que Frank não esperava fosse que seu irmão mais velho, que estava internado em um hospital psiquiátrico, fugisse.

Certamente ele voltará para casa e Frank precisa estar preparado para o que isso significa. Só que muito mais que um reencontro, isso poderá  significar uma volta ao passado obscuro da família revelando fatos que mudarão todos eles para sempre.

“Pensei que uma porta havia se trancado às minhas costas, anos atrás, mas, na verdade, eu estava me arrastando pela superfície. Agora as portas se fecham, e minha viagem começa.”

Fábrica de Vespas é uma leitura única e crua. Ian Banks não poupa palavras e detalhes para expor a mente bizarra de seu protagonista.

Com capítulos rápidos, a leitura flui de maneira fácil. Ainda assim, algumas descrições irrelevantes podem tornar a narração um tanto quanto arrastada em determinados momentos. Mas é fato que Ian criou algo tão impactante que faz o leitor querer cada vez mais.

Mesclando entre presente e passado, conhecemos não somente de Frank, mas também da sua família  e o que cada um  enfrentou. Isso torna o livro ainda mais rico e nos dá um panorama geral do que está acontecendo.

“De repente ele é louco de verdade. De repente eu que sou. Talvez todo mundo seja.”

Outro ponto positivo da obra foi a maneira real que o autor expôs a psicopatia. A narração pelo próprio psicopata nos mostra como funciona o pensamento de uma pessoa assim. Isso gerou em mim uma curiosidade e vontade de pesquisar mais sobre o assunto.

Apesar de começar de um maneira tímida, o livro vai ganhando ritmo e surpreendendo (e assustando) o leitor a cada capítulo. Sem dúvidas, o ápice da leitura são os capítulos finais que trazem ao leitor uma conclusão jamais esperada (nada vai te preparar para isso, boa sorte!).

Enfim, Fábrica de Vespas merece e deve ser lido!

fabrica-de-vespas-iain-banks-darkside-books-capa-site-v2

Resenha – O Bom do Amor

Por Thila Barto
|
3 de junho
Título: O Bom do Amor
Autora: Chris Melo e Laís Soares
Editora: Rocco – Fábrica231
Páginas: 88
Ano: 2017
Skoob: Aqui

“O Bom do Amor é encontrar aquela pessoa que topou construir contigo dias felizes e que sabe que o melhor do amor é a viagem, não o destino”

Resenha:

Gosto das coisas simples, das coisas lindas, das coisas verdadeiras, e principalmente das coisas que me tocam e enchem meu espírito de outras coisas boas. O que estou querendo dizer com esse monte de ‘coisa’? Que O Bom do Amor são todas elas e muito mais. 

Estava no trem, num dia não tão qualquer e resolvi tirar da bolsa o livro que tinha acabado de ganhar de uma pessoa que admiro tanto. Admito que já estava um tanto cansada de olhar a paisagem que vejo todos os dias pela janela do trem, mas o que me fez tirar o livro da bolsa mesmo, foi a minha imensa ansiedade e curiosidade. Eu não aguentava MAIS esperar para ler, mas ao mesmo tempo, não queria tirar ali, com tantas testemunhas ao meu redor. Sou o tipo de leitora que gosta de abraçar, cheirar e admirar antes de realmente começar ler. O pessoal do trem ia achar que eu era completamente pirada se eu fizesse tudo isso.

Tentando ser o mais ‘normal’ possível, com aquela pose de phyna, abri a primeira página do livro e me deparei com a maior delicadeza deste universo:

Já tinha visto algumas tirinhas na página da Rocco, mas impresso… é realmente outros quinhentos.

A partir daí comecei a virar página após página e quando percebi que já estava na página 48, um sinal vermelho surgiu na minha cabeça: Thila, se continuar assim, você vai acabar o livro antes mesmo de chegar em casa. Vamos colocar uma meta: 4 tirinhas por dia, antes de dormir. Vamos fazer o livro ‘durar’. Fechei o livro e coloquei dentro da bolsa. Exigiu uma força tremenda e não estou sendo exagerada.

Desci do trem. No ponto de ônibus fiquei batendo o pé não porque estava impaciente com o atraso do ônibus, mas porque estava louca para ler mais. Finalmente sentei no banco do ônibus e não aguentei: VEM AQUI SEU MARAVILHOSO!! Terminei antes de chegar em casa.

Conclusão: sou péssima com metas. NÃO. Posso até ser, mas não é isso o que quis dizer… o livro carrega um sensibilidade tão grande em suas tirinhas que é impossível não se apaixonar. Os textos são da Chris Melo e as aquarelas da Laís Soares, mas a sintonia das duas é tão incrível, que parece que foi uma pessoa só que fez tudo! É espetacular.

Se trata da história de duas pessoas, independente de gêneros, que compartilham momentos uma ao lado da outra, ora para dividir o mesmo copo, ora para celebrar, para imaginar o futuro, para dividir as felicidades e infelicidades da vida. O Bom do Amor é sobre as pequenas ações que podem ser a mais simples, mas que significa o mundo para o outro. 

O livro pode ser lido em qualquer ordem. De trás pra frente. De ponta cabeça. 11 vezes. Do jeito que quiser. Ele não deixará de ser encantador. Faça que nem eu: leia sem moderação.

O Bom do Amor esbanja talento e, claro, amor.

Chris e Laís, vocês arrasaram. 
Em nome da minha sanidade: QUERO MAIS!

<3

Tivemos o privilégio de mediar o evento de lançamento do Livro “O Bom do Amor” em São Paulo!

Confira os vídeos especiais que gravamos com as autoras:




Para a galeria de fotos do evento clique aqui

18056740_1478995735484599_5687600832912255580_n

Resenha – Mentiras Como O Amor

Por Thales Eduardo
|
21 de maio

Título: Mentiras Como O Amor
Título original:  Lies Like Love
Autora: Louisa Reid
Tradução: Ivar Panazzolo Junior
Editora: Novo Conceito
Página no Skoob: Clique Aqui!

“Alguma coisa me dizia que eu precisava confiar em alguém, em  algum momento. Mas como eu poderia ter certeza? Como saber em quem confiar?”

O amor é um sentimento muito estimado por todos. Mas como suportar o amor quando ele te sufoca? Quando ele te prende? Quando ele lentamente acaba com sua vida? Será que isso ainda pode ser definido como amor?

A Coisa está sempre a espreita, roubando cada momento de felicidade de Audrey. É claro que ela não pode contar isso para os outros, quem acreditaria numa loucura dessas? Quando ela chega na casa nova com a mãe e o irmão, tudo que ela espera é que os velhos fantasmas fiquem para trás.

O lugar pode não ser tão aconchegante quanto esperava, mas isso tudo acaba ficando em segundo plano quando Audrey conhece Leo. Apesar de serem muitos novos ainda, ambos já tiveram que enfrentar suas próprias batalhas. A conexão entre eles é quase instantânea.

Leo desperta em Audrey um sentimento novo, uma vontade de aproveitar a vida. Tudo é possível, até mesmo enfrentar os problemas mais complicados.

Mas Audrey não vê uma maneira de aproveitar esse futuro cheio de oportunidades que está se abrindo para ela, não sem sua família. Ela ama o irmão e sabe os dois são a base um do outro. A mãe é enfermeira e trabalha incontáveis dias. Audrey precisa ficar com eles, cuidar deles.

Mas ficar significa continuar com A Coisa, que está em cada canto da casa, só esperando o momento em que Audrey baixará a guarda.

O amor prende, liberta, mata. Cedo ou tarde, Audrey descobrirá isso.

“As pessoas sonham com várias coisas, como serem livres, por exemplo. Mas a liberdade é uma ilusão.”

Cada leitura é um mistério. Nunca sabemos de fato o que aquelas palavras irão despertar em nós. Quando comecei Mentiras Como O amor confesso que não tinha grandes expectativas, já que livro havia quase passado despercebido por mim.

Só que logo no primeiro capítulo, Louisa Reid despertou em mim um interesse imediato. Interesse em saber onde aquilo levaria. A leitura ganhou ritmo e quando percebi, largar o livro já era uma tarefa difícil. Simplesmente passava dia pensando no livro e ansiando por o momento em que conseguiria ler mais.

Mentiras Como O Amor superou todas as expectativas. Esse é um livro que mexe com os sentimentos do leitor, o deixa inquieto, o divide entre a vontade de querer ler tudo de uma vez e a vontade de querer que livro dure bem mais.

“Todo mundo tem sua própria dor. Você não precisa ter vergonha disso.E, se você está doente, então pode melhorar. É isso que você precisa ter em mente.”

O mistério central do livro não é tão difícil de prever, mas acredito que essa é a intenção da autora. Acompanhamos de uma forma sofrida o decorrer dos fatos, sabendo do mal que espreita nossa protagonista, mas sem poder ajudá-la. Nada de apenas um romance qualquer, Louisa nos brinda com uma obra tensa e cruel (ainda estou tentando superar alguns capítulos).

Não só assustador, mas revoltante. O livro relata fatos que não deveriam ser vividos por ninguém, ou pior, que não deveriam ser praticados por ninguém. Deixarei aqui tudo nas entrelinhas para não acabarmos em algum grande spoiler, mas quando você terminar leitura irá entender o que estou dizendo.

Enfim, só leia. Permita-se conhecer Mentiras Como O Amor e descobrir tudo que essa história tem a oferecer!

“Eu entendi o motivo de tudo, exatamente naquele lugar, naquele momento. Que a felicidade é ser amada por quem você é sem nenhuma reserva ou hesitação, sem retroceder ou se importar com o que qualquer pessoa venha pensar. Era confiança; era fé; era saber que o amor que você dá fica seguro no coração de outra pessoa.”

images

Resenha – Eu Estou Pensando Em Acabar Com Tudo

Por Thales Eduardo
|
9 de maio

Título: Eu Estou Pensando Em Acabar Com Tudo
Título original:  I’m Thinking Of Ending Things
Autor: Iain Reid
Tradução: Santiago Nazarian
Editora: Fábrica231
Páginas: 224
Página no Skoob: Clique Aqui!

“Eu estou pensando em acabar com tudo. Quando esse pensamento chega, ele fica. Gruda. Perdura. Domina. Não há muito o que fazer.”

Um livro que você dificilmente irá esquecer! É assim que podemos definir Eu Estou Pensando Em Acabar Com Tudo. É indescritível o rumo dessa história e suas reviravoltas.

A grande sacada desse livro é você saber o menos possível, só leia e prepare o coração. Mas de uma forma bem resumida e sem nenhum spoilers, temos a seguinte sinopse:

Casal está indo para a fazenda dos pais do rapaz – Jake -, no qual ele irá apresentar a namorada. Sendo narrado todo por ela, a garota relata seu desejo em terminar a relação, mas sua indecisão em como fazer isso. Para piorar a situação, ela vem recebendo ligações um tanto quanto bizarras de um sujeito anônimo. Só que durante essa viagem, muitas outras coisas estranhas podem acontecer.

Definir o livro assim não está errado, mas saiba que há muito por trás de cada linha. Iain criou uma trama tão envolvente que logo nos capítulos iniciais o leitor já é inserido na história e acompanha tenso o desenrolar de cada situação.

Com uma narração instigante, o autor descreve tudo de uma forma direta, poética e, ao mesmo tempo, assustadora. Há uma tensão muito grande em todos os capítulos, pois estamos agoniados com o que ainda está por vir. Iain brinca com maestria com a mente dos leitores, nos induz ao erro e as reviravoltas nos pegam totalmente desprevenidos.

“Quero entender a mim mesmo e reconhecer como outros me enxergam.”

Sinto que poderia escrever milhares de coisas aqui, mas ainda assim nada faria jus a magnitude deste livro. Eu fiquei completamente sem palavras com final da história. Em nenhum momento cogitei tamanha loucura.

Eu Estou Pensando Em Acabar Com Tudo vai te mostrar que nada é o que parece ser. Simplesmente indico para todos esse livro. Por mais curta que essa resenha tenha ficado, meu sentimento pelo livro é tamanho. Gostaria e poderia falar sobre muitos outros detalhes, entretanto não quero estragar a oportunidade de você descobrir esses itens durante a leitura do livro. Então leia e compartilhe sua experiência conosco. Você certamente irá querer falar sobre a obra quando finalizar!

O que você está esperando? O que você está esperando? O que você está esperando? O que você está esperando? O que você está esperando?

download

Resenha – Caraval

Por Thales Eduardo
|
23 de abril

Título: Caraval
Título original: Caraval
Autora: Stephanie Garber
Tradução: Camila Fernandes
Editora: Novo Conceito
Páginas: 400
Página no Skoob: Clique aqui

“Bem-vindos, bem-vindos ao Caraval! O maior espetáculo na terra ou no mar. Aqui vocês conhecerão mais maravilhas do que a maioria das pessoas vê em toda uma vida.”

Ao longo dos anos, Scarlett escreveu cartas ao Mestre Lenda do Caraval, pedindo uma oportunidade de conhecer ele e toda sua equipe. Sempre se falou da magia que envolvia o Caraval e Scarlett sonhava com isso em sua vida.

Entretanto, os anos passaram e uma resposta nunca chegou. Agora ela fora prometida a um duque misterioso. Apesar de não conhecer pessoalmente seu futuro esposo, ela troca cartas constantes com ele. Será que é possível conhecer totalmente uma pessoa através de suas palavras?

Scarlett vive com sua irmã Donatella e com o pai, um grande carrasco que aterroriza as filhas. As punições são severas e fugir dessa situação já se mostrou inviável. Scarlett sabe bem o resultado que teria caso tentasse fugir, o pai fez questão de mostrar a filha para que não restasse dúvidas.

Todas as esperanças de Scarlett estão no casamento e na promessa de uma vida melhor, para ela e para a irmã. O que ela não esperava era que poucos dias antes do casamento fosse receber a tão esperada resposta do Mestre Lenda do Caraval. Na carta há três convites para participar do Caraval desse ano, sendo que o ganhador vai poder realizar um desejo.

Apesar de ser tudo o que sempre sonhou, Scarlett sabe que seu tempo já passou. Não pode mais correr esse risco. Precisa focar nesse casamento e lutar pelo futuro melhor.

Mas Donatella percebe a grande oportunidade que as irmãs ganharam e com a ajuda de um misterioso marinheiro, Julian, sequestra a irmã e a leva até o Caraval. Só que logo na chegada, Donatella desaparece e ao que tudo indica se tornou a peça principal do Caraval.

Agora Scarlett terá que entrar no jogo e salvar sua irmã. Enigmas, mentiras, mistérios e até morte… O Caraval é uma mistura entre o ilusório e o real, sendo que a linha que separa isso não é fácil ser percebida.

O tempo está passando. O jogo já começou!

“O que quer que tenha ouvido sobre o Caraval não se compara à realidade. É mais do que só um jogo ou apresentação. É a coisa mais parecida com magia que você verá nesse mundo.”

Caraval parte de uma premissa simples: a busca de uma vida melhor. É a partir disso que a autora cria de forma única um grande jogo, repleto de detalhes e magia. Essa mistura se mostrou satisfatória, tanto que nem estamos mais falando de um livro único, mas sim do primeiro livro de uma série.

Stephanie Garber narra com habilidade sobre esse cenário tão exótico que criou. A maior parte do livro é no próprio jogo, então o leitor pode ficar tranquilo que aos poucos vai conhecendo cada detalhe disso tudo. Mas claro, não espere que a autora vá revelar todos os seus segredos assim logo de cara.

Interessante destacar que os diversos rumos que essa leitura gera. Há sempre muitas coisas acontecendo durante toda a história, muitas trajetórias que definem os personagens. Então não é apenas uma jovem buscando sua irmã. Existe muitas outras coisas acontecendo paralelamente na vida da personagem.

É fácil ser conquistado por essa aventura da Scarlett e mais fácil ainda se deixar levar nas palavras de Julian. Nesse grande cenário, mocinho e vilão são facilmente confundidos. Tudo vem através de enigmas. Caraval convida o leitor a participar do jogo, acompanhar de perto tudo que está acontecendo e tirar suas próprias conclusões.

Não posso dizer que funcionou completamente para mim. A leitura foi um tanto quanto arrastada e senti falta de mais detalhes sobre o Caraval, sobre o jogo. Talvez venha nos próximos livros, então teremos que aguardar. O desfecho do livro me agradou, mas ainda assim tive a impressão que a autora acabou se perdendo ao longo do livro, querendo envolver muita coisa e deixando a desejar em tudo. Claro que esse leque foi interessante para o livro, mas é ainda mais importante ter um objetivo principal, um foco de tudo aquilo. Só tendo tudo isso bem definido e consistente é que se pode buscar outros desdobramentos que acrescentaram na obra.

“Cada pessoa tem o poder de alterar o destino se for corajosa o bastante para lutar pelo que deseja acima de tudo.”

Um livro não ser aquilo que você esperava não significa que ele seja ruim. Foi o caso com Caraval. Apesar das expectativas não atingidas, consigo perceber a beleza do livro e da sua história. Para os que gostam de uma boa aventura envolvendo mistérios e romance, Caraval é a escolha certa!

PS: O lançamento de Caraval está previsto para ainda esse primeiro semestre do ano (09/jun). #SaveTheDate

imagem_release_892401

Resenha – Nimona

Por Thales Eduardo
|
18 de abril


Título
: Nimona

Título original:  Nimona
Autora: Noelle Stevenson
Tradução: Flora Pinheiro
Editora: Intrínseca
Páginas: 271
Página no Skoob: Clique Aqui!

Salvar o mundo? Ser uma heroína amada por todos? Nada disso, Nimona quer mesmo é ser uma grande vilã!

Outro detalhe importante sobre a Nimona: ela é metamorfa. Tem a habilidade de se tornar outro ser facilmente. Para ser a vilã que sempre sonhou, a jovem une-se ao Lorde Ballister Coração-Negro, um grande vilão do reino em busca de vingança.

E não há vilão sem herói e vice-versa. Assim, temos o Sir Ouropelvis que estará sempre pronto pra enfrentar o mal. Ele faz parte de uma instituição que praticamente controla todo o reino.

Com muitas aventuras, a dupla de vilões descobrirá muita coisa, até mesmo que nem sempre os mocinhos são de fato mocinhos.

Minha relação com esse livro pode ser resumida basicamente em “amor à primeira vista”. Nimona me chamou atenção de cara. Não leio muitos títulos nesse estilo literário, mas ainda assim fiquei muito interessado por esse em especial.

Acabei demorando um pouco para conseguir ter meu exemplar, mas toda espera valeu a pena. Com uma diagramação impecável, os primeiros minutos de contato com esse livro são basicamente de apreciação. Dá gosto ver o trabalho incrível feito pela Intrínseca.

Mas não é só a estética que está perfeita, o conteúdo também está a altura.

Noelle criou uma história, basicamente, simples, mas com muito a contar. Os personagens principais possuem personalidades distintas e marcantes e conquistam o leitor facilmente. Bacana que a autora conseguiu criar um passado para cada um deles que justificasse o que se tornaram e os sentimentos que refletem desse passado.

Nimona é totalmente focada na vilania, mas ainda assim é muito divertida e cria um laço forte com Ballister. Já Coração-Negro possui uma magoa muito forte por um episódio do passado e busca vingança por isso. Ouropelvis, apesar de todo o heroísmo que o cerca, sabe que precisa de Ballister e só gostaria de ter de volta algo que se perdeu a muito tempo.

Essa grande jornada dos nossos personagens gera inúmeras reflexões. É tudo escrito de forma natural, as coisas surgem sem que nada seja forçado e a autora consegue fazer o leitor pensar a respeito do que está sendo dito.

Nimona é um daqueles livros que você esquece de tudo ao seu redor quando inicia a leitura. Você provavelmente só vai parar quando acabar e vai perceber como tudo passou rápido demais e como queria de mais histórias da nossa protagonista.

Seja para quem for, Nimona dificilmente decepcionará. O tempo que estiver lendo a obra será repleto de muita diversão, afastando qualquer problema ou preocupação que o leitor tenha.

Leia o primeiro capítulo aqui!

nimona

Resenha – A Menina Que Não Acredita Em Milagres

Por Thales Eduardo
|
4 de abril

Título: A Menina Que Não Acredita Em Milagres
Título original:  The Probability Of Miracles
Autora: Wendy Wunder
Tradução: Ana Paula Rezende Dias da Silva de Mello
Editora: Novo Conceito
Páginas: 288
Página no Skoob: Clique Aqui!

“A ciência não é suficiente agora. O que você precisa é de um milagre.”

Campbell está sem saída. Sua doença evoluiu de uma maneira que praticamente não há mais volta, a morte chegará mais cedo ou mais tarde. Só que a mãe de Cam não desistirá fácil assim da filha.

Após uma pesquisa, descobrem que há um cidade que é conhecida por alguns milagres que acontecem nela. Cam não acredita em nada disso, mas resolve partir nessa loucura em consideração da mãe e da irmã.

Quando chegam na cidade, Cam conhece Asher. E esse encontro mudará tudo, para ambos.

Para Asher, milagres são reais e cercam de uma maneira muito forte sua vida, de modo que ele baseia todo seu futuro nisso. Cam e Asher, opostos claros. Mas numa cidade milagrosa, uma química entre esses dois seria praticamente inevitável.

A fé de um e a descrença de outro transformará os dois jovens. A vida é muito mais do que imaginamos, não importa quanto tempo tempos. Às vezes, só precisamos aproveitar!

E se um milagre acontecer? Que sorte a nossa!

“Você  pode fazer qualquer coisa. Ir a qualquer lugar. Ser qualquer pessoa. O que você quer fazer com  todas essas possibilidades?”

Sendo bem direto, esse livro não foi tudo aquilo que esperava. Mas agora, aqui escrevendo essa resenha, me sinto culpado por fazer qualquer crítica. Bipolar? Um pouco.

Mas assim, eu explico. A Menina Que Não Acredita Em Milagres tem uma história simples, se comparadas as tantas obras que foram lançadas recentemente que envolvem um protagonista doente. Só que ainda assim, ela consegue prender o leitor e envolver na sua narração.

Cam e Asher são bons protagonistas e sei que se fossem melhores aproveitados poderiam conquistar ainda mais. Os demais personagens também tem potencial e até cativam em certos momentos. A história flui sem problemas, com capítulos rápidos e uma narração direta.

Até aqui tudo bem, mas vamos aos pontos que me incomodaram.

Os pontos positivos citados anteriormente também tiveram seu lado negativo. Queria mais dos personagens, mais emoções, personalidades distintas, algo que fosse próximo a realidade. Em muitos momentos senti falta de emoções durante alguns eventos e diálogos.

Apesar de gostar das narrações diretas, ainda assim precisamos definir alguns limites. Em alguns capítulos havia atropelos de informações. Teve capítulos que me sentia perdido, como se eu houvesse pulado alguma parte. A autora escreveu muitas coisas sem dar embasamento ao leitor sobre o que estava falando.

Nos capítulos finais que consegui ter uma aproximação e empatia com os personagens e me fez até reavaliar minha avaliação dos trechos anteriores. Mas ainda não foi forte o bastante para que eu terminasse 100% satisfeito.

Mas se pesquisar, a maioria das resenhas e comentários sobre esse livro são positivas e repletas de elogios. Até cogitei se meu exemplar não veio com uma versão diferente, nunca se sabe. Mas brincadeiras a parte, A Menina Que Não Acredita Em Milagres não é um livro ruim, longe disso. Relatei alguns pontos, só que de toda forma, de modo geral foi uma leitura agradável.

Para os que gostam do gênero, acredito que maior parte terminará satisfeito. Após ler, que tal deixar sua avaliação aqui? Vamos compartilhar nossas experiências de leitura. A minha você acabou de ler, agora eu quero ler a sua!

“Ela inspirou um pouco, o que a animou por um instante. Mas, depois, soltou o ar e sentiu que tudo dentro dela, o estômago, o plexo solar,a garganta, estava sendo remexido por um par de punhos cruéis que a estrangulavam.”

a-menina-que-nao-acredita-em-milagres_1.jpg.1000x1353_q85_crop