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Resenha – Bem-vindo À Vida Real

Por Thales Eduardo
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11 de agosto
Título: Bem-vindo À Vida Real
Título original: Cure For The Common Universe
Autor: Christian McKay Heidicker
Tradução: Glenda D’Oliveira
Editora: Intrínseca

Páginas: 320
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“Queria sair do meu próprio corpo. Queria abandonar o personagem chamado Jaxon e recomeçar do zero com outro.”

Jaxon é completamente viciado em jogos eletrônicos, sendo que ele passa maior parte do seu tempo no quarto jogando. Apesar de a família não aceitar, Jaxon não vê o que há de errado nisso. Seria tão errado assim fugir para a realidade virtual, quando sua própria vida não fosse nada animadora?

No momento em  que ele é obrigado a levar o carro para lavar, Jaxon não imaginava que conheceria Serena, uma garota interessante e bonita, e que voltaria para casa com um encontro marcado. Mas todos os seus planos vão por água abaixo quando ele descobre que seu pai o internou em uma clínica para viciados em jogos.

A reabilitação na clínica é projetada como um jogo, no qual os jogadores (pacientes) precisam atingir determinada pontuação para ganharem liberdade. Jaxon não tem muito tempo, precisa conseguir pontos o quanto antes para que posso chegar a tempo do encontro.

Muita aventura o aguarda, sem falar que ele perceberá que a vida real pode não ser tão simples quanto um jogo qualquer, e que o seu maior desafio será encarar essa nova realidade.

“- Não sou um gamer; sou o protagonista do jogo da vida.
E, simples assim, passei a ser um deles.”

Cheguei até esse livro através de Excesso de Luz, um conto incrível do autor disponibilizado em formato e-book gratuito pela Editora Intrínseca (aqui). Um conto curto, mas que me conquistou de uma maneira instantânea. Com o livro não foi diferente.

A começar pela leitura, que flui de uma maneira rápida e envolvente. A habilidade do autor em sua narração é nítida, prendendo a atenção do leitor. Ele utiliza muito bem do humor e de inúmeras referências ao universo dos jogos que completam a obra de uma forma perfeita.

Apesar de não conhecer muitos dos jogos citados, em nenhum momento me senti perdido ou deslocado. Foi ainda mais interessante mesclar leitura com pesquisa e ir descobrindo coisas novas a cada capítulo.

Sobre a trama, não há o que reclamar. A construção e desenvolvimento de cada personagem foi bem sincronizada, tanto que muito dos personagens secundários são importantes para o amadurecimento do próprio protagonista. E por falar nele, Jaxon me deixou com raiva em muitos momentos, mas também revelou o quanto podemos ser egoístas e egocêntricos.

O meu problema é maior que o do outro. Eu sofro mais que o outro. EU, EU, EU. Cada vez está mais difícil ouvir, já que as pessoas acreditam que há muito mais para falar. Precisamos falar sobre o que estamos vivendo, passando, lutando, mas em poucos momentos nos solidarizamos com o ouvinte, com os demais seres ao nosso redor. O livro retrata muito bem essa ideia, além de muitas outras mensagens presentes ao longo dos capítulos.

Pode não ser um livro revelador que te marcará por anos, mas, ainda assim, Bem-vindo À Vida Real proporcionará momentos agradáveis e descontraídos de leitura, além de provocar uma série de reflexões no próprio leitor.

“Esse conforto conforto gerado digitalmente pode nos fazer negligenciar nossos relacionamentos reais, nos deixando ainda mais isolados. Hoje, eu quero saber: o que faz vocês se sentirem sozinhos?”

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Resenha – Baseado Em Fatos Reais

Por Thales Eduardo
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3 de agosto

Título: Baseado Em Fatos Reais
Título original: D’après une histoire vraie
Autora: Delphine De Vigan
Tradução: Carolina Selvatici
Editora: Intrínseca
Páginas: 256
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“Hoje sei que L. foi o único motivo da minha impotência. E que os dois anos que nos ligaram quase me calaram para sempre.”

Só fui perceber como era difícil de falar sobre Baseado Em Fatos Reais quando parei para escrever essa resenha. Comecei, apaguei. Comecei, apaguei. E fiquei nesse ciclo por algum tempo. Cogitei até mesmo não fazer.

A razão de tudo isso? Esse não é um livro qualquer, com alguma história clichê que já estamos cheios. Muito pelo contrário. Delphine surpreende e conquista a cada página. Lentamente, ela nos cerca com sua narração, trazendo a sensação de que o leitor é um dos personagens e está acompanhando junto o desenrolar dos fatos.

Em Baseado Em Fatos Reais, Delphine faz uma análise de um fato passado. O seu encontro com a ghost writer L. e o seu quase fim de carreira.

Após o grande sucesso da sua auto biografia, a autora se vê presa no grande dilema de o que escrever em seguida. Como superar uma obra que agradou tanto assim os fãs. Delphine sente a pressão, de si própria, dos demais, todos esperando pelo próximo passo da autora.

E é durante esse período que ela conhece L.. Sempre disponível e prestativa, L. se mostra uma grande amiga para Delphine. A cada dia que passa, elas vão ganhando mais intimidade, a ponto da autora revelar todos seus medos e anseios para a amiga.

Mas não há reciprocidade. L. suga todas as informações de Delphine, mas quando é sobre si mesma, ela se cala, dá informações vagas.

Quando tudo isso estava acontecendo, Delphine não percebia os sinais suspeitos dessa relação. Mas agora que já passou por tudo e nos conta como foi, ela permite-se fazer comentários a cerca de determinados fatos.

Um relação de abuso, poder e influência. Relação essa que deixará marcas para sempre.

“Existe uma grande diferença entre o que você está sentindo, a maneira como se vê e a imagem que passa.”

Relativamente curto, Baseado Em Fatos Reais é composto por capítulos rápidos, que trazem dinâmica para o livro. Ainda assim, Delphine nos presenteia com uma narração profunda e rica.

A obra mescla o drama com suspense, deixando o leitor angustiado para saber até que ponto aquela “amizade” irá e quais serão as consequências disso.

Talvez muitos já suspeitavam do tal final, mas ainda assim Delphine surpreende na forma em que descreve e amarra tudo. As pistas estavam desde o primeiro capítulo e após o encerramento é que percebemos como tudo foi muito bem planejado pela autora.

Baseado Em Fatos Reais gera uma inquietação no leitor e não passará em branco. Você certamente irá repensar muitas coisas, chegando até questionar se não possui uma L. em sua vida.

“A escrita é muito mais poderosa do que você possa imaginar. A escrita é uma arma de defesa, de fogo, de sinalização, a escrita é uma granada, um míssil, um lança-chamas, uma arma de guerra. Ela pode devastar tudo, mas também pode reconstruir.”

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Resenha – Eu Sou A Lenda

Por Thales Eduardo
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25 de julho

Título: Eu Sou a Lenda
Título original: I Am Legend
Autor: Richard Matheson
Tradução: Delfin
Editora: Aleph
Páginas: 384
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“O mundo se tornou louco, pensou. Os mortos andam por aí e eu acho isso normal.”

Em 1975 uma praga devastadora transformou para sempre a vida na Terra. Ninguém encontrou a razão nem mesmo uma cura para o que estava acontecendo e, assim, toda população terrestre acabou morta. Todos menos um.

Robert Neville, que não sabe exatamente o porquê de ser imune à praga é o último ser humano. Pelo menos é isso que ele acredita.

Entretanto as pessoas não apenas morreram, elas voltaram na forma de vampiros.

Após quase um ano sem nenhum contato humano, Neville continua resistindo. Ele organizou sua casa criando um sistema que permite sua sobrevivência mas também que repele todas as noites os vampiros que, ansiosamente, o cercam aguardando ter o prazer de lhe pegarem.

Neville passa seus dias buscando encontrar uma explicação lógica para tudo que aconteceu alguns meses atrás e também sente o isolamento constante da sua vida atual.

Mas as coisas nem sempre são tão ruins que não possam piorar, e Neville está prestes a descobrir que aquilo que ele tanto esperava poderá colocar tudo que ele construiu em risco, até mesmo sua própria vida!

“Em um mundo de terror monótono, não podia haver salvação, nem nos sonhos mais loucos.”

Richard Matheson lançou esse livro em 1954, se tornando um clássico que influenciou alguns escritores importantes, como por exemplo, Stephen King.

Mesmo com mais de 50 anos, esta obra não perde seu poder. A história criada por Matheson é um tanto quanto curiosa. Nada de zumbis, o fim do mundo aqui foi causado pelos vampiros, daqueles bem mortíferos que estão em falta na literatura atualmente.

O protagonista foi muito bem criado e mesmo com toda a solidão temos muitos diálogos engraçados que o personagem tem com ele próprio. Esse livro trata também da questão do isolamento. Como isso afeta a vida das pessoas, influenciando drasticamente seus atos.

As partes de suspense são muito bem criadas e prendem o leitor. O único fato que talvez possa incomodar os que buscam isso no livro é exatamente a falta de mais cenas assim. Por exemplo, todas as noites os vampiros cercam a casa de Neville, mas ainda assim você não sente a tensão que deveria sentir. Isso porque conforme é narrado, a casa aparentemente não corre o risco de ser invadida.

“Um homem pode se acostumar com qualquer coisa, se for obrigado a isso.”

Ao decorrer da história vamos descobrindo alguns fatos do inicio dessa praga e em como isso afetou a vida do protagonista. Essa é uma forma de entender todo o sofrimento e crise existencial que o personagem sofre. A solidão absoluta não é algo fácil de ser lidada.

Outro fato que surpreende são as explicações para a praga que assolou o mundo. O protagonista ao fazer uma análise do que aconteceu, acaba desenvolvendo uma teoria que explica tudo. Então, diferente do que ocorre em muitas outras obras, nessa ao terminar você saberá o que de fato causou tudo. Claro que superficialmente, mas ainda assim já é satisfatório.

Está edição da editora Aleph está primorosa, com capa dura e uma diagramação incrível rendendo longos momentos de apreciação. Há também alguns materiais extras interessantes e que tornam a obra ainda mais valiosa.

Matheson conduz a história de uma forma impressionante com um final que supera todas as expectativas. Leia e surpreenda-se!

“Um novo terror nascido na morte, uma nova superstição entrando na fortaleza inexpugnável da eternidade. Eu sou a lenda.”

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Resenha – Mestre das Chamas

Por Thales Eduardo
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17 de julho

Título: Mestre das Chamas
Título original:  The Fireman
Autor: Joe Hill
Tradução: Fernanda Abreu
Editora: Arqueiro
Páginas: 592
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“Num mundo cheio de coisas que pegam fogo, ninguém desconfia de um bombeiro.”

Em Mestre das Chamas, Joe Hill nos apresenta uma pandemia que coloca em risco toda a existência humana. Escama de dragão, como é conhecida, causa a combustão espontânea do infectado. Isso mesmo, a pessoa portadora da doença, ao atingir certo nível de infecção, pega fogo, queimando a si mesma e a tudo que está ao seu redor. Não há respostas, ajuda ou solução. Não há cura.

Quando Harper apresenta marcas pelo corpo, um dos sinais da doença, ela sabe que é o seu fim. Mas ela tem ainda uma outra grande descoberta, está esperando um bebê. Grávida e infectada, ela só quer salvar seu filho. Entretanto não poderá contar com a ajuda do marido, que a abandonou (por assim dizer, mais detalhes no livro).

Tudo que ela sabe sobre a doença é colocado em cheque quando ela encontra o bombeiro, um indivíduo que consegue controlar as chamas e usá-las para salvar aqueles que precisam. Mesmo sendo portador, ele de alguma forma encontrou uma maneira de comandar a doença transformando ela em uma arma.

É através dele que Harper encontra um grupo de pessoas, todas infectadas, que apesar de não terem as mesmas habilidades do bombeiro, conseguiram também sobreviver ao que era pra ser fatal.

Só que o caos já espalhou pelo mundo e ninguém sabe nada sobre a doença, então grupos de extermínio se formam e saem em busca dos infectados. Além do perigo externo, Harper nota que a própria comunidade não vive tão em harmonia como aparenta. É um efeito dominó, no qual tudo está ruindo. Só resta saber qual será a peça que definirá o fim de todos.

“É preciso cuidar uns dos outros, caso contrário viver é andar sobre cinzas, um fósforo pronto para ser aceso.”

Quando comecei a leitura de Mestre das Chamas não esperava que leitura fosse se tornar tão complicada, enfadonha. Apesar da ótima premissa, Joe Hill não conseguiu me conquistar com sua narrativa, muito menos com os personagens.

Esperava um suspense, um livro que empolgasse. Mas o suspense é contido, no qual leitura segue sem causar muita tensão no leitor. Na capa tem uma citação que diz o seguinte: “Original e envolvente. As páginas viram sozinhas.”. Gostaria de saber se o Martin realmente estava falando desse livro, pois sinceramente, para mim foi totalmente o contrário. A começar pela originalidade, que se conteve apenas na ideia central da trama. Impressão que fiquei foi que Hill utilizou de clichês para moldar sua trama.

Envolvente? Talvez só os primeiros capítulos, mas quando passam cem páginas, cento e cinquenta, e você percebe que nada está acontecendo de fato é difícil manter animação.

Alguns pontos funcionaram, muitos outros não. Terminei leitura frustrado, tentando entender em que ponto da trama minha empolgação se transformou em tédio.

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Resenha – Um Menino Em Um Milhão

Por Thales Eduardo
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4 de julho

Título: Um Menino Em Um Milhão
Título original:  The One-in-a-Million Boy
Autora: Monica Wood
Tradução: Marcelo Mendes
Editora: Arqueiro
Páginas: 352
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“Eu tinha um vazio em mim, e quando você é do tipo que tem um vazio, faz o quê? Procura alguém que o preencha.”

Um Menino Em Um Milhão tinha tudo para ser uma das leituras mais emocionantes do ano. Só que, infelizmente, não foi bem assim que o livro acabou se revelando.

A obra desperta instantaneamente o interesse do leitor através da sua interessante sinopse. Um menino escoteiro que se torna amigo de uma centenária, despertando nela uma vontade pela vida que a muito tempo não sentia.

O tempo sempre pareceu mais urgente para ela, ninguém esperava que uma criança morreria tão cedo assim. Mas aconteceu e o impacto disso afetará cada um deles.

Quinn, o pai ausente que nunca conseguiu perceber no filho semelhanças que os aproximassem, agora resolve cumprir o trabalho que falta do filho. Ele ficará encarregado de semanalmente visitar Ona, a centenária, e ajudá-la nas atividades que precisar

Essa relação entre os dois somado a morte do menino farão ambos repensarem a própria vida e os caminhos que os levaram até o presente momento. Será uma grande aventura interior, uma forma de superar a perda e enfrentar o futuro.

É praticamente impossível não criar expectativas com uma premissa assim. Quando peguei o livro em mãos já estava me preparando psicologicamente para o que estava por vim. Só que os capítulos foram passando e quando percebi havia acabado o livro e praticamente não tive nenhuma ligação forte com história.

Talvez a escolha por uma narração em terceira pessoa não tenha colaborado, não consegui simpatizar com os personagens de uma forma que aquilo que estava sendo narrado me tocasse de fato. E isso simplesmente acabou comigo, pois eu queria muito aproveitar cada página da melhor forma possível.

Não podemos negar o imenso potencial de Um Menino Em Um Milhão e talvez saber disso foi o que me deixou tão chateado em não ter gostado tanto assim do livro. Há tantas promessas, caminhos que a autora poderia ter conduzido a história, tantos modos diferente de surpreender lindamente o leitor. A lição que fica é que nem sempre a escolha mais fácil é a melhor, simples assim.

Gostaria tanto de conhecer mais detalhes da relação entre o menino e a senhora, de ver algum sentimento do pai, que na minha opinião passou todo livro olhando apenas para si mesmo e na busca de ter a mulher de volta. Uma mulher que perdeu o filho, que está perdida e que definitivamente não é o que um dia já foi. O que Quinn vê como amor percebo como querer ter de volta algo que um dia já teve e foi bom.

Esse menino tão importante que foi destacado entre um milhão passa o livro nas sombras, sendo pouco lembrado e utilizado. Na minha opinião, os melhores capítulos do livro foram os que o menino estava interagindo, principalmente o último capítulo (não vou soltar spoilers, mas é o melhor capítulo do livro e emociona mais que a obra toda!).

Sinceramente, não gostaria de estar escrevendo uma resenha negativa assim. Mas o que sempre friso é que a leitura é diferente para cada um. Tanto que já li inúmeras resenhas contendo vários elogios desse livro. Então meu pedido é que não deixe de maneira nenhuma que essa resenha interfira na sua leitura. Leia sem julgamentos e compartilhe comigo sua experiência. Espero descobrir que encontraram no livro aquilo tudo que eu procurava!

“Ninguém vai amar você mais do que ama a si mesmo.”

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Resenha – Misery

Por Thales Eduardo
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29 de junho

Título: Misery – Louca Obsessão
Título original:  Misery
Autor: Stephen King
Tradução: Elton Mesquita
Editora: Suma de Letras
Páginas: 326
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“EU SOU SUA FÃ NÚMERO 1.”

Paul Sheldon é um grande escritor de sucesso. Tudo estava ótimo, até o dia em que ele terminou o livro que considerava o melhor de sua carreira até o momento. Durante uma viagem de carro, Paul enfrenta uma terrível tempestade sofrendo um grande acidente.

Mas nem tudo estava perdido. Paul sobreviveu e foi resgatado pela Annie Wilkes, que por coincidência (será?) é uma grande fã do seu trabalho. Tem todos os livros do escritor e o admira de uma maneira sem tamanho.

O que Paul não sabia é que nem sempre se pode brincar com os sentimentos de uma fã tão acalorada assim.

Tudo vai por água quando Annie descobre que no último livro de Paul ele matou Misery, uma personagem que enfrentou diversos percalços durante a vida e que teve seus momentos narrados ao longo de vários livros. Annie simplesmente não aceita esse final para sua tão amada personagem e irá fazer de tudo para que Paul escreve um novo livro para ela.

“Pela primeira vez o  pensamento emergiu na mente de Paul Sheldon: Eu estou encrencado. Essa mulher não bate bem.”

Stephen King. Começamos por aí. O gênio da literatura ataca novamente e uma vez mais nos brinda com personagens surreais e sinistros. Dessa vez sem envolver nada sobrenatural, apenas a fúria de uma fã descontrolada.

Simplesmente incrível a maneira que King desenvolve Misery. Ao longo dos capítulos sofremos angustiadamente com Paul. Vemos pouco a pouco o homem ceder a loucura e enquanto uma mulher surge através dela.

Apesar de a leitura demorar alguns capítulos para pegar ritmo, aos poucos vamos nos adaptando ao modo de narração do livro e caímos de vez na história bizarra que está sendo contada.

O desenvolvimento de Paul quanto de Annie são simplesmente incríveis. Ao longo da obra o autor aprofunda todo o terror vivido por Paul e praticado por Annie. Enquanto ela perde a cabeça e se torna extremamente violenta, a ponto de ferir muitas vezes fisicamente, Paul vai cedendo lentamente a esse estado do cativeiro, estando a um passo da loucura.

Os capítulos curtos facilitam para que livro flua de maneira rápida. Apesar disso tem muita coisa para acontecer nesse dias de cativeiro.

Assim como diversos outros livros  do King, Misery também ganhou uma adaptação e foi lançado como filme em 1990 rendendo o Oscar de melhor atriz para a Kathy Bates. Essa foi a primeira vez que uma atriz ganhou o Oscar por atuação em um filme de terror.

Ainda que até o momento não tenha assistido o filme, só pelo trailer já percebemos que a atuação dos dois personagens principais está incrível.

Esse é o terceiro livro lido do King e a sensação final continua a mesma: EU PRECISO LER MAIS LIVROS DELE!

*TRAILER DO FILME*

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Resenha – Fábrica de Vespas

Por Thales Eduardo
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22 de junho

Título: Fábrica de Vespas
Título original: The Wasp Factory
Autor: Ian Banks
Tradução: Leandro Durazzo
Editora: Darkside
Páginas: 240
Ano: 2016

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“Às vezes, os pensamentos e as sensações que tenho não concordam uns com os outros, então acho que devo ter um monte de gente diferente no meu cérebro.”

Falar sobre Fábrica de Vespas não é uma tarefa fácil. Um livro tão forte e com tantas caminhos diferentes na sua história não pode ser facilmente resumido em algumas poucas palavras.

Publicado originalmente em 1984, a obra de Ian Banks chocou e gereu críticas controversas. Entretanto, foi considerado um dos romances mais importantes do século XX.

Três décadas já se passaram desde então, mas o impacto do livro ainda é gigantesco.

“Nosso destino é o mesmo, no final, mas a viagem – em parte escolhida por nós, em parte não – é diferente para cada um, e se altera enquanto crescemos.”

Muita coisa só precisa ser descoberta durante a leitura,  mas o que você precisa saber é que Frank é um psicopata. Ao longo dos anos,o jovem garoto desenvolveu práticas perturbadoras e chocantes contra animais e até mesmo humanos.

Mesmo tendo consciência dos atos que comete, Frank cria, de uma maneira fria, explicações que para ele próprio  servem como uma  aprovação para tudo que fez e está fazendo.

Praticamente isolado do mundo, ele passa os dias envolvido nas suas atividades nada ortodoxas, se é que podemos definir assim. O que Frank não esperava fosse que seu irmão mais velho, que estava internado em um hospital psiquiátrico, fugisse.

Certamente ele voltará para casa e Frank precisa estar preparado para o que isso significa. Só que muito mais que um reencontro, isso poderá  significar uma volta ao passado obscuro da família revelando fatos que mudarão todos eles para sempre.

“Pensei que uma porta havia se trancado às minhas costas, anos atrás, mas, na verdade, eu estava me arrastando pela superfície. Agora as portas se fecham, e minha viagem começa.”

Fábrica de Vespas é uma leitura única e crua. Ian Banks não poupa palavras e detalhes para expor a mente bizarra de seu protagonista.

Com capítulos rápidos, a leitura flui de maneira fácil. Ainda assim, algumas descrições irrelevantes podem tornar a narração um tanto quanto arrastada em determinados momentos. Mas é fato que Ian criou algo tão impactante que faz o leitor querer cada vez mais.

Mesclando entre presente e passado, conhecemos não somente de Frank, mas também da sua família  e o que cada um  enfrentou. Isso torna o livro ainda mais rico e nos dá um panorama geral do que está acontecendo.

“De repente ele é louco de verdade. De repente eu que sou. Talvez todo mundo seja.”

Outro ponto positivo da obra foi a maneira real que o autor expôs a psicopatia. A narração pelo próprio psicopata nos mostra como funciona o pensamento de uma pessoa assim. Isso gerou em mim uma curiosidade e vontade de pesquisar mais sobre o assunto.

Apesar de começar de um maneira tímida, o livro vai ganhando ritmo e surpreendendo (e assustando) o leitor a cada capítulo. Sem dúvidas, o ápice da leitura são os capítulos finais que trazem ao leitor uma conclusão jamais esperada (nada vai te preparar para isso, boa sorte!).

Enfim, Fábrica de Vespas merece e deve ser lido!

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Resenha – A Verdade Sobre Nós

Por Thales Eduardo
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20 de junho

Título: A Verdade Sobre Nós
Título original:  The Truth About You And Me
Autora: Amanda Grace
Tradução: Regiane Winarski
Editora: Intrínseca
Páginas: 208
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“Então, para você, para mim, para eles, aqui está: A verdade sobre nós.”

O futuro de Madelyn Hawkins já foi traçado. Seus pais definiram todos os passos que a filha precisa dar para alcançar um futuro que para eles é o melhor possível. Como boa filha que é, Madelyn se tornou aquilo que seus pais esperavam. Boas notas, comportada, a filha perfeita.

Quando a garota consegue uma vaga num programa para jovens talentos, que lhe permite pular os anos que faltam do ensino médio e ir direto para a faculdade, ela vê nisso uma oportunidade para algo novo. Madelyn está cansada de correr atrás de um futuro do qual nem ter certeza se lhe agrada. Talvez a faculdade traga a mudança que ela tanto clama.

Quando ela encontra Bennet Cartwright sente algo diferente. A conexão entre os dois é praticamente instantânea. Há uma química, um entendimento. Mas há um grande porém que traz complicações para essa relação, além de ser seu professor, Bennet é quase 10 anos mais velho que Maddie, sendo que ela tem apenas 16.

Por estar na faculdade, Bennet calcula que Maddie seja mais velha do que realmente é. Ela, para não perder essa relação tão forte, decide omitir esse detalhe. A relação entre professor e aluna não é permitida, então tudo que eles precisam fazer é aguardar até o final do período letivo.

O envolvimento entre os dois a cada dia vai ficando mais forte, mais intenso. A contagem regressiva segue, ambos ansiosos. Mas não só a relação de professor x aluno está em jogo, ainda há a questão da idade. Madelyn sabe que revelar para Bennet a idade real que tem pode por fim de uma vez por todas no relacionamento. As mentiras se tornam uma bola de neve cada vez ganhando mais força e tamanho.

Só que a verdade uma hora aparece e as consequências podem ser devastadores. Madelyn está prestes a descobrir isso.

“Em algum momento da vida, percebi que havia subido em um avião e o observara decolar, e tudo que podia fazer era permanecer sentada com o cinto de segurança apertado, esperando pousar em um destino predeterminado. Um destino que eu não tinha mais certeza de desejar.”

A Verdade Sobre Nós é um livro que te surpreende. Não esperava uma grande história, mas Amanda Grace conseguiu prender o leitor em sua narração.

Narrado em primeira pessoa, Madelyn relata os fatos que viveu com Bennet. Conhecemos aos poucos como foi surgindo esse amor proibido, o passar do tempo e o amadurecimento do casal, até o trágico momento em que a verdade veio a tona e nada mais foi o mesmo.

A base central do livro, sem dúvidas, é a idade da personagem principal. Este detalhe estará sempre presente, consciente ou inconsciente, nas ações dos personagens. A reflexão entre o que é certo ou errado é inevitável. Até que ponto um jovem de 16 anos tem consciência das suas ações e das demais pessoas? Amar outra pessoa pode ser considerado algo tão bizarro assim?

É uma leitura dinâmica, que desperta o interesse no leitor. Você anseia para saber cada vez mais do que está por vir, mas sofre fortemente quando o livro chega ao fim.

Relativamente pequeno, A Verdade Sobre Nós pode ser lido em poucos dias, quem sabe algumas horas. Mas ainda assim há uma grande trama nessas duzentas páginas que conquistará o leitor facilmente!

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Resenha – O Sorriso da Hiena

Por Thales Eduardo
|
14 de junho

Título: O Sorriso da Hiena
Autor: Gustavo Ávila
Editora: Verus
Páginas: 266
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“Como podemos medir a punição adequada para um ato contra outra pessoa? Haveria alguma justificativa para a realização de um ato de crueldade?”

Quando procuramos um bom livro, muitas vezes partimos direto para literatura estrangeira. Esquecemos dos inúmeros escritores brasileiros talentosos que existem e que apenas não receberam ainda a devida atenção. Confesso que fui conhecer O Sorriso da Hiena e o próprio Gustavo Ávila a pouco tempo atrás. Mas hoje, após concluir leitura, afirmo que eles provavelmente não sairão da minha cabeça tão cedo!

Em O Sorriso da Hiena nos deparamos no meio de uma onda de assassinatos e num grande dilema. William é um psicólogo infantil que recebe uma proposta que mudará para sempre sua vida (e a de muitos outros). Quando tinha 8 anos, David presenciou a morte brutal de seus pais. Agora, muitos anos depois, ele quer saber o impacto disso na vida de uma criança. Para isso, ele está disposto a repetir com outras famílias a crueldade que sofreu, cabendo a William fazer o acompanhamento de cada uma das crianças.

William sabe que é absurdo sequer cogitar tamanha barbárie, mas ainda assim, ele também sabe que um estudo dessa forma poderia mudar para sempre o que sabem sobre a maldade humana. As consequências dessa escolha assombrarão para sempre William, seja qual for ela.

“A vida simplesmente acertou o martelo no nervo certo, e o chute pegou o que estava pela frente.”

Em O Sorriso da Hiena todas as minhas expectativas foram superadas. Há muito tempo não lia algo que mexesse tanto comigo. Quando você começa leitura, percebe a grandeza do livro e simplesmente não quer mais largar. Essa necessidade em devorar a trama me consumiu, de modo que passava o dia esperando pelo momento em que retornaria leitura.

Gustavo Ávila criou uma trama que é digna de todos os elogios possíveis. Com personagens tão bem construídos e uma trama estruturada, o fascínio pela obra é inevitável. Com a narrativa certa, Gustavo nos conduz por uma história impactante.

O autor traz o leitor para o trama e o faz refletir sobre tudo que está acontecendo, sobre os dramas de cada personagem. O dilema de William se estenderá a você, pode ter certeza disso!

Narrado em terceira pessoa, a narração alterna entre os personagens dando o toque certo ao livro. É através de cada um deles que vamos acompanhando o desenrolar dos fatos e suas consequências. A cada capítulo somos surpreendidos por um fato novo ou por uma consequência que não prevíamos.

“Superar é poder estar perto de algo que você decidiu largar.”

O Sorriso da Hiena já se tornou uma das melhores leituras desse ano e com certeza um dos favoritos. Vale a pena a leitura!

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Resenha – Mentiras Como O Amor

Por Thales Eduardo
|
21 de maio

Título: Mentiras Como O Amor
Título original:  Lies Like Love
Autora: Louisa Reid
Tradução: Ivar Panazzolo Junior
Editora: Novo Conceito
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“Alguma coisa me dizia que eu precisava confiar em alguém, em  algum momento. Mas como eu poderia ter certeza? Como saber em quem confiar?”

O amor é um sentimento muito estimado por todos. Mas como suportar o amor quando ele te sufoca? Quando ele te prende? Quando ele lentamente acaba com sua vida? Será que isso ainda pode ser definido como amor?

A Coisa está sempre a espreita, roubando cada momento de felicidade de Audrey. É claro que ela não pode contar isso para os outros, quem acreditaria numa loucura dessas? Quando ela chega na casa nova com a mãe e o irmão, tudo que ela espera é que os velhos fantasmas fiquem para trás.

O lugar pode não ser tão aconchegante quanto esperava, mas isso tudo acaba ficando em segundo plano quando Audrey conhece Leo. Apesar de serem muitos novos ainda, ambos já tiveram que enfrentar suas próprias batalhas. A conexão entre eles é quase instantânea.

Leo desperta em Audrey um sentimento novo, uma vontade de aproveitar a vida. Tudo é possível, até mesmo enfrentar os problemas mais complicados.

Mas Audrey não vê uma maneira de aproveitar esse futuro cheio de oportunidades que está se abrindo para ela, não sem sua família. Ela ama o irmão e sabe os dois são a base um do outro. A mãe é enfermeira e trabalha incontáveis dias. Audrey precisa ficar com eles, cuidar deles.

Mas ficar significa continuar com A Coisa, que está em cada canto da casa, só esperando o momento em que Audrey baixará a guarda.

O amor prende, liberta, mata. Cedo ou tarde, Audrey descobrirá isso.

“As pessoas sonham com várias coisas, como serem livres, por exemplo. Mas a liberdade é uma ilusão.”

Cada leitura é um mistério. Nunca sabemos de fato o que aquelas palavras irão despertar em nós. Quando comecei Mentiras Como O amor confesso que não tinha grandes expectativas, já que livro havia quase passado despercebido por mim.

Só que logo no primeiro capítulo, Louisa Reid despertou em mim um interesse imediato. Interesse em saber onde aquilo levaria. A leitura ganhou ritmo e quando percebi, largar o livro já era uma tarefa difícil. Simplesmente passava dia pensando no livro e ansiando por o momento em que conseguiria ler mais.

Mentiras Como O Amor superou todas as expectativas. Esse é um livro que mexe com os sentimentos do leitor, o deixa inquieto, o divide entre a vontade de querer ler tudo de uma vez e a vontade de querer que livro dure bem mais.

“Todo mundo tem sua própria dor. Você não precisa ter vergonha disso.E, se você está doente, então pode melhorar. É isso que você precisa ter em mente.”

O mistério central do livro não é tão difícil de prever, mas acredito que essa é a intenção da autora. Acompanhamos de uma forma sofrida o decorrer dos fatos, sabendo do mal que espreita nossa protagonista, mas sem poder ajudá-la. Nada de apenas um romance qualquer, Louisa nos brinda com uma obra tensa e cruel (ainda estou tentando superar alguns capítulos).

Não só assustador, mas revoltante. O livro relata fatos que não deveriam ser vividos por ninguém, ou pior, que não deveriam ser praticados por ninguém. Deixarei aqui tudo nas entrelinhas para não acabarmos em algum grande spoiler, mas quando você terminar leitura irá entender o que estou dizendo.

Enfim, só leia. Permita-se conhecer Mentiras Como O Amor e descobrir tudo que essa história tem a oferecer!

“Eu entendi o motivo de tudo, exatamente naquele lugar, naquele momento. Que a felicidade é ser amada por quem você é sem nenhuma reserva ou hesitação, sem retroceder ou se importar com o que qualquer pessoa venha pensar. Era confiança; era fé; era saber que o amor que você dá fica seguro no coração de outra pessoa.”

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