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Resenha – Quando Tudo Faz Sentido

Por Thales Eduardo
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6 de Fevereiro
Título: Quando Tudo Faz Sentido
Título original: Falling Into Place
Autora: Amy Zhang
Tradução: Joana Faro
Editora: Rocco
Páginas: 320
Skoob: Aqui

“A vida é mais que causa e efeito. As coisas não era tão simples assim.”

Quando tudo está um caos, quando vê as consequências de seus atos afetando as pessoas que a cercam, Liz chega a conclusão que já não há salvação para si. Chegou a hora de colocar um fim ao trem desgovernado chamado Liz Emerson.

Em um ponto da sua história, Liz deixou de se importar com muita coisa e começa a agir sem medir os efeitos de cada um dos seus atos. Apesar da popularidade na escola, ela não é um exemplo a ser seguido.

Além de ferir os sentimentos daqueles que cruzam seu caminho, Liz fere a si própria gradualmente. Ao mesmo tempo em que percebe que aquilo não é certo, ela também já não vê uma forma de ser diferente.

Quando se dá conta do rumo que sua vida tomou, não parece haver maneiras de mudar as coisas. Então Liz planeja, traça uma rota para acabar de ver com a causadora de tudo que julga errado: ela mesma. 

“Porque Liz Emerson guardava tanta escuridão dentro de si, que fechar os olhos não fazia muita diferença.”

Em um livro tocante e envolvente, Amy Zhang nos mostra que determinados assuntos merecem diálogo. Mais importante ainda, obras como essa nos alertam sobre os perigos que todos nós estamos vulneráveis, perigos esses que muitos preferem esconder ou julgar de um jeito errado.

De forma não linear, a autora transita entre passado e presente, em um jogo de ação e reação. Vamos descobrindo aos poucos essa protagonista bagunçada, que busca seu lugar no mundo mesmo sem saber ao certo qual é. Mesmo que de uma maneira não muito correta, Liz vai seguindo a vida do jeito que pode e consegue. Foco não é julgarmos atos da personagem, mas sim percebermos a força do efeito dominó na vida de uma pessoa. Como as peças são derrubadas ao longo do ano e a maneira como cada uma delas é afetada. Como parar algo que parece inevitável?

Contudo, com um resultado muito satisfatório, Amy entrega uma obra necessária e importante

“Ela não percebia que a reação igual e oposta era a seguinte: todas as coisas terríveis , cruéis e escrotas que Liz já fizera tinham voltado para ela.”

Resenha – Olá, caderno!

Por Lucas Florentino
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1 de Fevereiro
Título: Olá, caderno!
Autora: Manu Gavassi
Ilustração: Nath Araújo
Gênero: Jovem Adulto, Ficção
Editora: Rocco Jovens Leitores
Páginas: 312
Ano: 2017
Skoob: Aqui

 

Antes de começar essa resenha, vocês precisam saber de uma coisa: eu amo a Manu Gavassi. Sério, eu sou aquele tipo de fã que compra todos os CDs (físicos e no iTunes, porque eu quero mesmo deixar essa mulher ainda mais rica e famosa), vou em todos os shows que consigo, tarde de autógrafo, passo horas ouvindo as músicas e nunca, NUNCA, me enjoo (inclusive, estou ouvindo agora mesmo enquanto escrevo). Okay, então sabendo disso, vocês devem estar pensando que eu resolvi escrever esse post para poder declarar o meu amor por todos os parágrafos, né? Não! Eu prometo que vou tentar me controlar e focar só no livro, nos pontos positivos e negativos, porque nosso objetivo aqui no Nunca Desnorteados é justamente esse, dizer o que realmente achamos de tal obra e deixar que vocês decidam se querem ou não ler tal livro. Então vamos lá!

Em “Olá, caderno!” nós conhecemos Nina, uma garota de 17 anos que resolve escrever um diário. Não, diário não, porque como ela mesma diz, diário é infantil e ela já é praticamente uma mulher, rs. Nina é sincera, divertida, dramática (talvez eu tenha me identificado bastante nesse ponto) e, acima de tudo, real. Um dos problemas que sempre me incomodam em alguns livros são personagens que são sempre “personagens” demais. Aquela coisa que você pensa que nunca existiria no mundo fora das páginas, mas Nina é absurdamente parecida com várias pessoas que eu conheço, inclusive a mim mesmo.

O livro é escrito como se fosse realmente o caderno da Nina, os capítulos são os dias que ela resolve escrever, então tudo o que lemos são as coisas que ela quis colocar para fora, e o mais legal disso é que a personalidade e as emoções dela ficam bem nítidas, como, por exemplo, em um dos capítulos ela conta que está super ansiosa para tal coisa, o que nos faz esperar para o próximo capítulo, aí ela aparece e diz que não está bem para escrever sobre, e automaticamente nós entendemos que algo deu errado e ela preferiu guardar para si mesma, que não está preparada para compartilhar.

Esse ponto pode até chegar a irritar um pouco alguns leitores, mas comigo foi meio diferente, eu ficava sempre muito curioso e inventando coisas na minha cabeça, pensando na vida dos outros personagens e naquilo que a Nina não quis contar. Era como se o outro lado da história fosse se desenvolvendo na minha cabeça e depois casando com a história que eu lia. Acredito que, para cada leitor, essa história foi ganhando um repertório alternativo, o que transforma a experiência de leitura ainda mais interessante.

“As pessoas realmente estão esquecendo coisas básicas: escrever com a mão, sem digitar, ou comprar um CD e conseguir segurá-lo de fato, ou ler um livro e sentir o cheiro das páginas (que, aliás, eu amo), ou conhecer uma pessoa pessoalmente e conversar com ela pessoalmente.”

Além de Nina, nós conhecemos sua irmã mais velha, seu irmão gêmeo, seu melhor amigo e diversos outros personagens que acabam tendo seu momento durante a leitura. Eu senti que muitos deles acabaram não sendo muito bem desenvolvidos, mas entendo o motivo, já que a história era contada pelo ponto de vista da Nina, ela nos mostrava apenas o que queria de cada um deles.

A história da Nina é muito parecida como a de muitos adolescentes, então não dá para ficar esperando grandes acontecimentos durante as páginas, o mais legal não é a história em si, mas a forma como ela é contada.

Um dos meus maiores medos era que o livro fosse infantil demais, porque, por mais que eu goste da capa, é isso que ela me remete: um livro para garotinhas de doze anos (não que eu tenha algo contra livros para garotinhas de doze anos, inclusive, leio, hahaha). Mas não se deixe enganar, o livro chega a ser até bem maduro em diversos pontos, falando sobre drogas e relacionamentos, e alguns palavrões não são poupados.

“Na verdade, acho que as pessoas querem mostrar que são felizes ou tristes porque estão ocupadas demais tentando desesperadamente definir o que são.”

O final do livro, apesar de resolver todos as pontas que foram deixadas pelo caminho, ainda assim conseguiu ficar aberto o suficiente para esperarmos uma sequencia dessa história. Se ela realmente vai acontecer, eu não sei, mas a torcida do lado de cá não está fraca. 

Se “Olá, caderno!” foi um dos melhores livros que já li? Não, mas com certeza ele me rendeu bons momentos de leitura, ótimas risadas e, como fã, foi bem interessante poder conhecer esse  outra lado da Manu, mal posso esperar por mais histórias desses personagens que já amo!