Tag: YA

Resenha – Batman – Criaturas da Noite

Por Lucas Florentino
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2 de Março
Título: Batman – Criaturas da Noite
Título original: Batman – Nightwalker
Autora: Marie Lu
Tradução: Mariana Serpa
Editora: Arqueiro
Gênero: Ficção, Fantasia, YA
Páginas: 256
Ano: 2018
Skoob: Aqui

Eu odeio o Batman! Okay, talvez eu não devesse começar esse post com essa frase, mas eu preciso ser sincero com vocês. Eu não sou muito de gostar de super-heróis, mas dos poucos que conheço e consumo as histórias, seja por filmes, séries animadas, HQs, etc, o Batman nunca esteve entre os meus favoritos. “Mas Lucas, eu já vi você usando camiseta do Batman em fotos do seus instagram e blá blá blá…” Sim, a camiseta é legal, o personagem não! Mas esse post é para falar sobre o livro, e não sobre as brusinhas do meu guarda-roupa, então vamos lá! 

No ano passado a Editora Arqueiro começou a publicar aqui no Brasil uma série de livros de autoras famosas contando suas versões de clássicos da DC. O primeiro volume, Mulher-Maravilha: Sementes da Guerra, escrito pela querida Leigh Bardugo, chegou aproveitando todo o hype trazido pelo filme da nossa amazona favorita. Dessa vez, Marie Lu vem nos contar a história do Batman e as Criaturas da Noite.

A história do livro se passa pouco antes de Bruce se tornar o homem morcego que todos conhecemos. Depois de ter presenciado um terrível homicídio que matou seus pais quando era só uma criança, Bruce foi criado por Alfred, sua babá seu fiel guardião, e agora está no auge da adolescência. Prestes a terminar o colégio, ele é apenas um garoto “””normal””” (detalhe para as muitas aspas em “normal”). 

Durante um importante evento social da qual participava, Bruce teve um desentendimento com um de seus amigos e resolve voltar para casa, porém o que ele não esperava era que no caminho de volta ele se depararia com a cena de um crime e a oportunidade de ajudar a polícia de Gotham a capturar o bandido. Mas a justiça não entendeu da mesma forma, visto que Bruce colocou em risco a vida de muitas outras pessoas, inclusive a dele. Sendo assim, como pena, foi condenado a prestar serviços comunitários no Asilo Arkhan, um presídio onde estavam os maiores bandidos de Gotham.

É lavando o chão do presídio que Bruce conhece Madeleine e descobre sobre As Criaturas da Noite, um grupo de bandidos que roubam e matam os mais poderosos da cidade. Preciso dizer que nosso garotão vai querer se meter e tentar solucionar esse caso?

Bem, eu juro que tentei gostar desse livro. Para mim essa era uma ótima oportunidade para perder todo esse ranço que eu tenho com o Batman e talvez tentar aceitá-lo no meu coração, mas infelizmente isso não aconteceu. A impressão que eu tive era que de Batman essa história não tinha nada. Pareceu que Marie Lu já tinha uma história pronta e, ao ser convidada para participar desse projeto, só alterou os nomes e a ambientação e, voilà, o livro estava pronto.

Mas não me entendam mal, o livro não é de todo ruim. Se ignorarmos o fato de que o protagonista é o Batman, e ao invés disso enxergá-lo apenas como um adolescente mimado, ingênuo (para não dizer burro) e muito rico, pode ser que esse se torne um livro de mistério que irá agradar aqueles leitores que gostam de se aventurar em histórias rasas e previsíveis.

Se você é fã do homem morcego e quiser conferir essa história, vá por sua conta e risco!

Resenha – Estamos bem

Por Lucas Florentino
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12 de Fevereiro

“Se quem éramos no passado tivesse um vislumbre de nós agora, o que achariam?”

Existem livros que são simplesmente um soco no estomago e você tem que aprender a lidar com eles caso queira chegar até a última página. Ao contrário do que o título propõe, ‘Estamos bem’ foi como cair na toca do coelho, uma solitária queda livre onde os sentimentos mais profundos, aqueles que mais lutamos para esconder, surgem a flor da pele e nos fazem refletir sobre como devemos lidar com os problemas que encontramos durante essa longa caminhada chamada vida.

Nina LaCour nos apresenta Marin, uma misteriosa garota que está prestes a passar o natal sozinha em seu dormitório da universidade. Tudo o que sabemos até aqui é que ela deixou para trás o sol e o calor da Califórnia, assim como alguns fantasmas do passado, e está agora vivendo em meio a fria cidade de Nova York.

Em pouco mais de duzentas páginas e uma narrativa que alterna entre passado e presente, vamos conhecendo mais de Marin e todas as motivações que a levaram a fugir de tudo e todos que conhecia. Não é tanto um livro sobre fatos, mas sim sobre sentimentos.

“Relembrar é a única forma de superar o passado.”

Solidão é um tema recorrente durante toda a história. O clima criado pela autora para mostrar o quanto Marin está sozinha acaba transbordando das páginas e fazendo com que o leitor se sinta da mesma forma. Além disso, perda, luto e dor também tem seus momentos ao decorrer do livro.

Durante toda a leitura conseguimos encontrar alguns diálogos muito poderosos, mas é no silencio das personagens que Nina LaCour consegue colocar para fora tudo aquilo que está impregnado no coração de Marin.

“Eu me pergunto se tem uma corrente secreta que une as pessoas que perderam alguma coisa. Não da forma que todo mundo perde alguma coisa, mas da forma que destrói sua vida, te destrói, e quando você olha para o próprio rosto, não parece mais seu.”

Existe um momento em particular (que é óbvio que não irei contar para não dar spoiler), em que um dos segredos é revelado, que simplesmente me destruiu. Fiquei com um nó na garganta durante dias, mesmo depois de já ter finalizado a leitura. É aquele tipo de situação na qual você tem até medo de se imaginar, mas que muitas vezes acaba não tendo controle, o que torna tudo ainda mais difícil.

Mas não pense que ‘Estamos bem’ é uma montanha-russa que só vai para baixo, existem sim alguns momentos felizes, ou pelo menos uma busca por felicidade e redenção, que faz com que torçamos para que Marin saia desse buraco escuro em que ela se encontra.

Fazia tempo que eu não lia um YA tão bom e que me fizesse trabalhar tanto a minha empatia. Não foi uma leitura fácil, não foi algo que consegui ler de forma rápida, mas com certeza me trouxe muitas reflexões que dificilmente irei esquecer um dia. Nina LaCour conseguiu cumprir o que se propôs a fazer e eu só tenho elogios à ‘Estamos bem’.

Resenha – Minha metade silenciosa

Por Lucas Florentino
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12 de dezembro
Título: Minha metade silenciosa
Título original: Stick
Autor: Andrew Smith
Tradução: Rodrigo Seabra
Gênero: Drama, YA
Editora: Gutenberg
Páginas: 304
Ano: 2014
Skoob: Aqui

“Acredito que, de diversas formas, as memórias são como os sons que ficam preses dentro da minha cabeça. Eles ficam só rodopiando lá dentro em seu próprio ritmo, criando sua própria ordem, fazendo suas próprias contas.”

Vocês costumam dar uma segunda chance para um autor depois de ter uma experiência de leitura muito ruim? Minha história com Andrew Smith começou com o pé esquerdo quando, em 2016, eu resolvi ler Selva de Gafanhotos, que com certeza foi o pior livro que li naquele ano. Mas como sei que suas histórias são sempre “ou você ama, ou você odeia”, resolvi insistir, e dessa vez com Minha metade silenciosa.

O livro conta a história de Stark McClellan, um adolescente de 14 anos que desde sempre enfrentou o bullying por parte dos amigos, e o motivo disso é uma doença congênita, que o fez nascer sem uma das orelhas.

Além das práticas de bullying enfrentadas na escola, Stark também é obrigado a lidar com uma dura realidade em casa: ele e o irmão, Bosten, convivem com pais abusivos, num lar cheio de regras absurdas, onde acontecem a maioria das cenas de partir o coração.

Após a diversos maus tratos, Bosten foge de casa e deixa o irmão para trás, fazendo com que ele lide sozinho com toda a pressão e os problemas que aquela família lhe proporciona. Mas Stark resolve ir atrás do irmão, iniciando assim, uma jornada que é, acima de tudo, uma busca por amadurecimento e auto aceitação.

“E nada do que aconteceu conosco faria sentido se eu não deixasse os verdadeiros monstros que nadavam em minha cabeça aflorarem e mostrarem seus dentes. E não há amor na minha casa, somente regras.”

Quando eu iniciei a leitura de Minha metade silenciosa, eu já esperava por momentos difíceis, mas eu não tinha noção que estava embarcando em uma montanha russa que tiraria todo o ar dos meus pulmões e me deixaria paralisado. Contada através de uma narrativa simples, essa história carrega uma carga emocional muito grande e é impossível não sentir a dor que os personagens estão sentindo. Em determinado momento, eu precisei, literalmente, parar para respirar e processar tudo o que aquelas cenas me causaram.

Como a história é vivida por adolescentes, o autor aborda temas que são muito comuns nessa fase da vida, como amor, drogas, sexo e sexualidade, além dramas muito mais pesados que são, muitas vezes, só encontrados nas entrelinhas. Andrew Smith não precisou dizer na nossa cara que algumas coisas haviam acontecido, ele soube ser sutil o suficiente para nos fazer sentir aqueles atos sem citá-los uma única vez em toda a história (e eu estou aqui aplaudindo de pé toda essa maestria).

Mas não é apenas de coisas tristes que esse livro é feito. Minha metade silenciosa possui vários momentos leves, divertidos, que nos fazem sentir um quentinho no coração. E que bom que esses momentos existem, porque os personagens precisavam deles. Nós, como leitores, precisávamos deles também. Seria impossível, pelo menos para mim, chegar ao fim do livro sem encontrar algo positivo para que eu pudesse me agarrar.

E eu não posso encerrar esse post sem citar a genialidade da editora Gutenberg, que produziu a edição nacional sem uma das orelhas, exatamente como nosso querido Stark. Esse pode ter sido apenas um pequeno detalhe, mas saibam que o impacto causado foi indescritível.

Bom, depois disso tudo só me resta dizer que Minha metade silenciosa foi uma marcante experiência, e mesmo com todo o sofrimento, foi um mal necessário, daqueles que nos levam a crescer, bem como o personagem. Espero que todos possam encontrar a mesma emoção guardada nessas trezentas e quatro páginas. 

Resenha – Para todos os garotos que já amei

Por Lucas Florentino
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16 de novembro
Título: Para todos os garotos que já amei
Título original: To all the boys I’ve loved before 
Autora: Jenny Han
Tradução: Regiane Winarski
Gênero: Romance, YA
Editora: Intrínseca
Páginas: 320
Ano: 2015
Skoob: Aqui 

“O amor é assustador; ele se transforma; ele murcha. Faz parte do risco.”  

Desde que ‘Para todos os garotos que já amei’ foi lançado, em 2015, eu tenho guardado em mim a vontade de ler esse livro, mas prometi para mim mesmo que só iria começar a leitura quando toda a série já tivesse sido lançada. Bom, isso finalmente aconteceu, e já posso adiantar que a espera valeu a pena.

Lara Jean tem 16 anos e, apesar da pouca idade,  já se apaixonou algumas vezes. Romântica por natureza, ela tem o costume de escrever cartas de despedidas toda vez que uma história de amor – platônica – termina. Nessas cartas ela coloca seus sentimentos mais sinceros, se abre e confessa tudo o que está em seu coração. Não que ela tivesse a intenção de enviar essas cartas, para ela, era apenas uma forma de colocar um ponto final naqueles sentimentos que vinha tendo. Acontece que, um dia, essas cartas que vinham sendo guardadas à sete chaves, são enviadas à seus destinatários e Lara Jean vê sua vida amorosa se transformar em algo que ela jamais imaginou.

“Se o amor é como uma possessão, talvez minhas cartas sejam meu exorcismo. As cartas me libertam. Ou pelo menos deveriam.”

Diferente do que a sinopse do livro dá a entender, o foco da história não são as cartas. Quando comecei a leitura, imaginei que tudo iria girar em torno da personagem principal tentando recuperar as cartas ou algo do tipo, mas não. Aliás, as cartas são apenas o pontapé que dá início as grandes mudanças que estão prestes a acontecer na vida de Lara Jean, e, a partir daí, passamos a acompanhar o que o destino tem guardado para a personagem. 

Jenny Han tem um talento incrível para criar personagens cativantes, e uma das coisas que me fizeram apaixonar por esse livro logo de cara, foram as irmãs Song. Além de Lara Jean, a família é composta por Margot, a irmã mais velha que está prestes a se mudar para a Escócia a fim de iniciar a faculdade, e a caçula Kitty, que apesar de ter uma personalidade forte e, em alguns casos, agressiva, é uma fofura que consegue ganhar o coração de todos os leitores. Cada uma das três tem suas características bem marcantes e mesmo com todas as diferenças, possuem um laço familiar muito forte.

Devo confessar que, no início, minha personagem favorita era Margot. Me identifiquei muito com ela, com sua mania de organização que chega a ser quase obsessiva, e eu, como um virginiano neurótico, me vi representado. Mas tudo começou a mudar conforme as páginas foram avançando e Lara Jean, aos poucos, conquistou meu favoritismo. Já a amo e vou defendê-la para sempre, rs.

E por falar em personagens, não posso escrever sobre esse livro sem citar Peter Kavinsky e Josh Sanderson. Ambos receberam uma carta da Lara Jean, mas diferente dos outros destinatários, eles tiveram uma importância muito grande na história, cada um a sua maneira. Não quero dar spoilers do que acontece, mas preciso deixar bem claro aqui que sou TEAM PETER K!   

“Quando uma pessoa fica longe muito tempo, você começa a guardar na memória todas as coisas que quer contar. Tenta manter tudo organizado na cabeça. Mas é como tentar segurar um punhado de areia: os grãos mais finos escapam da mão, e, de repente, você só está segurando ar e brita. É por isso que não se pode tentar guardar tudo assim.”

De um modo geral, eu não poderia estar mais feliz com essa leitura. Foi uma agradável surpresa ter gostado tanto dessa história que há muito tempo já me rendia altas expectativas. Mais uma vez Jenny Han conseguiu me fazer devorar um livro seu e me deixar ansioso para ler os próximos, que aliás, já estou prestes a começar a leitura. 

Resenha – Fortaleza Impossível

Por Lucas Florentino
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22 de setembro
Título: Fortaleza Impossível
Título original: The Impossible Fortress
Autor: Jason Rekulak
Tradução: Roberto Grey
Gênero: Ficção, Jovem Adulto
Editora: Arqueiro
Páginas: 272
Ano: 2017
Skoob: Aqui

 

Bom, essa é a hora que eu me preparo para escrever sobre um livro, enquanto torço para não ser apedrejado…

Fortaleza Impossível foi lançado recentemente pela Editora Arqueiro e tem gerado um buzz muito grande nas redes sociais, não tem um único dia que eu não entre no Facebook ou Instagram e não veja alguém postando alguma coisa sobre esse livro, e tudo isso fez com que eu me interessasse bastante pela obra. Mesmo sem saber exatamente sobre o que se tratava, eu fiquei ansiando pela leitura, até que finalmente tive a oportunidade de ter o livro em minhas mãos e comecei a ler.

Billy Marvin (ou Will) tem 14 anos e é um clássico adolescente nerd dos anos 80, apaixonado por jogos de computador e com um número bem limitado de amigos (dois – Alf e Clark). Billy nunca foi um aluno exemplar, suas notas na escola eram sempre baixas, o que trazia um certo desapontamento para sua mãe, que, sendo mãe solteira, sempre se esforçava ao máximo para dar uma boa educação ao seu filho. Apesar de suas notas baixas, Billy é muito bom em programação e adorava criar jogos, que para época, não era algo bem visto.

Nossa história realmente começa quando o trio de amigos descobre que uma famosa apresentadora de televisão saiu na revista Playboy e, como adolescentes com os hormônios em ebulição, eles bolam inúmeros planos para conseguir a tão cobiçada revista, já sabendo que essa será uma difícil missão, pois é crime vender pornografia para menores de idade.

Um desses planos envolve se aproximar de Mary Zelinsky, filha do dono da loja, a fim de conseguir o código de segurança do local para poderem invadirem o estabelecimento a noite e finalmente poder colocar aos mãos na revista. Essa parte do plano cabe à Billy, que descobre que Mary também é apaixonada por programação e juntos começam a trabalhar em um projeto para concorrer a um importante premio de criação de jogos.

Não querendo ser aquela pessoa chata, que vive reclamando de tudo, eu sinto que tenho que expôr aqui alguns pontos que me incomodaram bastante durante a leitura, e que acabaram fazendo que eu não gostasse tanto do livro. Começando pelos personagens: eles são extremamente machistas. Sei que estamos falando de adolescentes de 14 anos, e que a realidade da época vivida era outra, porém o livro foi lançado nos dias atuais, e sinto que o autor conseguiria passar a mesma mensagem sem precisar apelar para a objetificação do corpo da mulher e comentários de mau gosto.

E por falar em comentários, um dos pontos que mais me chocou, logo no começo do livro, foi a quantidade absurda de comentários gordofóbicos. Os amigos do personagem principal falam frases tão ridículas, que eu simplesmente me recuso de colocá-las nessa resenha. Eu espera, de verdade, que tudo tivesse sido intencional, que fosse para mostrar o amadurecimento dos personagens conforme a história evoluía, mas não, infelizmente a babaquice foi gratuita e desnecessária.

Ainda sobre os personagens, eu fiquei um pouco indignado por eles não pagarem pelos seus atos (estou tentando não dar spoilers, eu juro). O trio faz diversas coisas, com efeitos bem sérios, e é revoltante ver como tudo termina para o lado deles. Foi uma série de atos errados, para não dizer criminosos, que saíram quase que sem nenhuma consequência, que me deixou perguntando qual era a mensagem que o autor quis passar com tudo isso.

Sobre o enredo, o autor até que conseguiu criar algo legal. As partes do Billy e da Mary trabalhando e criando o jogo juntos, foi uma das melhores na minha opinião, porém o que motivou tudo isso acontecer foi algo tão banal que simplesmente não deu para comprar a ideia, tornando tudo muito difícil de engolir.

Mas não são apenas coisas ruins que você vai encontrar nessas quase trezentas páginas, o livro trás diversas referências aos anos 80, como músicas e programas de tv, que faz com que o clima seja bem nostálgico, algo que até está em alta atualmente e conseguimos perceber em séries como Stranger Things e o recente remake de It, A Coisa, de Stephen King, para os cinemas.

O final conta com um plot twist que conseguiu me pegar de surpresa e até me fez aumentar uma estrela na hora de dar a minha nota, porém infelizmente não foi o suficiente para salvar toda a história.  

O jogo Fortaleza Impossível, criado por Billy e Mary no livro, existe na vida real e pode ser encontrado direto no site do autor, mas já deixo avisado: ele vicia (e é melhor do que o livro, cof cof)!

Resenha – The Beauty of Darkness

Por Beatriz Guerra
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3 de setembro

 

Título: The Beauty of Darkness – Crônicas do Amor e Ódio – Vol 3

Autor(a): Mary E. Pearson
Tradutor(a): Ana Death Duarte
Editora: Darkside
Ano: 2017
Páginas: 576
Perfil no Skoob: aqui 
Gênero: Fantasia, Ficção, Romance, YA.
 

 “Love … It’s a nice little trick if you can find it. We had found it. But now I knew finding love and holding on to it were not the same thing.”

   
   Tá aí! A trilogia chega ao final, que livro minha gente, que livro! Pra quem não leu os outros dois, não recomendo ler esta resenha. 
 
   Primeiro que preciso declarar aqui que sendo ansiosa como sou, quando terminei o segundo livro da trilogia – The Heart of Betrayal – tive que  ler algumas resenhas em inglês para saber mais sobre o terceiro enquanto o livro não era lançado aqui no BR. Digo para vocês que não achei uma resenha positiva e fiquei em choque, achando que ia flopar justo no último e eu sairia decepcionada.
 
   Qual é a minha surpresa que isso não aconteceu de jeito nenhummmm!!! Eu achei o livro ótimo!! Muito bem escrito, muito bem detalhado, finalmente uma guerra com detalhes e em que a protagonista toma a frente e luta junto! Entendo também porque algumas fãs ficaram tão chateadas com esse livro e explico pra vocês a seguir.
 
   Retomando, no segundo livro, temos Rafe e Lia escapando das garras do Komizar e fugindo de Venda, sendo que Lia está em um estado grave de saúde por conta das flechas que a acertaram. Obviamente ela não morre, afinal não teríamos um terceiro livro tão longo se isso tivesse acontecido, convenhamos.
 
   Agora no terceiro livro, os personagens entram em uma nova jornada: retornar a Dalbreck em segurança. Enquanto Lia e Rafe embarcam nesse rumo junto com Tavish, Jeb, Sven e Orrin, Lia aos poucos recupera a sua força, passa a confiar nos homens de Rafe e sente cada vez mais os poderes do dom. Kaden e Griz logo se juntam a eles, para a desconfiança de todos.
 
   Quando eles finalmente chegam em um posto avançado de Dalbreck, Rafe é engolido pelos problemas na corte. Ele não só descobre a situação dos seus pais e tem que lidar com esse choque, além de um possível motim que está aflorando no seu próprio reino devido a longa ausência do príncipe. É a largada para os problemas no seu relacionamento com Lia. Dalbreck demanda cada vez mais sua atenção e os comandantes do seu reino desacreditam em todos os relatos em relação ao exército de Venda, logo, ninguém leva Lia a sério.
 
   Tem alguns momentos românticos bem fofos entre os dois, mas tem bem mais discussões. Lia não é uma princesa pra ficar curtindo a vida na corte enquanto sabe muito bem que há uma guerra pairando e que o primeiro reino a ser atacado será o seu. Ela conhece muito bem o Komizar, não há tempo. É a partir daí que seu dever e seu dom falam mais alto que seu amor por Rafe. E não apenas seu dever para com Morringhan, o último livro demonstrou bastante o amor que Lia desenvolveu por Venda.
 
   É nesse ponto que muitos fãs ficaram descontentes, afinal não é difícil imaginar o que acontece entre Lia e Rafe. Por isso tantas resenhas odiosas.
 
   Daí em diante, a grande guerra chega cada vez mais perto e o livro é adrenalina pura! Lia surpreende cada vez mais com seus feitos, novas surpresas aparecem, todos se preparam para o que está por vir, os traidores são expostos, e um novo casal nasce. Não tem como largar o livro!
 
   Admito que esperei outra coisa pro final, acreditei que a profecia ia se cumprir fielmente de outra maneira. Mas, foi muito bom mesmo assim. Uma leitura muito bem recomendada aos que querem uma história de ficção emocionante pra passar o tempo e mexer com as borboletas no seu estômago. Eu estava com bastante saudades disso.
Que pena que acabou ):  

Você recebeu um novo e-mail

Por Thales Eduardo
|
3 de dezembro

DE: twriter@gmail.com

PARA: leitornd@gmail.com

ASSUNTO: Você precisa conhecer esse livro!!!

Você não deve estar entendo exatamente o motivo de estar recebendo esse e-mail. Calma, não é nenhum vírus ou algo do tipo. Eu te explico!

Estou aqui para falar sobre o “Simon vs A Agenda Homo Sapiens”, da Becky Albertalli. Este livro foi lançado esse ano (2016) pela Editora Intrínseca e você pode conferir mais detalhes dele aqui.

“Ele é uma pessoa. Pode até ser alguém que eu conheço. Mas não sei quem. E não sei se quero saber.”

A história gira em torno de Simon (ah, sério mesmo?!). Ele é um jovem bem tranquilo, que tem uma boa relação com a família e amigos. Mas o que ninguém sabe ainda é que Simon é gay e que nos últimos meses ele vêm conversando, via e-mail, com uma pessoa desconhecida, apelidada “Blue”.

Blue e Simon, que usa o apelido de Jacques, só sabem que estudam na mesma escola. A identidade de ambos ainda permanece desconhecida. Mas é inegável a importância que cada um deles exerce na vida do outro. É nessas trocas de e-mails que eles contam coisas que geralmente não contam para mais ninguém.

Mas um dia, Simon comete um grande deslize. Ele esquece sua conta logada num computador da escola e um outro estudante, Martin, descobre tudo sobre essas conversas que Simon está tendo. E é assim que começa uma chantagem que está prestes a mudar tudo!

“Acho que gosto de saber que nos conhecemos mais por dentro do que por fora.”

E assim chegamos nesse e-mail. Eu precisava comentar sobre o livro. Mas então, esse é a primeira obra da escritora Becky Albertalli. É interessante citar que ela é psicóloga e por 7 anos foi orientadora de um grupo de apoio para crianças com não conformidade de gênero. Já notamos então que ela tem experiência no assunto.

Os capítulos são alternados entre o dia a dia de Simon e a troca de e-mails entre os garotos. O livro tem uma narração bem prazerosa, com uma escrita simples, mas que ao mesmo tempo consegue passar muitos significados ao leitor. 

Simon vs A Agenda Homo Sapiens é um livro que conquista. Não só a narração surpreende, mas Becky criou bem todos os personagens, tornando-os muito reais. Cada um deles possui seus próprios dilemas e lidam de maneira diferentes com as situação.

“Sinto como se houvesse um muro desmoronando, e não sei o por quê, e nem o que vai acontecer.”

Outro detalhe vale destacar é o rumo que a história segue. Fatos importantes não ficam presos apenas aos capítulos finais, mas acontecem ao longo de todo o livro.

Sobre o mistério da identidade de Blue, foi uma surpresa sim. Por mais que tivesse algumas suspeitas são muitas possibilidades e nada tão concreto pra podermos definir alguém logo (bom trabalho, Becky!).

“É que às vezes parece que todo mundo sabe quem eu sou, menos eu.”

Mas esse é um livro que vai além do romance e foca, inclusive, na família e amigos. É muito marcante essa relação que Simon possui com esses dois grupos. 

Há outras duas coisas que definem Simon também: Oreo (bolacha ou biscoito?) e música. E por falar nisso, a editora Intrínseca organizou uma playlist bem bacana com algumas das músicas preferidas do nosso protagonista, confira aqui.

Enfim, espero que não ignore esse e-mail. Permita-se conhecer o incrível Simon vs A Agenda Homo Sapiens!

PS: “Você devia ser quem você é.”

 

<ENVIADO 03/12/2016 – 19:57>

Nota: O formato dessa resenha (sim, era uma resenha. Surpresa!) e todas as imagens farão sentido após a leitura do livro!

Resenha – O Último Adeus

Por Thales Eduardo
|
17 de setembro

Título: O Último Adeus
Título original:  The Last Time We Say Goodbye
Autora: Cynthia Hand
Tradução: Carolina Coelho
Editora: Darkside
Gênero: Ficção
Páginas: 352
Ano: 2016
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“Você precisa de uma válvula de escape. Está guardando tudo e isso não é bom.”

Nem sempre a vida segue por um rumo calmo e tranquilo. As dificuldades e o sofrimento fazem parte também desse caminho, mesmo você não escolhendo isso.

Foi assim para Alexis, que teve sua vida mudada drasticamente depois que o irmão cometeu suicídio.

Foi um golpe muito duro, algo que ninguém esperava. Por mais que alguns sinais estivessem lá, Lex não imaginava que o irmão faria isso.

Mas ele fez e agora ela precisa buscar um meio de lidar com tudo isso e ainda ajudar a mãe a sair da depressão que as envolve.

“As pessoas seguem sua vida. Ainda que não consigamos seguir com as nossas.”

Como uma forma de ajudá-la, seu médico então sugere que Lex comece a escrever seus pensamentos em uma espécie de diário. Por mais que não tenha gostado muito da ideia, lentamente as palavras vão ganhando forma através da sua mão e quando ela percebe já contou muito mais do que esperava.

“A caneta não parece natural na minha mão. É muito mais pesada que o lápis. Permanente. Não existem borrachas na vida. Eu arriscaria tudo e começaria de novo.”

Arrebatador e emocionante! Esses são alguns dos inúmeros elogios que esse livro merece.

Cyhthia Hand nos envolve de uma forma que o leitor se vê preso na trama sem espaço pra pensar em outra coisa que não seja o livro.

A leitura ganha ritmo ao longo dos capítulos, nos quais vamos conhecendo cada um dos personagens e seus dramas. Sofremos com eles e torcemos pra eles! Não há como não se sentir parte de tudo que está acontecendo.

Além dos personagens principais, os secundários também ganham muito espaço e importância na obra. O luto e a maneira como a morte afeta cada um é diferente e isso é muito bem retratado.

“O tempo passa. É a regra. Independente do que aconteça, por mais que pareça que tudo em sua vida está congelado em um determinado momento, o tempo segue em frente.”

Sobre a diagramação, a Darkside fez um trabalho impecável mais uma vez! Assim como em todas as obras da editora noto sempre um cuidado especial por cada título.

Enfim, O Último Adeus é um livro que ganhou um espaço muito especial na minha estante. Você dificilmente irá se arrepender da leitura e esteja preparado para fortes emoções! Leia!

“Se eu desaparecesse um dia, desaparecesse de verdade e nunca mais voltasse, ninguém notaria.”

Resenha – Garoto 21

Por Thales Eduardo
|
26 de junho
Título: Garoto 21
Título original: Boy 21
Autor:Matthew Quick
Tradução: Viviane Diniz
Editora: Intrínseca
Gênero: Ficção
Páginas:272
Ano: 2016

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Você ajudaria um desconhecido mesmo que isso significasse por em risco algo que você sempre batalhou para conseguir?

“Nem sempre é possível escolher o papel que vamos desempenhar na vida, mas, independente do que se faça, que seja da melhor forma possível.”

Finley joga basquete desde muito novo e se dedica fielmente ao esporte.

Como é seu último ano no colégio, ir bem nessa temporada é ainda mais importante para ele.

O que Finley não esperava era que seu treinador fosse pedir para ajudá-lo a trazer de volta ao esporte um garoto novo que chegou na cidade.

O maior problema para Finley é que esse garoto joga na mesma posição que ele, logo é um risco tê-lo no time. O que Finley irá fazer?

“A verdade é que muitas coisas aconteceram comigo, coisas boas e ruins. Eu precisaria de muitas palavras para explicar, mais palavras do que sou capaz de dizer.”

Surpreendente. Garoto 21 pode ser definido dessa forma. Com uma sinopse “discreta”, sem causar grandes expectativas no leitor, o livro pode acaba passando despercebido para muitos. Entretanto, quando iniciada a leitura notamos que estamos diante de mais uma grande obra!

Muitos chegam a esse livro, sem dúvidas, devido ao seu autor. Com a adaptação cinematográfica de O Lado Bom da Vida e o sucesso do filme, os livros do autor super valorizaram. Dentre eles, o que cito com mais admiração é “Perdão, Leonard Peacock”.

Mas estou aqui para falar do Garoto 21 e me aterei a isso.

“Uma pergunta que às vezes me deixa confuso: maluco sou eu ou são os outros?”

Esse livro tem como base principal a amizade. Pensar no próximo de forma a colocá-lo a cima dos seus próprios interesses é fruto de uma amizade realmente verdadeira.

Interessante notarmos o desenvolvimento e crescimento dos personagens ao longo da história. Toda relação é construída dia após dia por inúmeros fatores.

Quick ainda reflete sobre a maneira de cada um enfrentar os percalços da vida, sendo que as consequências disso podem nos atormentar por anos.

Então devemos deixar claro que esse não é um livro sobre jovens disputando vagas num time. Há muito mais em o Garoto 21.

Há muita gente que suga a vida de todos ao redor, mas você não. Você dá força às pessoas, apenas por ser quem você é.”

A escrita de Quick envolve e emociona o leitor. Dessa forma há uma proximidade muito grande do leitor e do que está sendo narrado. Nos sentimos parte da história.

Mas assim como em alguns outros livros do autor, certos detalhes não devem ser questionados, simplesmente aceitos. Até mesmo para tornar a experiência melhor.

“Quase tudo pode ser arruinado. Tudo é frágil. Temporário.”

Garoto 21 agrada e supera as expectativas. Com certeza vale a leitura!

PS: Confira o recado do autor para os fãs brasileiros! 


Resenha – Zac & Mia

Por Thales Eduardo
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Título: Zac & Mia
Título original: Zac & Mia
Autora: A. J. Betts
Tradução: Sylvio Monteiro Deutsch
Editora: Novo Conceito
Gênero: Ficção; YA
Páginas: 288
Ano: 2015

Página no Skoob: Clique Aqui!

“Talvez coragem seja apenas isto: atos impulsivos em um momento em que sua cabeça grita não, mas seu corpo vai em frente assim mesmo. Coragem ou estupidez. É difícil dizer.”

Zac e Mia são dois adolescentes que em situações normais dificilmente seriam amigos. Mas este não é um momento de situações normais. Ambos precisam enfrentar precocemente um mal que afeta milhares, o câncer.

Apesar da calma que Zac transmite às pessoas ao seu redor, muita coisa acontece dentro dele. Os números e estatísticas dominaram sua vida e agora a sobrevivência se tornou uma porcentagem que o persegue.

Enquanto isso, no quarto ao lado está Mia. A jovem rebelde e destemida que recusa aceitar a verdade dolorosa de se estar doente. Mas por mais que ela tente afastar todas as pessoas ao seu redor, na verdade, o que ela mais precisa é de um suporte nessa hora crucial, mesmo que ainda não saiba disso.

E é assim que através de uma música pop e batidas na parede que a vida desses dois se cruza. O resultado disso é uma montanha russa de sentimentos.

“É engraçado como o cérebro faz coisas assim. Seu mundo todo está sendo chacoalhado e jogado, e o melhor que você consegue fazer é focar-se em alguma coisa pequena e inesperada.”

Casal jovem. Câncer. Um romance inesperado seguido de muito drama. Cadê a novidade nisso? Acredito que esse seja o primeiro julgamento que muita gente faz quando vê esse livro. Calma, não estou acusando ninguém. Eu mesmo tive esse pensamento.

Temos um acordo de sinceridade aqui, não é mesmo?! Então vamos lá. A história possui sim alguns clichês e reviravoltas um tanto quanto manjadas (John Green manda lembranças!).

Entretanto, esse julgamento de que tudo é o mesmo acaba ficando de lado ao longo da leitura. A escrita de Betts nos conquista lentamente e quando você percebe já é tarde demais, não consegue mais desgrudar desse livro.

Mas além do drama e romance, a autora trata ainda de temas importantes. Cair faz parte, levantar também.

A primeira parte do livro é um tanto quanto monótona, sendo que até mesmo os personagens principais não ajudam muito. Mas ao longo do livro a leitura ganha ritmo e os personagens mostram a que vieram.

Contudo, indico a leitura. Sem grandes pretensões, Zac & Mia entretém e comove na medida certa. Tudo o que você precisa fazer é dar uma chance para esse livro!